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Luis Mott fala sobre seu diagnóstico do câncer de próstata

Redação,
10/11/2020 | 23h11
Foto: Genilson coutinho

luiz Mott

“Novembro azul”, mês da prevenção do câncer da próstata. É o tipo de câncer mais comum entre os homens, depois do câncer de pele: 1 em cada 9 homens tê-lo-ão. Mais de 65 mil casos nos próximos dois anos no Brasil. A partir dos 50 anos é vital todo homem submeter-se a dois procedimentos preventivos: exame de sangue “PSA” e exame de toque retal. É aconselhável também fazer anualmente a ultrassonografia do abdômen para complementar o diagnóstico.
Assim procedi nos últimos 20 anos, exames repetidos religiosamente, resultados normais até que nos últimos anos, fui diagnosticado com “hiperplasia prostática benigna”, isto é, a glândula produtora do esperma, que é do tamanho de uma noz, aumentou de tamanho, e por pressionar a bexiga, provoca vontade frequente de urinar, sobretudo a noite. Um comprimido diário atenuava o desconforto. Eis porem que sem explicação, o teor do PSA aumentou além do esperado, sugerindo a possibilidade de câncer e necessidade de fazer uma ultrassonografia transretal da próstata com biópsia, exame realizado em raras clínicas, felizmente indolor, graças à anestesia venosa. Resultado preocupante: de 17 amostras, 5 revelaram-se malignas.
A descoberta de ter câncer é sempre traumática, tanto que muitas pessoas evitam até pronunciar seu nome, se referindo à essa doença azarão como C\A. Tive duas irmãs, uma mais velha e outra mais jovem, que morreram de câncer, no pulmão e mediastino. Nenhum caso de câncer prostático na família. Ao receber o diagnóstico, fiquei apreensivo, dormi mal à noite, mas dois dias depois, passei a aceitar com naturalidade esse chute no saco. Meu irmão médico diz que câncer de próstata e tireóide são os mais fáceis de se extirpar. Assim seja!  
Duas soluções para enfrentar essa moléstia: dezenas de sessões de radioterapia com tratamento hormonal ou então, cirurgia, “prostatectomia radical”, feita hoje através de robô. Tratamento urgente para evitar a metástase.  Meu maior medo não é a morte, nem tanto a perda da ereção, que tem tratamento…, mas uma persistente e humilhante incontinência urinária. Conversando com alguns pacientes operados e com doutores, além da consulta no Google, fiquei um pouco mais tranquilo pois de 3 a 5% dos operados têm de usar fraldas geriátricas. Em último caso, descobri que existe nas farmácias uma espécie de modess masculino… Viva!
Próximos passos: agendar a cirurgia, resolver os trâmites burocráticos com o convênio (que não cobre integralmente a operação robótica!), realizar os procedimentos prévios laboratoriais, suspender temporariamente os medicamentos da velhice para não prejudicar a cicatrização e sobretudo, manter o bom astral sem somatizar a doença. Obrigado pela torcida! Comunicarei o pós-operatório.