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‘Os aplicativos de pegação afetaram um pouco a frequência nesses espaços’, diz Valmick Braz sobre falta de espaços LGBTs em Salvador

Genilson Coutinho,
29/08/2023 | 10h08
Foto: Genilson Coutinho

“Meu segredo para o sucesso do Clube 11 é estar fazendo o que eu gosto, o respeito aos nossos clientes, funcionários e artistas, me reciclando viajando e conhecendo novos espaços e estar antenado com as novidades do meio. Busco trazer uma bagagem na formação profissional, pois amadores não sobrevivem”, diz Valmick Braz, proprietário do Clube 11, que em setembro está completando 18 anos de atividades.

Um dos pioneiros no entretenimento LGBTQIAPN+ em Salvador, Valmick Braz tem muito a comemorar: a Sauna Clube 11 está comemorando 18 anos de funcionamento. Visionário e grande gestor, o empresário conversou com o site Dois Terços e contou um pouco dessa trajetória, falando de vitórias mas também de dificuldades e preconceitos.

Foto: Genilson Coutinho

DOIS TERÇOS: Valmick, em setembro o Clube 11 estará completando 18 anos de atividade em Salvador. Você poderia falar um pouco dessa trajetória?

VALMICK BRAZ: Inauguramos a sauna exatamente dia 2 de setembro de 2005, mas com outro nome: Thermas Planetário 11, com o subtítulo “onde os astros se encontram”. Em 2010, mudamos o nome fantasia para Clube 11. Não somente mudamos o nome, mas procuramos trazer um conceito novo de clube masculino. São 18 anos no mesmo endereço, nunca mudamos, continuamos na Rua José Duarte, no bairro do Tororó. É uma história de muita luta e sucesso.

Foto: Divulgação

DT: Fazendo uma avaliação desses 18 anos, foram muitas dificuldades?

VB: As dificuldades existem para a maioria dos empreendedores brasileiros, ainda mais tendo passado por uma pandemia onde o setor do entretenimento foi um dos mais afetados e sem apoio dos órgãos governamentais, que só nos enxergam na hora da cobrança de impostos. Quando avalio esses 18 anos, vejo que o bom está na experiência adquirida e o traquejo para lidar com as dificuldades do dia a dia.

DT: Há 18 anos atrás podemos dizer que havia uma efervescência LGBTQIAPN+ na noite soteropolitana, com vários espaços abertos no centro da cidade…

VB: Verdade! Quando começamos, em 2005, eu sentia que noite soteropolitana era mais efervescente e ainda conservava um pouco do glamour das décadas de 1980 e 1990… Penso que os aplicativos de “pegação” afetaram um pouco a frequência nesses espaços e os estabelecimentos tiveram que se reinventar para sobreviver. E é isso que o Clube 11 vem fazendo, se reinventando: realizando shows, eventos, concursos de muita qualidade além da manutenção e reformas constantes visando oferecer mais conforto e bem estar aos clientes.

DT: Com relação a frequência da sauna, você sempre teve uma preocupação com a segurança dos clientes?

VB: Sim, segurança, conforto, higiene e qualidade são os nossos maiores objetivos. Isso faz uma grande diferença.

DT: E sobre os colaboradores, pessoas que trabalham na casa, quais seus cuidados na hora de uma seleção?

VB: O Clube tem funcionários héteros, gays e uma mulher trans, fato este bem aceito pelos clientes porque nem sempre essas oportunidades são oferecidas. Na seleção, explicamos exatamente com o Clube 11 funciona com todas as peculiaridades inerentes ao mesmo. Exigimos respeito, simpatia e discrição para com os nossos clientes.

DT: Hoje vejo que o conceito do Clube 11 mudou, continua com apresentações de shows mas também com concursos e eventos diversos. Foi uma demanda espontânea ou os clientes começaram a ser mais exigentes justamente pela falta de grandes opções no Centro da cidade?

VB: Na verdade desde a sua inauguração, o Clube 11, assim como as saunas do Rio e São Paulo, teve a sua grade de shows, oferecendo diversão aos clientes e oportunidade de trabalho aos artistas transformistas e drag queens da nossa cidade. Os concursos e eventos temáticos vieram em seguida como reinvenção diante das dificuldades e como forma de atrair novos clientes.

DT: 18 anos é um bom tempo, é o Clube 11 atingindo sua maioridade. Qual o segredo para administrar por tanto tempo um espaço LGBTQIAPN+ em Salvador?

VB: Gostar do que eu faço, respeito aos clientes, funcionários e artistas, me reciclar viajando, conhecendo novos espaços e estar antenado com as novidades do meio. Busco trazer uma bagagem na formação profissional, pois amadores não sobrevivem. Ter uma boa rede de relacionamentos que te apoie e dê apoio nos momentos de adversidade também ajuda bastante.

DT: Como você mesmo já disse, busca sempre inovar. Ao completar 18 anos de funcionamento, vem alguma novidade por aí?

VB: Sim, estamos concluindo uma reforma que vai deixar a casa ainda mais bonita e aprazível para os clientes. Um verdadeiro Clube na acepção da palavra.

DT: Hoje, Valmick, podemos dizer que o Clube 11 é diretamente responsável por empregar quantas pessoas, entre porteiros, garçons, artistas …

VB: Como funcionários fixos temos oito, mas movimentamos a economia gerando renda para vários fornecedores: salgados, material de limpeza, lavanderia, profissionais da área de manutenção, sem contar os diversos artistas que se apresentam na casa como atrações fixas ou convidados. Os elogios por parte dos artistas que se apresentam no Clube 11 são unânimes. Poucas casas no Brasil oferecem a nossa qualidade de som, iluminação e um camarim tão confortável, climatizado, com banheiro, chuveiro e com uma ótima bancada para maquiagem.

DT: Que mensagem você deixaria para seus clientes nessa comemoração dos 18 anos do Clube 11?

VB: Neste mês de setembro, o Clube 11 estará completando 18 anos de existência. Gostaria de dizer aos nossos clientes que vocês são o nosso maior alicerce. O apoio de vocês foi fundamental para a nosso sucesso, as nossas realizações e a superação das dificuldades em períodos turbulentos. Tudo o que investimos e realizamos é pensando no seu conforto, bem estar e prazer. Obrigado por tudo e que estejamos juntos por muitos e muitos anos.

Vamos conhecer um pouco do Clube ?