‘Sobrevivi para contar a minha história’, diz gay espancado na rua

Comportamento, Social
4 de setembro de 2014
por Genilson Coutinho

dawan_1

“A imagem deles tentando me sufocar não sai da minha cabeça”, conta Dawan Bueno dos Santos, de 19 anos. O jovem diz ter sido espancado por dois homens em Telêmaco Borba, na região dos Campos Gerais do Paraná, durante a madrugada de domingo (31). Ele retornava para casa, por volta das 2h, quando foi abordado pela dupla. “Eu disse que eles podiam levar qualquer coisa, mas pedi para não me machucarem. Os dois me mandaram calar a boca e o tempo todo me chamavam de ‘viadinho’ “, lembra. Apesar do espancamento, Dawan diz que está bem. “Eu sobrevivi para contar a minha história. Conheci gente que não teve a mesma sorte”, afirma.
Dawan afirma que foi sufocado e só depois de perder a consciência apanhou dos criminosos. “Quando eu acordei, já era de manhã, lá pelas 7h. Aí percebi que estava todo ensanguentado e dolorido. Provavelmente, eles me bateram muito enquanto eu estava desacordado. Foi aí que, meio tonto e sem voz, fui atrás de ajuda”, lembra.
O jovem foi levado para o hospital e ficou internado até o fim da tarde de segunda-feira (1º). “Levei vários pontos na cabeça. Um dos meus olhos está roxo, minha garganta dói e meu nariz está inchado”, relata. Agora, ele se recupera em casa.
A Polícia Civil de Telêmaco Borba investiga o caso, mas Dawan garante que foi vítima de homofobia. “Todos os dias, eu acordo já sabendo que vou ter que enfrentar algum tipo de preconceito. Já faz parte da minha rotina. Para mim, é tão certo quanto acordar, lavar o rosto e escovar os dentes”, explica.
A tia de Dawan, Sílvia dos Santos, conta que morou durante anos com o sobrinho. “Ele é um bom menino. É difícil demais lidar com o preconceito que a nossa sociedade tem”, desabafa. Sílvia lembra que ela e a família ficaram horrorizadas ao ver o jovem inteiro machucado. “Nós amamos Dawan. Está sendo horrível ter que ver ele passar por uma situação assim”, afirma. Entretanto, para a tia, a pior parte não são as agressões físicas. “Os machucados, uma hora, saram, não é? Mas e o trauma? É uma coisa que ele não vai esquecer tão cedo, tenho certeza”, diz.

DI G1