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O Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade Diadorim convida homens estudantes da UNEB para responderem um questionário online acerca de seus hábitos sexuais. Estas questões correspondem à pesquisa “Sexualidade e Prostituição” de Silvia Pérez da Universidade de Vigo, Espanha.
A pesquisadora está realizando uma estadia de investigação no NUGSEX Diadorim da Proex-UNEB, sob a supervisão da Profª Drª Suely Messeder, coordenadora do Nugsex. O trabalho vem complementar as pesquisas já realizadas na Galícia (Espanha) e, com esta pesquisa, pretende-se comparar as masculinidades brasileira e galega.
Para responder a esta pesquisa, acesse o link:
https://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dEVJMWQxQjFLQTN2UXktMzBh dmZTQ3c6MQ
Mais informações: http://nugsexdiadorim.wordpress.com/prostituicao-e-sexualidade/
Gel vaginal anti-HIV levanta questões e alegrias

A melhor novidade para a prevenção contra a Aids foi divulgada na semana passada, numa conferência mundial sobre a doença em Viena: um gel vaginal, chamado de microbicida, que pode ser usado sem o conhecimento do homem, deu às mulheres chance de 39% de evitar a infecção com o vírus mortal.
Obviamente, os 39% não são exatos, embora as mulheres que usaram o gel no teste sul-africano tenham obtido resultados melhores, chegando a 54% de proteção.
Depois de uma dúzia de fracassos com microbicidas, esse foi um grande alívio, e gerou aclamações e aplausos de pé pelos pesquisadores locais.
"Esse é um campo que conheceu muita dor", disse Catherine Hankins, a principal conselheira científica da Unaids, a agência de combate à Aids das Nações Unidas.
Houve um alívio geral porque os dados não eram tão instáveis quanto os de um teste de vacinas contra a Aids, divulgado em setembro.
"Há um sentimento de tranquilidade e prazer para mim, como cientista, de que os dados são estatisticamente significativos de qualquer forma que você os divida", afirmou Anthony S. Fauci, respeitado especialista em Aids do governo dos EUA, que bancou a maior parte dos custos do teste.
Houve um bônus inesperado: o gel protegeu as mulheres ainda mais contra a herpes genital (os pesquisadores não souberam especificar o motivo, mas o gel contém tenofovir, um medicamento antiviral, e tanto a Aids quanto a herpes são virais).
Agora, especialistas estão ponderando sobre as muitas perguntas levantadas pela novidade.
Quantos testes mais serão necessários para ganhara aprovação dos reguladores de medicamentos?
Será que mais de 1% de tenofovir no gel, ou uma mistura de dois remédios, funcionaria melhor?
Ele pode ser produzido de maneira barata o suficiente para os países pobres? O gel custa 2 centavos de dólar por dose, mas os aplicadores saem por 40 centavos pois são patenteados e foram frequentemente redesenhados para maior conforto.
As mulheres fizeram sexo numa média de cinco vezes por mês, e foram instruídas a inserir o gel antes e depois das relações. Apenas uma dose, o que seria mais fácil e barato, funcionaria igualmente bem?
Ele pode funcionar para prostitutas, que fazem sexo com muitos homens sucessivamente? Ele é seguro o bastante para o uso diário?
Ele pode ser usado por mulheres grávidas? Algumas mulheres engravidaram e deram à luz, mas pararam rapidamente de usar o gel para reduzir quaisquer riscos.
As mulheres que se infectaram mesmo usando o gel desenvolveriam infecções de difícil cura ou resistentes a remédios?
E, embora ele tenha sido testado em mulheres africanas pobres, ele teria apelo às mulheres ocidentais, algumas das quais podem se preocupar com herpes e Aids?
Ele também poderia funcionar para o sexo anal, e proteger homens homossexuais?
Os pesquisadores e outros especialistas afirmaram ter apenas dicas parciais para as respostas, mas que a maioria delas era animadora.
E, dado que essa é uma pesquisa de Aids, algo que inevitavelmente cria controvérsias, algumas perguntas difíceis foram levantadas.
Se já se sabia após o primeiro ano que o gel estava funcionando, por que o teste não foi interrompido?
E o que acontecerá com as 889 mulheres africanas que, nas palavras de Mark Harrington, um ativista da Aids, "arriscaram seus corpos para esse estudo"? Elas conseguirão continuar recebendo o produto que pode ter salvo suas vidas?
Algumas perguntas foram fáceis, segundo Salim Abdool Karim, um dos líderes do estudo e professor de epidemiologia nas Universidades de KwaZulu-Natal, na África do Sul, e Columbia.
