“Uma Mulher Impossível” estreia no Museu de Arte da Bahia em janeiro

No Circuito, Teatro
29 de janeiro de 2017
por Genilson Coutinho

O espetáculo traz para cena a atriz Mariana Moreno (foto: Helder Novaes

A ATeliê voadOR Companhia de Teatro estreia em 27 de janeiro de 2017, às 19h, no Laboratório de Experimentação Estética, anexo do Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, o espetáculo “Uma Mulher Impossível”, mais novo Solo Voador que traz para cena a atriz Mariana Moreno. O espetáculo fica em cartaz até o dia 12 de fevereiro.

O solo, com título inspirado na obra da escritora feminista brasileira Rose Marie Muraro, tem dramaturgia de Djalma Thürler e é mais um investimento do dramaturgo no diálogo entre o teatro e as subalternidades.

Thürler explica que o texto discute como é necessário tratar a raiz cultural do machismo, problema de toda a sociedade. “Ainda hoje existe um problema de gênero e temos que resolvê-lo através de uma prática de liberdade. Tomamos atitudes que estimulam o patriarcado, a repressão das práticas de liberdade feminina e da livre defesa das ideias das mulheres”, comenta Thürler.

Uma Mulher Impossível é impossível, abstrata, irreal e não há uma personificação com características palpáveis. “É uma alegoria fantasmagórica. Ou seja, a mulher impossível não corresponde ao real porque, na verdade, ao mesmo tempo em que são percebidas, não deveriam estar presentes”, descreve o dramaturgo.

Enredo

Uma mulher com desejos sexuais e sociais reprimidos. Essa é a personagem de Uma Mulher Impossível, enclausurada em aparelhos de poder. Insatisfeita, esta mulher se vê desejada através de cartas que recebe e a faz contestar toda redoma em que vive. Quem manda estas cartas? “Surpresa. O público terá que ir assistir para descobrir”, responde Mariana Moreno.

O solo é um manifesto estético, poético, ácido e provocante para um novo feminismo. Costura fatos e histórias das escritoras Chimamanda Ngozi Adichie, Rose Marie Muraro, Virginie Despentes e da própria atriz, Mariana Moreno. Uma Mulher Impossível é um convite a se pensar, em nome de todas as mulheres, sobre o machismo, a violência e a pornografia feminina.

Companhia

O espetáculo dialoga com as últimas produções da Companhia ao falar da cultura como modos de saber e de poder. “A gente quer dar uma luz para que possamos entender melhor sobre o assunto, a partir da voz de alguém que sofre tal opressão”, pontua o dramaturgo.

Atualmente, a ATeliê voadOR desenvolve o projeto Aqueles que Habitam o Tempo, financiado pelo Edital de Apoio a Grupos e Coletivos Culturais da Fundação Cultural do Estado da Bahia de 2014. Os solos fazem parte das comemorações de 15 anos da Companhia.