Transexual é impedida de desfilar em Fanfarra em Santo Amaro

Comportamento, Social
28 de setembro de 2017
por Genilson Coutinho

O último domingo, (24), em Santo Amaro , foi de tristeza e constrangimento para a mulher transexual Melyna Santos, ao ser impedida de desfilar na fanfarra Famaster da cidade de Ruy Barbosa interior da Bahia , pela AFAB – Associação de Bandas e Fanfarras, que exigia que Melyna desfilasse com trajes masculinos, ou, caso contrário, ela não iria desfilar, pois, segundo eles, ela precisaria cumprir o regimento da Associação.

Triste e constrangida, a jovem denunciou o caso ao Grupo Gay da Bahia e à Milena Passos, da Atras – Associação de Travestis de Salvador, que estão cuidando do caso.

Melyna falou ao Dois Terços que essa foi uma das piores situações da sua vida, diante de um projeto que ela ama e que jamais imaginaria que, em pleno 2017, sofreria essa transfobia e violência, e que a tristeza ainda predomina viva na memória.

Ainda abalada com a situação, Milena desabafou:

“Foi horrível, me senti agredida e machucada, no momento em que estava ali, ansiosa, feliz, me sentindo realizada, afinal seria mais uma conquista, mais um espaço, até porque meu coreógrafo, Emerson Santos, e a presidente da fanfarra Dora Magalhaes Dias, antes já tinham enviado ofício com as descrições e fotos minhas, etc, e estava aparentemente tudo ok. E quando estava ali pronta, faltava uma fanfarra pra nossa entrar, eu radiante, parecia um sonho, as pessoas me elogiavam, vários amigos pessoais que me admiravam foram à cidade, principalmente  me prestigiar por mais essa vitória, com palavras de carinho, e quando de repente chega a hora da presidente da fanfarra   pegar a documentação, ela, coitada, não teve nem reação para me dar a notícia, quando ela vem até a mim, sem graça, e disse que não tinha sido aprovada nem liberada, e que eu não poderia entrar na pista  de apresentação, A NÃO SER VESTIDA DE HOMEM, JÁ QUE TERIA QUE PROVAR PARA ELES QUE EU ERA UMA TRANS, daí senti um misto de sensações, as pessoas me olhando sem entender, veio lágrimas nos olhos, sensação de tanta coisa ruim, só quis sair dali e desabei por dentro, e até hoje me sinto assim por isso, e isso não pode ficar assim, não pode acontecer comigo nem com nenhuma outra garota como eu, por isso procurei Milena pra pedir ajuda. Essa transfobia, essa falta de respeito, a vergonha que passei e espero que a Atras se pronuncie, espero é que isso não aconteça com outras meninas, quero providências a sociedade não pode continuar nos machucando, nos torturando dessa forma”, contou Melyna.