Infográfico sobre a comunidade LGBT no mercado de trabalho

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16 de junho de 2017
por Genilson Coutinho

Por João Paulo Baptista

A comunidade LGBT brasileira, atualmente, representa quase 9% da população (18 milhões de pessoas). Esse mercado consumidor movimenta R$ 150 bilhões por ano. O Brasil é considerado um país com uma legislação rigorosa contra a homofobia e preconceitos de gênero. No entanto, o que vemos em prática por aí está muito distante do cenário ideal. O preconceito contra homossexuais ainda é muito forte e há receio de se discutir o assunto, principalmente em ambientes mais formais. Vamos, então, debater os preconceitos contra a comunidade LGBT no mercado de trabalho?

Pra iniciar o assunto de uma forma bem clara e direta, fizemos um infográfico com muito carinho, com dados de várias fontes (nacionais e internacionais). Ele servirá para ilustrar alguns pontos que falaremos ao decorrer do post. Veja:

O preconceito contra a comunidade LGBT ainda é muito forte

Durante as pesquisas para a elaboração desse material, ficamos surpresos com vários números. Em pleno século XXI, alguns fatos nos remetem a uma mentalidade extremamente conservadora, que não cabe mais nos dias de hoje.

Para começar a exemplificar, vamos pegar um caso recente que aconteceu no futebol brasileiro. Em 28 de agosto de 2014, uma torcedora do Grêmio chamou o goleiro do Santos de “macaco” durante um partida realizada pela Copa do Brasil. Ela foi identificada pelas câmeras de TV e precisou até mudar sua aparência devido a fortes retaliações que sofreu por esse episódio. Na época, o Grêmio recebeu uma dura punição e foi eliminado da Copa do Brasil.

Dentro desse mesmo universo, é comum em muitas torcidas, até mesmo em jogos da Seleção Brasileira, chamar o goleiro do time adversário de “bicha” na hora de bater o tiro de meta. Veja um vídeo abaixo que mostra esse comportamento:

Vamos analisar:  o grito de “bicha” também não é ofensivo e preconceituoso? Qual o motivo de não aplicarem punições também para as ofensas homofóbicas que torcidas do Brasil inteiro praticam? O preconceito contra a comunidade LGBT ainda não recebe a atenção merecida dos órgãos de fiscalização. Chamar outra pessoa de “bicha” ou “viado” é visto como normal (infelizmente, é como a maioria das pessoas ainda encara tal comportamento).

A comunidade LGBT no mercado de trabalho brasileiro

Bom, já fiz meu desabafo inicial. Vamos agora falar um pouco sobre os números. Algumas coisas que me chamaram a atenção:

  • 41% afirmam terem sofrido discriminação por sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho;
  • 33% das empresas brasileiras não contratariam pessoas LGBT para cargos de chefia;
  • 61% dos funcionários LGBT no Brasil optam por esconder a sexualidade de colegas e gestores;
  • 90% de travestis estão se prostituindo por não terem conseguido emprego (mesmo com bons currículos).

Assustador, não é mesmo? Esses números foram registrados pela Santo Caos (vale a pena conhecer essa galera).

Fiquei espantado principalmente com o fato de 33% das empresas admitirem que não contratariam pessoas LGBT para cargos de chefia. Sim, elas falaram isso! E a situação piora muito quando falamos de travestis e transsexuais: 90% estão se prostituindo por não terem conseguido emprego, mesmo tendo bons currículos. As empresas não têm consciência do quanto suas culturas antiquadas impactam e, muitas vezes, anulam o direito de escolha de uma pessoa? Porque se não há oportunidade, não há escolha. Fiquei realmente inconformado!

E, no meio das pesquisas, vi que o buraco é mais embaixo. Veja estas matérias:

É, pessoal, infelizmente este é o mundo em que vivemos.

Para aqueles empresários que não são muito ligados ao bem-estar de seus colaboradores, um outro número pode “sensibilizar” seu coração: de acordo com pesquisas feitas pela OutNow, a homofobia custa U$ 405 bilhões por ano para a economia brasileira (baseado em produtividade, turnover e processos judiciais). Se não quiser olhar com carinho para a causa, comece a mudar seus conceitos percebendo quanto isso pesa no bolso.

