Feliciano abre guerra entre ‘ex-gays’ e gays

Comportamento, Social
27 de abril de 2015
por Genilson Coutinho

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara volta a ser centro de polêmicas, mais uma vez graças ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP). A pedido do polêmico parlamentar, nove “ex-gays”que alegam ser vítimas de discriminação serão ouvidos em audiência pública. Dominada por um grupo de parlamentares de perfil conservador, o pedido de requerimento foi aprovado com 10 votos favoráveis e seis contrários.

O pastor argumenta que os “ex-gays” são alvos de preconceito praticado pelos seus “ex-pares” homossexuais, que os tratariam como “fingidores”.

“Após a mudança da orientação, sofre-se duplo preconceito. Os héteros dizem que eles estão dissimulando, ou até mesmo que eles são doentes mentais”, justificou Feliciano durante audiência da Comissão de Direitos Humanos.

Feliciano volta a abrir polêmica na Comissão de Direitos Humanos (Foto:  Reprodução Internet)

Feliciano volta a abrir polêmica na Comissão de Direitos Humanos (Foto: Reprodução Internet)

Dos nove convidados para o depoimento, ainda sem data marcada para acontecer, cinco são homens e quatro são mulheres. No grupo, há três pastores evangélicos, um cantor evangélico, uma missionária, uma psicóloga e um estudante de psicologia.

Durante a justificativa do requerimento, lida em reunião da Comissão, o deputado argumentou que os programas de TV tratam os ex-homossexuais como pessoas caricatas e que enganam a sociedade, sobretudo os cônjuges. Ele também associou a falta de assistência do Estado a este segmento a supostas doenças mentais decorrentes do preconceito. “Supostamente eles estariam praticando uma aventura e enganam as pessoas.Nenhuma lei incluiu os ex-gays na proteção estatal”, reclamou Feliciano.

Para a parte da Comissão contrária a aprovação do requerimento, Feliciano quer trazer de volta à discussão o projeto da Cura Gay. Em 2013, o debate sobre a polêmica proposta mobilizou diversos ativistas LGBTs contrários à causa, tornando Feliciano alvo dos protestos que levaram milhares de pessoas às ruas em todo Brasil naquele ano. E a proposta acabou engavetada no Congresso.

*Do O Dia.