Uma crônica sobre bissexualidade e cultura sexual

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28 de novembro de 2011
por Genilson Coutinho

Hoje acordei inclinado a escrever sobre homens, mulheres, gays e a bissexualidade. Isso porque vira e mexe alguma pessoa da minha intimidade me perguntando se esse ou aquele homem é gay. Seguindo ao exemplo de São Domingos Sávio, “Antes morrer, que pecar”, revelar a postura íntima de alguém de forma inconseqüente, jamais. É muito curiosa essa preocupação de muitas mulheres em relação às pessoas que os homens vão para a cama.

Para encurtar conversa eu acabo dizendo que todo homem considerado belo, educado, falante, resolvido, independente, bem vestido e por fim bem dotado, geralmente é bissexual. Por quê?  Simples, mulheres e outros homens vão pra cima deles com todo gás e ninguém é o Rochedo de Gibraltar água mole empedra dura tanto bate até que fura.

Queria entender se existe uma preocupação formal e concreta nessa pergunta ou se é parte do fetiche inconsciente das mulheres em relação aos homens e suas práticas eróticas. Uma amiga me falou que tem desejo em ver dois homens numa tórrida cena de sexo, não que não tenha visto, pois já teve acesso através de filmes pornô. Partindo desse particular, talvez essa vontade de saber se aquele homem é gay seja uma resposta fantasiosa de parte das mulheres em relação a eles que vivem a égide de um comportamento social e sexual muito mais normativo e vigiado.

Essa norma é diferente de um universo para o outro. Em relação a bissexualidade feminina o cotidiano nos mostram imagens interessantes entre mulheres. As mulheres têm mais chances de serem bissexuais que os homens. Não me refiro a troca de afetividade em público, tipo andar abraçadas, beijar, se tocar. Me refiro ao desejo erótico que ninguém sabe mesmo onde colocar esse negócio. Alguns aspectos me fazem acreditar nessas chances. São elas maioria em população, morrem menos que os homens e uma pesquisa que fizemos sobre o imaginário sexual de estudantes das três principais Universidades da Bahia, Uneb, UFBA e Ucsal em 2005 mostrou que elas são muito mais “danadas” que os homens em relação a relação sexual com o mesmo sexo. 

Uma mulher que se considerava heterossexual me disse uma vez que ela curtia ir para a cama tanto com homens quanto com mulheres. Isso variava acordo com o seu humor e desejo sexual naqueles momentos. “Quando quero uma pegada forte, prefiro os homens” disse-me. “Já quando quero algo mais delicado, prefiro as mulheres”, concluiu ainda ressaltando que tende mais a ficar com homem como parceiro sexual que com mulher. Hoje tem relação fixa com o homem qual espera um bebê.

A bissexualidade é um processo de descoberta desse maravilhoso mundo encantado do sexo e faz parte das possibilidades da vida sexual. No geral as pessoas não conseguem ser bissexuais por toda a vida, porque isso requer talvez administrar as alteridades da vida prática incluindo o avanço do tempo sobre a vida.  Também porque sexo é construção social e cultural e por ser assim ao fim de tudo as pessoas tendem a fixar em algo mais concreto mesmo diante do desejo. É processo e faz parte de um sábio ensinamento de Jesus Cristo no Evangelho que diz o seguinte “examinar tudo e escolher o melhor para si” e assim viver uma vida sexual plena e cheia de desejo e histórias para contar.

Ah! Mais e os homens! Onde eles entram nesse parangolé? Falo deles o tempo todo, mais um beijo para quem conseguir “penetrar” nos mistérios e vontades do coração masculino. Ah! Não vamos complicar o que é simples por natureza. Concordo com muitos que dizem que eles têm mesmo é de trabalhar certo, que mandou nascer homem? Uma amiga m disse em relação a eles; trabalhando certo e ainda dispensando um pouco de atenção como ficar, casar e cuidar e por vez dizer que você teve uma peformance memorável na cama a preocupação de que eles possam se interessar em ter momentos de prazer com outros é besteira. Concordo com ela no sentido de que ninguém é homossexual se não se considera como tal. As pessoas são o que elas se consideram serem, não o que os outros imaginam que elas sejam. Um homem ir para a cama com outro homem não o torna gay, prova que ele teve ou tem uma relação de homosociabilidade que inclui sexo no meio. Isso vale para ambos os sexos, ou melhor, para os gêneros.

Já que falei em beijo. Existe cena mais reveladora dessa “coisa de homem”  protagonizada por Keanu Reeves e Monica Bellucci, lindíssima usando um vestido de látex peça única no filme Matrix Revolutions na troca da informação de onde estaria escondido o chaveiro. Ela diz, eu sei onde está o chaveiro, mas isso tem um preço. Trinity (Carrie-Anne Moss) que é louca por New (Reeves) diz, qual é o preço, a troca? Persephone (Bullucci) diz, um beijo! Diante disso ela se aproxima de New e Trinity diz “Beije ele que te mato” com a pistola apontada ela mataria mesmo se não fosse a intervenção de Morpheus que diz,“ Trinity!!”. Persephone beija New e diante de Trinity ele fica estático sem reação. Ela percebe isso e cancela a troca. New beija pela segunda vez agora com energia que faz o corpo tremer e aumentar o volume dentro da calça e Persephone sente isso e se gruda ao corpo de New.

Ao fim do beijo ela limpa o batom e vira-se para a direção de Trinity ao tempo que é aliviada pela vingança ao seu marido (o Francês) que a deixou sentada e foi transar com uma mulher no banheiro do restaurante e com Trinity porque ela ama verdadeiramente New. “Foi bom, mais não dura muito tempo”. Essa expressão é reveladora de dois pontos de vista em relação às práticas sexuais dos homens. Eles podem ficar excitados, se divertem e tem ereção por qualquer coisa que possa tocar seu corpo nessas circunstâncias o pênis fica rígido, mas acaba, volta para o estado de repouso e o outro indica também que todo homem tem seu preço já que o beijo foi no contexto da troca da localização do chaveiro. Sexo ainda tem sido um grande tabu para a humanidade.

Por Marcelo Cerqueira

Presidente GGB