Durante as entrevistas feitas aqui no Brasil, foram coletados alguns depoimentos que expressam bem a nossa realidade:

  • “Fiquei sabendo que algumas pessoas não conversam comigo porque existe uma desconfiança na empresa de que sou homossexual.”
  • Piadas que acabam se tornando homofóbicas, usando xingamentos como se fossem brincadeira.
  • Uma colega afirmou que sentia nojo em ter que trabalhar com um homossexual.
  • Um colega informalmente contou com orgulho que espancou um gay no final de semana.
A homofobia custa U$ 405 bilhões por ano para a economia brasileira

Ações para minimizar o preconceito contra a comunidade LGBT

Felizmente, assim como eu, muitas pessoas, empresas e ONGs estão dedicando seu tempo para falar desse assunto tão importante. Vemos muitas ações sendo feitas em apoio à causa LGBT. Até setores supertradicionais, como o bancário, estão engajados nesse movimento. O Banco do Brasilfez uma campanha bacana em 2015:

Outras empresas, com uma pegada mais moderna, estão entrando bem fortes nessa onda e promovendo algumas reflexões importantes. Uma ação super válida foi feita pela companhia aérea Gol no Dia das Mães. Veja o vídeo:

A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo também está sempre realizando ações para minimizar o preconceito que existe no Brasil. Eles promovem caminhadas, eventos, feiras e muito mais. Vale a pena dar uma olhada no site (acesse aqui) e conferir a agenda da Parada LGBT de 2017, que ocorre no dia 18/06 na Av. Paulista (confirme sua presença aqui). Ah, e novamente para a galera que gosta de números, a Parada LGBT de São Paulo movimenta mais de R$ 400 milhões!

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Outra inciativa muito bacana é o Fórum de Empresas e Direitos LGBT, criado em 2013, uma organização informal que reúne grandes empresas brasileiras para discutir e pensar sobre o preconceito contra a comunidade LGBT no mercado de trabalho. Eles criaram um manifesto chamado “Os 10 Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBT”. O nome já diz tudo, né? Você pode conferir mais informações clicando aqui.

A luta contra a homofobia é recente…

Podem acreditar, a luta contra a homofobia é bem recente. A comunidade LGBT ficou muito tempo marginalizada da sociedade. Apenas em 1990 (isso mesmo, há menos de 30 anos atrás), a homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Quer dizer que, antes dessa data, o homossexualismo era tratado como doença! É por isso que no dia 17/05 se comemora o Dia Internacional de Combate à Homofobia. Veja mais sobre isso neste post especial que fizemos.

A população LGBT não possui uma constituição específica para tratar de seus interesses, como acontece com os negros e o racismo, por exemplo. Tudo isso indica que o Brasil ainda tem muito para amadurecer nesse sentido. Há algumas evoluções estaduais perante a lei, como acontece em São Paulo. Existe a Lei nº 10.948/01 que pune toda manifestação discriminatória feitas por um cidadão, inclusive os funcionários públicos, civis ou militares, toda organização social ou empresas privadas ou públicas, com advertência, multa, suspensão e cassação da licença estadual para funcionamento.

O site Direito Homoafetivo também está atuando constantemente para estruturar as questões estatuais dos direitos da comunidade LGBT. Vale a pena visitar e conhecer um pouco mais sobre as ações que eles estão fazendo.

Alguns políticos estão lutando de forma muito interessante a favor da causa LGBT, visando um Brasil mais justo e igualitário. Michel Platini, por exemplo, é o atual Presidente dos Conselhos Humanos do Distrito Federal e é militante da causa LGBT. Precisamos fazer nossa parte também, procurar políticos que estão levando essa causa para debates contundentes em Brasília. O Carlos Minc também está sempre presente nessa luta, representando e correndo atrás de mais direitos e respeito para a comunidade LGBT.

Além disso, existe um canal exclusivo para qualquer pessoa fazer denúncias de violações dos Direitos Humanos, o Disque 100. Ele funciona 24h por dia, 7 dias por semana e recebe em especial denúncias contra populações mais vulneráveis no Brasil, como crianças, mulheres e a comunidade LGBT. Se você testemunhou algum tipo de homofobia ou preconceito, não perca tempo e denuncie o quanto antes.

Você pode ajudar a causa LGBT!

Nós queremos que esse infográfico que fizemos com tanto carinho chegue o mais rápido ao maior número de pessoas. Precisamos desempenhar nosso papel nessa conscientização sobre o preconceito contra a comunidade LGBT. Fique à vontade para usar nosso material e compartilhar as informações aqui mostradas com os seus amigos. Só pedimos para que sejam mantidos os devidos créditos. Juntos, tenho a certeza de que podemos ser mais fortes!

Do plataoplomo