Um lugar silencioso por Mário Edson

Cinema, No Circuito
8 de abril de 2018
por Genilson Coutinho

Mário Edson

Em meio a tanta tecnologia e edições de som pra lá de barulhentas e potentes, eis que nos surge essa ode ao silencio chamada UM LUGAR SILENCIOSO, longa de John Krasinski que além de dirigir assina roteiro e atua…  A síntese da história é simples, mas nem por isso menor. Um dos achados da atualidade o roteiro é um primor: Em um lugar qualquer,  sobreviventes resistem a ataques de criaturas que atraídas pelo barulho as dizimam sem piedade… centrada numa família( pai, mãe e três filhos) a narrativa nos faz mergulhar no universo criado por um pai cuidadoso e uma mãe zelosa e exemplar e seus dias frente a este desafio que é sobreviver no silencio… Suspense dos melhores, poucas vezes o som foi tão protagonista como nesta história, onde,  o silencio poderia reinar absoluto. Com fotografia primorosa e atuações irretocáveis, incluo ai as crianças, a direção de krasinski dá um show, assim como Emily Blunt, na vida real casada com o diretor, fator que de certa forma deve ter alimentado e tornado ainda maios crível o núcleo familiar mostrado aqui… Nos dois terços do filme vemos o dia a dia da família  e sua rotina silenciosa e amedrontada em meio a soluções adotadas pelo genitor para conviver com as criaturas mergulhadas num silencio perturbador.. Por uma boa parte sofremos com eles das supostas aparições e situações limites, mas sem em momento algum visualiza-las, maior mérito do filme que ate este momento centra-se nos pequenos detalhes de cada cena,  e no olhar de pavor de seus protagonistas numa sucessão de situações onde tudo é insinuado e nunca explicitamente revelado, um jogo criativo e emocionante… Difícil passar ileso pelos cortes abruptos e os momentos de tensão e pavor vividos pela família em meio a rigidez de uma postura para manter distantes os monstros. Até aqui temos uma verdadeira aula de criação e inovação a um suspense perturbador, no entanto, na meia hora final, percebe-se uma tentativa de maior aproximação com a obviedade do suspense fácil e apelativo, neste momento o filme se apequena e se rende aos velhos e manjados efeitos, com a aparição quase que em tempo integral das criaturas, o que torna inevitável uma ou outra comparação com um punhado de filmes do gênero, o que não tira seu mérito, no entanto não deixa de comprometê-lo… Fica a sensação de que, tal alteração se deu em nome de uma busca por atrair uma parcelo de público que ainda embarca num suspense óbvio, de imagens previsíveis e batidas…  Uma pena, sua conclusão poderia fazê-lo entrar no seleto grupo de grandes e inspiradores filmes de suspense(Quem não lembra do espetacular OS OUTROS?). Preste atenção na atuação fenomenal do garotinho Noah Jupe, que foi extraordinário( com perdão do trocadilho) no EXTRAORDINARIO e Millicent Simmonds, uma atriz surda que o diretor não abriu mão de ter no elenco… Realmente um achado. As atuações são corretas e irretocáveis em momentos de maior tensão, Emily Blunt  está bem e compõe uma mãe leõa exemplar, depois de A GAROTA NO TREM, que não foi de todo um consenso…  Já  Krasinski compõe um paizão cuidadoso e dedicado que em meio a cumplicidade com a cara metade de verdade faz mais crível este núcleo familiar. Um dos grandes lançamentos de suspense do ano, dificilmente há de encontrar tamanha originalidade e criatividade em películas que possam aparecer.

Ficha Técnica:

Direção: John Krasinski

Elenco: John KrasinskiEmily BluntMillicent Simmonds, Noah Jupe

Gêneros SuspenseTerror

Nacionalidade EUA

Mário Edson é fotógrafo, produtor cultural e coordenador do grupo Amantes da Sétima Arte. Publica pequenos textos e ensaios sobre cinema, arte e cultura em meio a ensaios fotográficos no blog: ateliecultural.blogspot.com.