“Sou Sfat, não faço cover de cantora nenhuma”, declara drag baiana

Sala VIP
16 de maio de 2017
por Genilson Coutinho

A cena transformista de Salvador é um palco de grandes estrelas que encantam por desfilar seus perfumes e também algumas faíscas que levam o publico ao delírio por toda habilidade e criatividade. Nesse grupo está Sfat, uma das drags mais famosas e queridas da capital baiana, que é sempre motivo de festa em suas aparições. E você fica se perguntando: quem está por trás desta incrível personagem?

Bastidores do espetáculo Sou Transformista

É o que revelamos agora em mais uma etapa da nossa série de entrevistas com estrela do transformismo. A estrela de hoje é o maquiador Galdino Neto, conhecido como Dino Neto, que com seus quase dois metros de altura e pernas enormes, dá vida e graça à famosa Sfat Auermann. Acompanhe agora essa conversa pra lá de especial, em que Dino nos conta um pouco sobre sua carreira, mercado de trabalho e grandes nomes.

DT: Como surgiu Sfat Auermann?
SA: A necessidade de ver nos palcos um diferencial. Achava muito lugar comum tantos bons transformistas sempre se inclinarem pro lado Lady Glam nas performances. Nada contra! Mas achava que performances inspiradas nos estilos de Nina Hagen, Graces Jones, Marily Mason, Dead Or Live também deveriam estar nos palcos das boites.
DT: Você fez parte do grupo Os Monges. Fale um pouco desse projeto.

Divando na passarela (Foto: Andréa Magnoni

SA: É formado por mim, Sulivan Reis e Johnny Star. Formamos um grupo de performances inspirado no álbum ENIGMA, aquele vinil – isso mesmo, vinil – da década de 90, que era um mix de musica dance e cantos gregorianos. Fazíamos shows vestidos de padres, frades e até de papa e papisa. Foi um boom na noite baiana. Outra coisa que marcou era que fazíamos números com músicas cheias de efeitos e dublávamos esses efeitos. Isso era um diferencial na época.

No palco no espetáculo Sou Transformista (Foto: Genilson Coutinho)

DT: Você sempre foi uma das favoritas das casas noturnas e grandes festas. Como é ver o cenário de hoje?
AS: Os produtores das festas de oito anos atrás não são os mesmos de hoje. Primeiro, as festas tinham um tema e a gente tinha trabalhar a performance em cima desse tema. Lembro-me como se fosse hoje, o grande produtor Neres, que fazia as festas no prédio da JUCEB, no Comercio, alugar uma rede de 20 metros no Corpo de Bombeiros só pra fazer uma performance de Drag Mulher Aranha. Hoje, de cada 10 festas, 8 tem que ter performance Beyoncè. Tenho paciência não. E nos dias de hoje não tem o mesmo investimento como antigamente.

DT: Sfat continua amada pelos fãs, mas não faz muitos shows. É uma escolha sua?
AS: Não, não é uma escolha minha. Mas se me prontifico a fazer uma performance, daí o dono ou produtor da festa me liga querendo me contratar, eu peço uma determinada estrutura de palco pro show e ele diz que tem que ser da minha responsabilidade. Acabou a conversa aí! Faço minhas as palavras da Rainha Loulou: “Quer concurso, faça o seu”. E ainda tem a questão do cachê: R$200,00 em uma festa de M.E. Sem chance. Prefiro me montar para os amigos ou eventos fechados, eu heim!!! Sfat quer cuspir fogo, quer tocar fogo, que usar extintor de incêndio, quer usar marreta, quer distribuir chicotes pra plateia interagir, quer apagar vela na língua, quer se caracterizar de Marylin Mason, lugar comum NUNCA!!! E outra, alguns produtores de festas me ligam preguntando se eu faço a tal cantora…respondo: Sou SFAT, não faço cover de cantora nenhuma! A conversa também acaba aí!!!

genilsoncoutinho_soutrans 1903
DT: Como você avalia a cena transformista de hoje?
AS: Temos bons nomes. Valerie Ohara, Aimée Lumière, Petra Perón, Amanda, Rainha Loulou, Isabela Sodré, Miss Boana, Suzy de Costa, Fera Sunshine, Mel Blera, Eyshyla, Scarlet Sangalo, Scher Marie, Desirée Beck. Só acho que algumas tem que se desligar de performance em cima de cantoras e criarem uma imagem própria…isso é importantíssimo pra marcar a imagem e a carreira de um artista transformista!