O preço de uma dose pode cair para menos de um preservativo, pois os aplicadores são apenas plástico moldado e, sem restrições de patente, "os chineses poderiam produzi-lo por meio centavo", afirmou ele.
Outras, como quais drogas e combinações de doses seriam melhores e mais seguras, devem ser estudadas em experimentos futuros. Um complexo teste multinacional de diversos métodos, incluindo o microbicida, deve terminar em 2013, mas um novo pode ser projetado para começar rapidamente.
No mundo todo, mais de um milhão de mulheres morre de Aids anualmente, então a velocidade é importante.
O gel nunca foi testado em homens, mas protegeu macacos que receberam doses anais da versão símia para o vírus. Usando amostras coletadas, Karim descobriu que o tenofovir de partes vaginais internas das mulheres havia migrado também para o reto, sugerindo que elas também podem ter sido protegidas no sexo anal.
"O tecido entre os dois é bastante fino", explicou ele.
Usar um gel em vez de um comprimido significa que o medicamento entra no trato genital, mas dificilmente atinge o sangue. Isso reduziu as chances de que uma mulher infectada desenvolvesse vírus resistentes ao tenofovir, segundo os especialistas.
Nenhuma mulher os desenvolveu, mas elas foram testadas com tanta frequência que o vírus teve muito pouco tempo para entrar em mutação.
Kevin A. Fenton, diretor da divisão de Aids do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, disse que o aspecto duplo Aids e herpes "poderia tornar o produto mais atraente às mulheres americanas".
Não está claro se os homens gostariam do gel, e os comprimidos de tenofovir estão sendo testados em homens homossexuais não infectados, mas os resultados "são uma verdadeira injeção de ânimo no campo", afirmou ele.
Os testes não foram interrompidos mais cedo, segundo Karim, pois o comitê independente de revisão queria resultados tão decisivos que igualariam os resultados de dois experimentos favoráveis, "e nós não atingimos esse nível de eficácia".
Sheena McCormack, pesquisadora britânica de microbicidas, lembrou dos testes de penicilina há 70 anos. Aqueles pesquisadores deram o remédio a seus pacientes em pior estado, não a uma amostragem aleatória, e mesmo assim tudo correu espantosamente bem. Este, segundo ela, lembrava mais os testes de circuncisão como um preventivo à Aids, que precisou de três para ser convincente.
O que acontecerá às 889 mulheres é incerto. Quarraisha Abdool Karim, esposa de Karim e parceira de pesquisas, disse que era preciso produzir mais gel e ela esperava inscrevê-las rapidamente num novo experimento, para que sigam recebendo o remédio.
Harrington disse que, em sua opinião, elas deveriam ter a escolha de participar de outro experimento ou apenas receber o gel por tempo indefinido, mesmo que ele ainda não tenha sido legalmente aprovado por nenhuma agência reguladora.
Fonte.
A folha de SP
Foto: Reprodução
Expresso Brasil na Copa apóia campanha de combate e prevenção à AIDS na África do Sul
Projeto do Ministério da Cultura abraça iniciativa lançada pela República da África do Sul e Embaixada do Brasil na África do Sul
Não foi dessa vez que o Brasil conquistou o hexacampeonato, mas o país acaba de marcar o seu principal gol nesta Copa do Mundo. O governo brasileiro firmou uma parceria inédita com República da África do Sul para colocar nas ruas um ônibus com 30 mil camisinhas e fôlderes sobre prevenção da Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis na fase final da Copa do Mundo. O veículo circulará pelas cidades de Joanesburgo, Soweto, Alexandra e outras comunidades próximas, situadas na província de Gauteng até o dia 18 de julho. Com o slogan da ação é “Marque um gol – Brasil e África do Sul entram em campo contra a Aids”, a ação foi lançada hoje (02), na Mary Fitzgerald Square, em Newtown, uma hora antes do show da Portela.
O projeto Expresso Brasil na Copa cedeu a estrutura necessária para o lançamento da campanha, que capacitou cerca de 2,5 mil jovens sul-africanos para multiplicarem informações sobre formas de transmissão do HIV e a importância do uso do preservativo. O ônibus percorrerá as cidades sul-africanas diariamente, das 10h às 18h, horário local. A ação é direcionada aos jovens, mas qualquer pessoa pode ter acesso aos preservativos e materiais informativos. Todas as camisinhas destinadas à distribuição foram produzidas no Brasil, na primeira fábrica do mundo a utilizar látex nativo, a Natex, localizada no município de Xapuri (AC).
A atividade conta com apoio das organizações não governamentais Bridges of Hope – que atua na área de aids em mais de 70 países – e da WakeUp – especializada em montar redes sociais de jovens em locais de eventos esportivos ao redor do mundo. Na África do Sul, 18% da população está infectada pelo HIV. No Brasil, esse percentual é de 0,6%.
