Vereadores falam de homofobia e causam polêmica em Maceió: ‘doença’

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19 de outubro de 2017
por Genilson Coutinho

Câmara de Maceió vem sendo palco de debates sobre homossexualidade. Ao contrário do propósito da tribuna, no entanto, as discussões não são laicas e baseiam-se em afirmações como “homossexualismo é uma enfermidade, uma patologia”, como garantiu o vereador Ronaldo Luz (PMDB, foto), na plenária do último dia 11. A declaração deu início ao debate que tomou a casa na tarde desta terça-feira (17).

“O homossexualismo eu considero, como médico, uma enfermidade, uma patologia. Eu tenho o direito de considerar, sim. E ele tem suas formas leve, moderada e grave, assim como a hipertensão”, disparou. Ao afirmar que tem diversos amigos homossexuais, Luz ainda ressaltou que, apesar de serem pessoas adoráveis, não são normais. “Transmitir à sociedade que a atitude homossexual é normal, não é. É uma infelicidade. Não é uma coisa normal, é uma enfermidade”.

A maior preocupação do vereador é que a pessoa que tem uma vida homossexual possa “estar estimulando a formação de novos homofóbicos. A preocupação é essa: evitar a formação, o aparecimento de novos homofóbicos, que eu condeno”. Colegas como Samyr Malta (PSDC) e Francisco Sales (PPL) apoiaram a fala de Luz.

“Não gosto de julgar, mas o que está errado é a sociedade incentivando. Meu avô dizia, ‘diga-me com quem andas e eu te direi quem és’. Se você não é, mas convive com pessoas que são, pode ser levado a fazer”, comentou Malta. No grupo dos que discodaram, os vereadores Fátima Santiago (PP), Lobão (PR) e Tereza Nelma (PSDB). “A homossexualidade sempre existiu. Não é patologia nem deformidade, é secular. Não concordo que haja cura. É balela”, opinou Tereza Nelma ao G1.

REPERCUSSÃO

Uma manifestação foi realizada na tarde desta terça-feira (17) para protestar contra as declarações de Luz, Malta e Sales. Uma nota de repúdio, com os nomes dos três vereadores, foi enviada à Câmara por grupos de defesa LGBTQ.

Luz enviou nota à imprensa na qual afirma ter sido mal interpretado. Os colegar Samir Malta e Francisco Sales defenderam-se na tribuna . “Eu não fui infeliz no que disse, porque não falei nada sobre esse assunto aqui. Eu disse que tem homossexual que é mais homem que muitos homens. Isso é homofobia? Para criticar a classe de vocês? Eu mereço uma nota de repúdio por isso? “, questionou Malta. “Se eu disser que quero um filho gay, eu minto, mas pode acontecer. Quero deixar claro que não sou homofóbico”, completou o vereador.

Sales, por sua vez, ressaltou que tem direito a ter um posicionamento, “meu respeito. Preconceito a gente resolve tratando como iguais. Essa é a melhor forma para combater o preconceito”. Os vereadores acusaram Tereza Nelma de inflamar opiniões e ela respondeu: “O senhor vir falar aqui sem antes falar comigo e me acusar, é porque sou mulher. Olhe como vocês conversaram entre si. Agora vir para cima de mim, me expor. Não fui eu. Não participei de nenhuma nota de repúdio, não participei de nada disso. O senhor [se dirigindo a Malta] para falar meu nome deve ter provas, mas não tem”.