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Após um ano de pandemia, Américo Nunes, vive a expectativa de ser vacinado e lança atividades para a população trans

Redação,
28/02/2021 | 21h02

No início da pandemia do coronavírus, a Agência Aids publicou vídeos de ativistas contando como estavam vivendo, enfrentando o isolamento social e o que estavam fazendo para colaborar na luta contra a Covid-19. Américo Nunes Neto, coordenador do Movimento Paulistano de Luta Contra a AIDS (MOPAIDS), fundador do Instituto Vida Nova Integração Social Educação e Cidadania foi uma dessas pessoas.

Américo convive com o vírus desde 1988, mas demorou a tornar isso público. Segundo ele, porque naquela época o estigma era muito grande. “Só contei aos meus pais dez anos depois. Para minha surpresa, eles deram apoio.”

“Nunca desenvolvi a doença, só descobri que era portador porque amigos de um ex-namorado estavam morrendo de aids e resolvi fazer o teste. Como não sentia nada, levei um tempo para aderir aos medicamentos. Só comecei a tomar remédio com a chegada dos antirretrovirais, em 1997. O que ajuda a me manter bem emocionalmente são os trabalhos voluntários que realizo com soropositivos desde que descobri ser portador”, conta. Américo vive, hoje, um relacionamento com o ex-militar chileno Jorge Reyes Rodriguez, 65, que também vive com o vírus. Juntos há 29 anos, fundaram, em maio de 2000, o Instituto Vida Nova, no Itaim Paulista, na Zona Leste, ONG que atende 900 soropositivos.

“Lá oferecemos atividades como hidroginástica e fisioterapia. Por incrível que pareça, o maior baque que tive até hoje não foi o diagnóstico do HIV, e sim um câncer no reto, em 2011. Fiquei muito fragilizado psicologicamente, até porque sentia muita dor e vivia à base de morfina. Fiz quimioterapia e radioterapia e estou totalmente recuperado. Agora, sonho com a cura da aids.”

No depoimento abaixo, Américo conta como está sua rotina e como se sente um ano após um ano de pandemia.

“A minha rotina no dia a dia não tem mudado não. A gente continua com as ações, as atividades da instituição e com a coordenação do Mopaids. Em relação ao Vida Nova, as atividades continuam presenciais, seguindo os protocolos, todos os cuidados das autoridades em saúde, mas a gente fez uma redução de horário em relação a cada atividade, diminuímos a participação de pessoas por atividade. A gente continua a todo vapor. Em relação às minhas questões na coordenação do Vida Nova, dos projetos, isso não teve alteração não. Quanto ao Mopaids, a gente já começou com várias reuniões de articulação com outras pastas de governo, Coordenadoria Regional de Saúde, Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres. Hoje tivemos reunião ordinária do Mopaids. A expectativa agora é por conta da vacina. Estou ansioso para que chegue logo a minha vez para tomar essa vacina. Quanto à demanda da instituição, a gente está querendo saber também se os serviços de aids,  SAEs, CTAs, vão ser polos de vacinação das pessoas vivendo com HIV. Esse está sendo o nosso foco e estamos avançando gradativamente. E continuamos sensibilizando para que as pessoas, mesmo com a vacina, façam uso de máscara, cuidados de higiene. Estamos pensando em novos projetos para a instituição, novas atividades estarão acontecendo com a população trans e travestis, dois novos projetos. Então, a rotina de trabalho da gente não tem faltado e a gente continua firme.”

Agência AIDS