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Saúde

Pesquisa revela que autoteste para HIV é melhor aceito em população vulnerável

Genilson Coutinho,
20/07/2021 | 21h07

Na África do Sul, um número significativo de adultos mais velhos não tem conhecimento sobre sua própria sorologia para o HIV, embora haja uma alta taxa na população. Por isso, um estudo apresentado na 11ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids sobre Ciência do HIV, mostrou que os autotestes podem ser uma ferramenta capaz de aumentar a testagem neste grupo.

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Goettingen, em colaboração com a Universidade de Witwatersrand, compararam a eficácia de três kits diferentes de teste domiciliar para HIV em adultos mais velhos na África rural.

Para o estudo, a equipe de pesquisadores randomizou indivíduos do “Saúde e Envelhecimento na África: um Estudo Longitudinal de uma Comunidade na África do Sul”.

A pesquisa incluiu 3.578 participantes para fazer um teste rápido de HIV realizado por um profissional e com aconselhamento, uma entrega em casa de kits de autoteste de HIV, ou ainda um teste rápido de HIV em casa com aconselhamento e entrega em casa de kits de autoteste de HIV.

Os resultados mostraram que o grupo que recebeu os kits de autoteste teve maior probabilidade de se testarem em casa em comparação com o grupo que teve acesso somente ao teste rápido.

O estudo também mostrou que não houve diferença significativa observada na aceitação do teste ou no conhecimento do estado de HIV entre os grupos.

A maior preocupação de pesquisadores e da sociedade civil em relação aos testes realizados em casa é o fato de a pessoa receber o resultado sem acolhimento na hora, o que poderia gerar fatores como depressão e outros efeitos psicológicos adversos.

Nesse sentido, a pesquisa mostrou que não houveram efeitos adversos significativos dentre a população que se testou em casa. “Nossos resultados indicam que o autoteste de HIV é uma opção segura e preferida de teste domiciliar para adultos mais velhos na África do Sul rural, oferecendo outra ferramenta política promissora no esforço para atingir as metas 90-90-90 do Unaids”, defendeu os pesquisadores.

Para além do diagnóstico

Pesquisadores da Universidade de Nova York apresentaram uma pesquisa onde discutiram a associação entre experiências de eventos adversos na infância e o teste de HIV.

Houve pesquisas anteriores que descobriram que gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens eram mais propensos a relatar resultados relacionados ao HIV se experimentaram algum tipo de abuso ou trauma na infância.

Embora haja alguns dados sobre violência sexual e HIV, não há pesquisas que investiguem uma conexão entre esse tipo de abuso e o teste e a prevenção para o vírus.

Os pesquisadores usaram dados de um estudo financiado pelo National Institute of Health sobre uso de autotestes em jovens negros e afro-americanos que fazem sexo com homens. Foram mais de 370 homens participando do estudo, nenhum deles vivendo com HIV. Os pesquisadores perguntaram se algum dos homens conseguia se lembrar de alguma experiência de violência sexual.

“Embora nenhuma associação tenha sido identificada entre infância / adolescência e teste de HIV na vida adulta, o conhecimento  sobre as exposições é necessário para fornecer cuidados de saúde sexual otimizados e sobre traumas para HSHs negros”, escreveram os autores.

“Mais pesquisas são necessárias para determinar se as experiências de violência na vida adulta ou infantil se relacionam a múltiplos comportamentos de prevenção do HIV entre HSHs negros”, concluíram.

Autoteste no Brasil 

No Brasil, o autoteste pode ser realizado por todo mundo onde e quando quiser. No Sistema Único de Saúde (SUS), os kits são distribuídos preferencialmente para as populações mais vulneráveis à epidemia de HIV, como gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e travestis e profissionais do sexo, por exemplo.

Cada fabricante possui em sua embalagem um número de telefone gratuito disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, para atendimento dos usuários com dúvidas em relação ao autoteste. Além disto, o usuário também pode entrar em contato com o disque saúde (136).

O produto pode se encontrado em unidades de saúde especializadas no atendimento às Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Veja onde encontrar um autoteste clicando aqui.