Sem Terra realizaram seminário “O MST e a Diversidade Sexual” em São Paulo

Comportamento, Social
12 de agosto de 2015
por Genilson Coutinho

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Não é preciso ser lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual, ou heterossexual para acreditar que o amor é livre e plural, que amar é um direito fundamental e que ninguém deve sofrer por querer bem.

O encontro  aconteceu de 7 a 9 de agosto, o seminário “O MST e a Diversidade Sexual”, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, São Paulo.

O primeiro encontro LGBT do MST contou com a participação de mais de 40 pessoas de vários estados do país, que acreditam que a incorporação de lutas identitárias e o reconhecimento também faz parte do amadurecimento do Movimento.

Trazer o debate LGBT para dentro do Movimento é quebrar o imaginário social de concepção da família tradicional que recai como o modelo legítimo e, assim, criar a  possibilidade de vislumbrar um movimento social em que a sexualidade é fluida.

Presente no seminário, a especialista em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ensaísta e jornalista, Maria Rita Khel, apontou que a cada novo censo demográfico realizado no Brasil se renova a evidência de que a família não é mais a mesma.

“Mas a mesma em relação a quê?”, questiona. “Onde se situa o marco zero em relação ao qual medimos o grau de ‘dissolução’ da família contemporânea? A frase: ‘a família não é mais a mesma’, já indica a crença de que em algum momento a família brasileira teria correspondido a um padrão fora da história. Indica que avaliamos nossa vida familiar em comparação a um modelo de família idealizado, modelo que correspondeu às necessidades da sociedade burguesa emergente em meados do século 19. De fato, estudos demográficos recentes indicam tendências de afastamento em relação a este padrão, que as classes médias brasileiras adotaram como ideal e que não contempla de maneira geral aqueles que a compõem”, sintetiza.

O seminário “O MST e a Diversidade Sexual”, trouxe à tona uma experiência de acolhimento da alteridade, de dialogar com a multiplicidade que compõe a vida social.

Para Kelli Mafort, da coordenação nacional do MST, o seminário representa um marco histórico nos 30 anos de organização do Movimento Sem Terra.

“Esse encontro visibiliza o LGBT, sujeito da luta no campo. Esse é um passo fundamental no sentido de reconhecer que na nossa base social, na nossa militância e na direção política do Movimento eles estão presentes. E mais do que isso, demonstra uma postura concreta de luta contra a face conservadora que fortalece o racismo, a homofobia, o machismo e todo o tipo de preconceito. Por isso, esse  é um marco histórico dentro do MST, é uma marcha que avança e que não pode retroceder”, enfatiza.

A incorporação das discussões de gênero amplia o espectro de luta e abre caminho para que demandas sociais ganhem campo e expressão.

Para os participantes a questão da diversidade sexual e a auto-organização dos sujeitos LGBT’s Sem Terra só tem sentido na medida em que se encontra vinculada ao projeto de Reforma Agrária Popular e às lutas mais gerais por transformações sociais e pelo socialismo.