Presidenta do Grupo Gay de Cachoeira é assassinada

Comportamento, Social
28 de agosto de 2017
por Genilson Coutinho

 

Foto: Reprodiução Facebook

Atualizada em 29 de agosto ás 14h

O movimento LGBT baiano amanheceu de luto, com a notícia da morte de mais um LGBT+ no estado da Bahia.

A notícia do assassinato  da militante LGBT, a travesti Xaynna Shayuri Morganna, conhecida como Lili, causou muita tristeza. Lili foi morta a tiros no último domingo, (27),  nas margens do Rio Paraguaçu, próximo a uma das praças mais movimentadas da cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano.

Lili era a atual presidenta da Associação Grupo Gay de Cachoeira, e uma das organizadoras, desde 2010, da Parada do Orgulho LGBT de Cachoeira, que este ano aconteceria no mês de outubro.

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Até o fechamento desta nota, a polícia civil, por meio da assessoria de comunicação, informou que o caso está sendo investigado .

Nota de indignação

É com muita dor e indignação que o Conselho Estadual de Políticas para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais – CELGBT perde mais uma das militantes históricas do movimento LGBT do recôncavo, da cidade de Cachoeira/Ba.

Foi na noite desse domingo (27) que Lili, travesti e presidenta da Associação Grupo Gay de Cachoeira, foi encontrada morta na beira do Rio Paraguaçu, próximo a uma das principais praças de Cachoeira. Teríamos, mais uma vez, sua coordenação na 8° Parada LGBT da cidade para combater justamente a violência LGBTfóbica, que lhe levou a vida.

Precisamos entender que a transfobia é aversão, raiva e ódio contra as pessoas transexuais e travestis. Manifesta-se pela estigmatização, marginalização, depreciação, violência física e assassinatos com bastante crueldade. As estatísticas dizem que a expectativa de vida de uma mulher trans na América Latina é de 35 anos, menos da metade da média nacional de 74,9 anos da população em geral. Isso porque, como pessoas marginalizadas, muitas vezes não conseguem acessar os estudos e adentrar o mercado de trabalho, restando a prostituição como forma de renda. Além desses fatores, ainda existe a falta de assistência à saúde, a justiça e o direito mínimo do respeito ao Nome Social.

O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. Segundo a pesquisa da rede europeia Transgender Europe (TGEU) no ano 2016, foram apontados 144 assassinatos a pessoas trans no Brasil, casos esses notificados pela imprensa, redes sociais e repassados também através de grupos no WhatsApp. É importante lembrar que, geralmente, essas violências não são notificadas, sendo os seus casos muito maiores do que os noticiados. Segundo o Grupo Gay da Bahia, só em 2017, mais de 20 travestis, mulheres e homens trans foram assassinados.

Manifestamos, através dessa nota oficial, toda nossa indignação a indignidade social que são postas as pessoas LGBT, principalmente pessoas transexuais e travestis. Pedimos justiça aos assassinatos que houveram esse ano, amparo a suas famílias.

Assina a nota:

Conselho Estadual de Políticas para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – CELGBT

Salvador, 29 de agosto de 2017.

Amigos da vítima lametaram o fato com tristeza e o desejo de todos é de justiça.