O estranho que nós amávamos por Mário Edson

Cinema, No Circuito
10 de agosto de 2017
por Genilson Coutinho

Mário Edson

Em 1971, sob a direção de Don Siegel e protagonizado por Clint Eastwood e Geraldine Page, a  história do soldado John McBurney, encontrado ferido na floresta pela garotinha Amy socorrido e levado para o internato de moças é lançado nos cinemas. A chegada do estranho dá uma sacudida na pacata e rotineira vida das nove mulheres que habitavam aquela casa

Agora Sofia Coppola faz uma bela e tocante releitura desta intrigante história que nos fala de desejo, paixão, amor e ódio. Em suas mãos o roteiro ganhou uma enxugada (duas das mulheres foram limadas, incluindo ai uma empregada negra), abriu mão da trilha sonora e em seu lugar emoldurou suas imagens com canto dos pássaros, pontuou as cenas com imagem do bucólico e gótico casarão e manteve a luz natural, o que nos legou um lirismo provincial. Habitué de abordagens do universo feminino, o que faz\ com muita propriedade e personalidade, mais uma vez apõe sua marca e centra o conflito no olhar das mulheres e não sob o ponto de vista masculino como na versão de 71. Reside ai seu maior achado e a transformação que a narrativa sofre e só tem a ganhar. Suprimido a conflito vivido pela protagonista Nicole Kidman que nesta versão vive Martha, a diretora da instituição e na versão de 71 era quase uma sub trama, o filme fica mais coeso e centra-se na transformação sofrida por essas mulheres em meio a presença do estranho, que aqui, em outra sábia alteração, não mais figura como o garanhão sedutor, dono do pedaço vivido pelo Clint Eastwood. Nesta versão temos um Colin Farrell mais comedido, cortês, sensível e educado. Se na versão de 71 havia algum erotismo mais explicito, e cenas outras mais pontuais e detalhistas, nesta versão o conflito psicológico é a prioridade, inclusive a personagem vivida pela Kirsten Dunst ( Edwina)  ganha mais espaço e destaque. Nesta versão John McBurney (Colin Farrell) é educado e carismático, o que o torna sedutor, principalmente aos olhos da atormentada e carente Edwina…

É uma bela e intrigante história de um lirismo particular,  mas nem por isso menos forte ou questionadora. Pode até não ser a grande obra prima de Sofia, mas certamente é uma grande pérola na pequena mais brilhante carreira desta que é umas das mais promissoras diretoras da atualidade em meio a um universo quase que na sua totalidade predominado por diretores.

Ficha Tecnica:

Direção: Sofia Coppola

Elenco: Colin FarrellNicole KidmanKirsten Dunst,  Elle Fanning, Angourie Rice e Addison Rieck

Gêneros SuspenseDrama

Nacionalidade EUA

Mário Edson é fotógrafo, produtor cultural e coordenador do grupo Amantes da Sétima Arte.  Publica pequenos textos e ensaios sobre cinema, arte e cultura em meio a ensaios fotográficos no blog: ateliecultural.blogspot.com.