Cultura Negra : TV Bahia firma parceria com blocos afros para o Carnaval 2019

Música, No Circuito
7 de fevereiro de 2019
por Genilson Coutinho

Olodum (Foto: Genilson Coutinho

Valorização da identidade negra e combate ao racismo. Danças étnicas, vestimentas coloridas e tambores. Esses são alguns elementos que fazem dos blocos afro um show à parte no Carnaval de Salvador. Reconhecendo a sua importância para a folia momesca e a cultura do estado, nessa quinta-feira (07), a TV Bahia oficializa parceria para esse ano com os blocos Olodum, Ilê Ayê, Filhos de Gandhy, Malê DeBalê, Muzenza e Cortejo Afro.

A cerimônia de oficialização acontece na sede da emissora às 19h, com a participação dos presidentes de cada agremiação. Na ocasião, será realizada ainda uma recepção especial fazendo referência aos trajes e sonoridade dos blocos afro. Além disso, cada um dos blocos terá um VT preparado pela TV Bahia para ser exibido na programação e no Bahia Folia, durante a cobertura do Carnaval.

“Essa parceria demonstra o quanto a TV Bahia está conectada às raízes do estado e ao povo baiano. Os blocos afro, além de tradicionais, surgiram dentro dos bairros numa expressão genuinamente popular de resgate cultural e valorização da população negra nos circuitos da folia. É muito importante mantermos essa tradição”, destaca João Gomes, diretor executivo de televisão da Rede Bahia.

Conheça mais sobre cada um dos blocos

Ilê Aiyê – Primeiro bloco afro do país, nasceu no Curuzu/Liberdade em 1974 com o objetivo de preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira. Ao longo de sua história, vem homenageando países africanos e revoltas negras brasileiras, além de inspirar o surgimento de outros blocos. Conhecido como O Mais Belo dos Belos, é considerado patrimônio cultural do estado.

Olodum – Criado em Salvador no Pelourinho em 1979, numa época em que o bairro era marginalizado e discriminado pela população baiana, surgiu com o objetivo de celebrar a herança cultural africana e estimular a autoestima e orgulho de ser afrodescendente.

Malê Debalê – Surgido em 1979 por iniciativa de um grupo de moradores de Itapuã, seu nome faz referência ao povo de origem africana que lutou na Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador em 1835. O bloco se destaca por levar para os circuitos do Carnaval reflexões sobre a luta contra o racismo e a ocupação de espaços pela população negra.

Muzenza – Nasceu no bairro da Liberdade, como uma homenagem ao músico jamaicano Bob Marley, responsável pela difusão internacional do reggae. Ao longo dos anos, no entanto, além do reggae, passou a congregar um grande número de variações rítmicas. Algumas canções compostas por seus membros ganharam fama nacional na voz de artistas como Daniela Marcury, Carlinhos Brown, Maria Bethânia e Gal Costa.

Filhos de Gandhy – Criado em 1949 por estivadores do Porto de Salvador, o nome é inspirado na trajetória do líder indiano Mahatma Gandhi, mesclando preceitos hindus e tradições africanas. Composto somente por homens, a fantasia de seus integrantes é formada por um lençol costurado na parte frontal, turbante, broche, sandálias e colares nas cores azul e branca em referência aos orixás Oxalá e Ogum.

Cortejo Afro – Nasceu em 1998 no bairro de Pirajá dentro dos limites de um terreiro de Candomblé com o objetivo de reafirmar valores e aspectos da cultura negra na Bahia. Com roupas exuberantes, sombreiros e coreografias ricas em movimentos afro, sua apresentação busca transmitir o visual dos reinados das tribos africanas.