Tristeza e pedido de justiça marcaram ato no Campo Grande

Sem categoria
19 de abril de 2013
por Genilson Coutinho


Minutos antes do horário programado para iniciar a manifestação, as irmãs da vítima, Carla Ferreira e Nice Ferreira conversavam com uma vizinha, enquanto cortavam os panos brancos, vermelhos e pretos que seriam usados para darem laços nas arvores ao redor da fonte, local onde o corpo do estudante Itamar foi encontrado na manhã do último sábado(13).
Ainda bastante triste e indignada com as reportagens e declarações da delegada do caso, elas demonstravam sua angústia pela violência e pela repercussão do caso nos meios de comunicação. “Ela foi para TV dizer que ele estava namorando no banco com um dos bandidos. Ela viu?” indagava Nice Ferreira.
“Na nossa família, nós sempre sabemos que nosso irmão era gay e que jamais ele iria se deitar com uns tipos como esses que o mataram. Queremos justiça, pois nosso irmão sempre foi uma pessoa maravilhosa e honesta”, pedia Nice entre um laço de pano e a emoção nos olhos.
Questionada sobre o motivo da escolha das cores, Carla contou que foi uma sugestão do GGB, pois as fitas brancas representam paz, a preta o luto e a vermelha o sangue que foi derramado.

Esse era o clima que tomou conta da Praça do Campo Grande na tarde da última quarta-feira (18), entre amigos, familiares, políticos, artistas, jornalistas e curiosos que acompanharam a dor da família que foi ao local do crime pedir justiça e protestar contra a violência em Salvador.
Com cartazes, flores e muito silêncio, horas quebrado pelo choro de amigo ou por pedidos de justiça e palavras de ordem alternadas entre amigos e militantes, todos tinham a mesma sensação de tristeza e da dor.
Bastante emocionado, o fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, manifestou sua dor através de um discurso emocionado e registrado no vídeo abaixo, onde manifesta sua indignação e tristeza, além de mostra seu descontentamento com uma festa que iria acontecer no sábado na universidade, menos de uma semana do assassinato de Itamar. “Liguei para reitora, mesmo que fosse feito um minutos de silêncio não tem cabimento esse tipo de festa diante desta triste realidade . Ainda me chamaram de ultrapassado”, desabafou Mott.
Veja os vídeos
http://www.youtube.com/watch?v=2vmnIIOy6SI
http://www.youtube.com/watch?v=W1j15APs_O8

Segundo Marcelo, mesmo que a homofobia não tenha sido o foco principal da ação, o fato de Itamar ser homossexual foi um dos fatores que motivou o crime. Na avaliação de Marcelo Cerqueira, todos os crimes que acontecem contra homossexuais são, de fato, homofóbicos.
Para Vida Bruno, militante e membro do Fórum Social Mundial da Bahia, sem dúvidas o crime tem ligação com à homofobia. Ainda segundo Vida, os moradores de rua que presenciaram a ação disseram que quando Itamar estava sendo espancado, os suspeitos, sobretudo, a mulher, gritavam: “morre viado”.

Além dos protestos, velas brancas e orações foram feitas ao mesmo tempo em que flores foram atiradas na lagoa . No próximo sábado(20) acontecerá, no mesmo local às 15h, mais um ato organizado por alunos da universidade.
Veja o depoimento do pai de Itamar
http://www.youtube.com/watch?v=b9UGeG-8njk