Odoiyá: Ancestralidade e tecnologia se encontram no palco do Espaço Cultural da Barroquinha

No Circuito
2 de junho de 2016
por Genilson Coutinho

Ancestralidade e modernas tecnologias se encontram e dialogam no misto de  instalação interativa e espetáculo Odoiyá, que tem como pontos centrais a experiência cênica e a corporeidade. Concebido pela bailarina e professora Bel Souza, o projeto nasce de experiências pessoais vividas por ela no candomblé. Filha de Yemanjá do Ile Asé Odé Omin Silé, a criadora consolidou a proposta durante seu processo de iniciação na religião. A temporada acontece de 03 a 12 de junho, com apresentações às sextas, sábados e domingos, 19h, no Espaço Cultural da Barroquinha, com acesso gratuito.

Mais do que a experiência de Bel Souza com a própria religiosidade, Odoiyá reflete suas pesquisas sobre a articulação entre dança contemporânea, estudos do corpo e cultural digital.  “O projeto contempla uma rede de ações que se relaciona no mundo, esgarçando um pouco aparentes fronteiras entre espetáculo e ritual, público e palco, contemporaneidade e ancestralidade”, explica a mestre em dança e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A proposta é promover a interação do espectador com aspectos simbólicos dos rituais do candomblé, utilizando projeções mapeadas  e elementos sonoros, táteis e olfativos.

A direção musical está a cargo do percussionista, compositor e Alabê do Ile Asé Tubancé, Ricardo Costa; o projeto de luz ficou com o ator, iluminador e professor Geovane Nascimento; e a ambientação plástica será assinada pelo designer e artista visual Ruy Souza Filho, pai da bailarina.

“Estamos num processo colaborativo incrível desde a primeira concepção do espetáculo. A parceria afinada tem permitido que a dança se estruture muito a partir desse ambiente sensorial”, contou, referindo-se ao primeiro trabalho com Ruy.

O espetáculo é solo, mas toda a pesquisa para a intervenção cênica está sendo desenvolvida em parceria com a coreógrafa, professora e pesquisadora das danças de matrizes africanas Marilza Oliveira. “Ela é uma referência em dança afro e uma das primeiras profissionais sobre a qual ouvi falar quando cheguei em Salvador, em 1998”, recorda Bel, que é mineira, de Belo Horizonte.

Contemplado pelo edital Arte Todo Dia, da Fundação Gregório de Mattos e Prefeitura Municipal de Salvador, Odoiyá terá uma apresentação “work in progress” na Escola de Dança da UFBA (Campus de Ondina), dia 18 de abril, 18h30, revelando ao público um pouco do trabalho corporal desenvolvido para o espetáculo.

 SERVIÇO

 O quê: Odoiyá

Quando: 03 a 05/06 e 10 a 12/06

Horário: 19h

 Local: Espaço Cultural da Barroquinha

Rua do Couro, s/n, Barroquinha – Tel: 3340-7350

Capacidade: 60 lugares

Entrada gratuita