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‘Perdeu a vida tentando nos salvar’, diz jovem sobre homem assassinado ao defender casal vítima de homofobia em Curitiba

Redação,
18/06/2024 | 12h06
Foto: Reprodução/ Redes Sociais
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Na noite de domingo (16), Oziel, de 40 anos, foi morto a facadas dentro do ônibus biarticulado Santa Cândida/Capão Raso. Os suspeitos, um homem de 41 anos e um adolescente de 17, foram identificados como sendo tio e sobrinho.

A jovem não conhecia a vítima. De acordo com ela, na confusão, Oziel foi segurado por um dos suspeitos para o outro, então, esfaqueá-lo.

“O mais velho segurou ele pelos braços e o mais novo ficava dando as facadas. A única reação que eu tive no momento foi correr, pedir ajuda. Olhei para trás e vi o cara sendo esfaqueado”, relembra.

Os suspeitos chegaram a fugir após o crime, mas foram localizados pela polícia pouco depois. Com o adolescente foi encontrada uma faca com 20 centímetros de lâmina, que estava suja de sangue.

O homem suspeito do crime recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Central de Flagrantes, enquanto o adolescente foi apreendido e encaminhado à delegacia especializada.

A jovem conta que antes do assassinato, os agressores estavam ameaçaram verbalmente o casal, com importunações e ameaças de morte.

“Eles começaram a fazer insultos, o tio começou a fazer ameaças enquanto o mais novo ficava rindo. O mais novo sentou na janela e colocou a mão na mochila ameaçando pegar uma faca para gente. Ele dizia que qualquer coisa que a gente fizesse, eles iam matar a gente”.

Segundo a polícia, suspeito mais velho tem três passagem pela polícia por roubo e estava usando tornozeleira eletrônica.

O adolescente, conforme a corporação, também tem antecedentes criminais.

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que a investigação sobre o assassinato de Oziel foi concluída e encaminhada à Justiça.

Disse também que pode realizar novas diligências, se o Ministério Público solicitar informações complementares.

Do G1

Nota de solidariedade e condolências aos familiares do herói Oziel Branques dos Santos, brutalmente assassinado por defender Camila Dias Marçal e Jean Carlos de Oliveira de ataques LGBTIfobicos

Expressamos nossa profunda tristeza e consternação pelo trágico acontecimento ocorrido na noite deste domingo (16/6), dentro de um ônibus da linha Santa Cândida/Capão Raso, em Curitiba. Oziel Branques dos Santos, de 42 anos, perdeu a vida de maneira brutal ao tentar defender duas pessoas LGBTI+ que estavam sendo vítimas de agressões e ameaças.

Oferecemos nossas mais sinceras condolências à família e aos amigos do homem que, em um gesto de extrema bravura, se levantou contra a injustiça e a intolerância. Sua empatia não será esquecida e deve servir como um poderoso lembrete da necessidade de combatermos o ódio e a violência em todas as suas formas.

É imprescindível nos questionarmos quem “afiou a faca”; qual a autoria intelectual dos crimes cometidos. Esta situação que está sendo imposta à nossa sociedade e adoecendo os indivíduos precisa ser interrompida imediatamente. Não podemos permanecer apáticos às inúmeras formas de violência que estamos sofrendo. Precisamos nos mobilizar!

Exaltamos a coragem de Oziel para que casos como este não se repitam! Como disse Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. É essencial que nos levantemos diante de crimes com motivação LGBTIfóbica e estudemos as estruturas que possibilitam essas agressões para que seja possível transformar essa realidade cruel.

Lamentamos profundamente que uma atitude tão nobre tenha encontrado um fim tão trágico.

Também nos solidarizamos com Camila Dias Marçal e Jean Carlos de Oliveira, que foram vítimas desse ato de violência. É inaceitável que em nossa sociedade ainda ocorram ataques motivados pelo preconceito e pela intolerância.

Agradecemos à Polícia Militar do Paraná (PMPR) pelo rápido atendimento e pela detenção dos suspeitos, esperando que a justiça seja feita e que esse trágico assassinato leve a uma reflexão e ações concretas para tornar nossos espaços públicos mais seguros e inclusivos.

O Grupo Dignidade se compromete a acompanhar o caso de perto para garantir que todas as providências legais cabíveis sejam tomadas e que os autores sejam devidamente responsabilizados. Além disso, nos colocamos à disposição para a realização de atendimento psicológico e social tanto para os afetados diretamente pela LGBTIfobia, Camila Dias Marçal e Jean Carlos de Oliveira, como para os familiares de Oziel Branques dos Santos.

Que possamos, coletivamente, trabalhar para construir uma sociedade onde atos de heroísmo como o deste homem não sejam necessários e onde todos possam viver sem medo de serem quem são.

Com solidariedade e pesar,

Rafaelly Wiest
Presidente do Grupo Dignidade

Toni Reis
Fundador e diretor executivo do Grupo Dignidade

Beto Schmitz
Coordenação de Pesquisa | Projeto Paraná + Diversidade | Cedoc LGBTI+

Maria Angela Strapasson
Diretora de atendimento à comunidade do Grupo Dignidade

Mateus Cesar Costa
Diretor administrativo do Grupo Dignidade

Lucas Siqueira
Diretor de comunidade e vínculo do Grupo Dignidade

Jean Muksen
Advogado do Grupo Dignidade

Mauro Neres
Conselheiro fiscal

Nori Junior
Diretor tesoureiro do Grupo Dignidade

André Luiz Tutts
Conselho fiscal do Grupo Dignidade