Questionado por ONGs, governo afirma que campanha de Carnaval ainda não saiu porque vai integrar estratégia de prevenção ao longo de todo o ano

Genilson Coutinho,
25/02/2014 | 10h02

A Articulação Nacional de Luta Contra Aids (Anaids), colegiado que reúne representações do movimento social de luta contra a epidemia em todo o país, enviou uma carta ao Ministério da Saúde na última quarta-feira, 19, pedindo informações sobre a campanha de prevenção às DST/aids voltada ao Carnaval deste ano. A pasta, por sua vez, respondeu que desde 2013 deixou de fazer uma “Campanha de Carnaval” para ter uma “Campanha de Prevenção” com inserções ao longo de todo ano.

“Até o presente momento não recebemos qualquer informação, bem como desconhecemos a realização de reunião do GT (Grupo de Trabalho) de Comunicação para tratar da referida campanha. Desconhecemos também o mote da campanha desse carnaval. Chamou-nos especial atenção o fato de que ao buscar informações com coordenações estaduais, as mesmas relataram não ter dados para compartilhar”, questiona a Anaids.

O grupo se diz ainda preocupado com a demora do lançamento da campanha e ressalta que as ações focadas no Carnaval “continuam tendo fundamental importância para a sociedade, servindo, em muitas situações, como apoio para o movimento nacional de luta contra aids”.

Em resposta também em carta, assinada pelo diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, o Ministério da Saúde explica que sua política para as ações de prevenção recebeu melhorias no contexto de campanhas de comunicação. “Nesse sentido, desde 2013, o órgão deixou de concentrar as ações de comunicação em HIV/aids durante os festejos de Carnaval com o objetivo de manter o tema na mídia por mais tempo”.

A Pasta afirma que a Campanha de Prevenção 2014 foi construída a partir de recomendações colhidas em um GT, reunido em 1º de outubro de 2013 em Brasília. Participaram deste grupo: Érico Arruda (Sociedade Brasileira de Infectologia); Toni Reis (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais); Adele Benzaken (até então no Unaids); Mônica Malta (Fiocruz); Ana Lucia Spiassi (Coordenação Municipal de DST/Aids de São Paulo); Ricardo Charão (Coordenação de DST/Aids do Rio Grande do Sul); Fábio Mesquita e outros integrantes de áreas estratégicas do Departamento de Aids.

Ainda segundo a carta enviada pelo Departamento a Anaids, “o desenvolvimento da campanha seguiu os ritos tradicionais consolidados ao longo da resposta brasileira de luta contra a aids.”

O lema da Campanha de Prevenção 2014 é “Se tem festa, tem que ter camisinha”. A mensagem de apoio ao tema central considera que “não importa a festa, nem onde, nem com quem. O importante é sempre usar camisinha”.

De acordo com o Departamento, toda campanha do Ministério da Saúde é distribuída para Estados e Municípios sob embargo para que não ocorram “furos” na estratégia de comunicação, incluindo o lançamento e a divulgação. Por isso, informa a Pasta, as coordenações mantiveram o embargo.