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Morre Marco Trajano, um incansável defensor da causa LGBTQIA+

Genilson Coutinho,
18/07/2021 | 21h07
Oswaldo Braga e Marco Trajano sempre juntos no MGM, nos palcos e nas ruas, pela causa LGBTQIA+ (Fotos: Fernando Priamo)

O ativista dos direitos LGBTQIA+ Marco Trajano morreu, neste sábado (17), às 15h10, aos 57 anos, vítima de complicações da Covid-19. Trajano é uma das principais referências do movimento LGBTQIA+, não só em Juiz de Fora, mas em Minas Gerais e no Brasil. Ele era uma das lideranças do Movimento Gay de Minas (MGM), uma das mais respeitadas organizações sociais de defesa e promoção de cidadania para a comunidade LGBTQIA+. Ainda servidor público de carreira, Trajano estava lotado na Procuradoria-Geral do Município de Juiz de Fora. Para além do ativismo pelos direitos LGBTQIA+, Trajano era um quadro histórico do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Trajano estava internado na Santa Casa de Misericórdia desde o fim de junho. Na época, havia sofrido um infarto. “Ele seria submetido a uma angioplastia. Quando fez o pré-operatório, detectaram que tinha testado positivo para a Covid-19”, relata Oswaldo Braga, que foi companheiro de Trajano e também idealizador do Rainbow Fest. Embora o procedimento cirúrgico tenha sido bem-sucedido, Trajano foi contaminado com uma infecção hospitalar na unidade de terapia intensiva. “Ele continuou intubado, mas faleceu hoje após uma parada cardíaca. Houve uma falência múltipla de órgãos por uma septicemia. Ele não conseguiu ser vacinado antes de ser internado. Se tivéssemos um serviço mais eficiente, ele poderia ter sobrevivido.”

Em nota publicada nas redes sociais nesta tarde, a Fundação Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) lamenta a morte de Trajano. “Aos familiares e amigos, nossos sentimentos. A Marco, querido amigo, gratidão pela grande contribuição com a cultura e defesa dos direitos em Juiz de Fora. Descanse em paz, Marco!” A Câmara Municipal de Juiz de Fora, também em nota de pesar, reforça a trajetória de Trajano na luta pelos direitos LGBTQIA+. “Marco fundou a tradicional ‘Rainbow Fest’ e foi atuante nos debates sobre o tema, já tendo sido convidado pear audiência pública na Câmara a respeito dos direitos humanos e sociais relacionados às políticas públicas destinadas à população gay, lésbica, travesti, transgênero e transexual.”

O PDT, por sua vez, lembrou que Trajano se junta “a outros 540 mil cidadãos brasileiros que foram vitimados pela pandemia”. “Manifestamos nossa solidariedade e oferecemos nosso abraço aos amigos e familiares. Que a sua luta pelos direitos da população LGBT inspire as novas gerações e que seu trabalho não seja esquecido.” O deputado federal Mário Heringer, presidente do diretório trabalhista em Minas Gerais, também se manifestou em suas redes sociais. “Grande defensor da igualdade e respeito LGBTQI+. Vai fazer falta.”

Na época da 18ª Rainbow Fest, em 2015, em entrevista à Tribuna, Trajano ressaltou as conquistas do evento para a comunidade LGBTQIA+. “É urgente fugir dos padrões estéticos vigentes. É muito difícil e raro estar dentro do padrão estabelecido como o ideal, que é o do homem, hétero, branco e jovem. Os preconceitos são muitos. A gente precisa conviver com a diversidade, até mesmo dentro do movimento. Existem divergências, mas elas não podem se tornar antropofágicas, porque senão caímos no que a Simone de Beauvoir fala sobre a força do opressor se ampliar sem a união dos oprimidos.”

O corpo de Trajano deve ser sepultado, neste domingo, no Cemitério Municipal. No entanto, até o fechamento deste texto, não há informações sobre o horário.