Sigla perigosa: saiba quais são os riscos e as consequências do HPV

A Aids é, sem dúvida, uma das doenças mais temidas do planeta. Talvez por isso inúmeras campanhas de combate à infecção sejam veiculadas constantemente. No entanto, diversas outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) estão cada vez mais em voga em consultórios médicos.
Embora muitos utilizem o preservativo como via obrigatória no sexo anal, poucos lembram que sexo oral também transmite DST. "Os tecidos que protegem as nossas cavidades orgânicas apresentam a mesma vulnerabilidade à contaminação de microorganismos que causam as mais diversas doenças", explica Dr. Sylvio Quadros, chefe do Departamento de DST da Sociedade Brasileira de Urologia. "Apesar dos inconvenientes práticos do uso do preservativo na língua, isso evitaria o número de transmissões de DST", conclui Sylvio.
No entanto, por mais que a própria definição da sigla DST mostre que essas doenças sejam ligadas ao sexo, há estudos que apresentam outras formas de contágio. "Há uma antiga classificação das DSTs que as subdivide em 3 formas de contaminação: aquelas cuja transmissão se faz exclusivamente pelo ato sexual, como a gonorreia e o cancro mole; aquelas cuja transmissão se dá frequentemente por atividade sexual, como as verrugas genitais; e finalmente as que são adquiridas eventualmente pelo sexo, como a hepatite B", explica Dr. Sylvio.
Pequenas e perigosas
Embora não haja um trabalho mais abrangente à coleta de dados estatísticos no Brasil, Sylvio afirma que "as verrugas genitais são as mais frequentes doenças transmitidas pelo sexo na nossa população masculina". Popularmente conhecida como "crista de galo", o HPV (Papiloma Vírus Humano) manifesta-se com o aparecimento de verrugas no ânus ou no pênis, que podem trazer dor e sangramento e, se não tratadas, podem se multiplicar.
A manifestação no organismo pode ocorrer até oito meses após contato sexual. "A transmissão se dá, na maioria das vezes, por contato sexual, mas não em 100% dos casos. O desenvolvimento da doença depende da capacidade imunológica do organismo infectado, ou seja, da forma como as nossas células de defesa identificam o vírus e, a partir de então, promovem a sua destruição", explica o médico.
Por um período, a doença permanece sem se manifestar mesmo após um exame clínico mais minucioso. Daí, há a necessidade da busca mais apurada através de métodos de exames mais sofisticados e com o uso de substâncias químicas reveladoras de lesões, ou mesmo a biópsia (retirada) de áreas suspeitas para estudo microscópico posterior. "A presença do vírus pode acontecer em qualquer tipo de pele ou mucosa contaminada, seja o genital, o ânus, a boca, ou mesmo áreas próximas ao contágio", explica Dr. Sylvio.
Surpresa silenciosa
Seja por desleixo na hora de usar preservativos, seja pelo pensamento de que "nunca vai acontecer comigo", quando se descobre a presença de uma DST no corpo é sempre um momento de muita angústia.
O publicitário Roberto* passou por momentos muito difíceis quando surgiu uma verruga em seu pênis. "Eu nunca havia ido a um urologista. Quando descobri, após uma série de exames que estava com HPV, meu mundo desabou", se recorda. Roberto não mantinha relações sexuais há 3 meses e também descobriu a demora na manifestação da doença no corpo. Além da preocupação física com a DST, precisou se manter forte perante sua família. "Meus pais me olharam como se eu fosse uma pessoa que sai transando sem camisinha com qualquer um que passa na rua. Foi muito difícil lidar com esse julgamento!", conta.
Após passar por uma cirurgia para cauterizar as verrugas, Roberto é hoje mais cauteloso. "A primeira coisa que penso antes do sexo é 'cadê a camisinha?'. Afinal, uma única noite de sexo sem camisinha pode ser gostosa nas primeiras horas, mas também pode te trazer dezenas de noites de muito arrependimento!".
* O nome foi alterado a pedido do entrevistado
Lista negra
Conheça outras DSTs que também causam muito transtorno ao homem
Gonorreia: Infecção na uretra que se apresenta inicialmente com dor e ardência na hora da micção. Pode desenvolver complicações como inflamação crônica na próstata e infertilidade. Aparece geralmente de 3 a 5 dias após contato sexual.
Uretrite Chlamidiana: Infecção na uretra que desenvolve uma secreção esbranquiçada, inodora e fluída na uretra, porém sem ardência. Pode ocasionar a infertilidade do homem. Aparece geralmente de 7 a 10 dias após contato sexual.
Sífilis: Manifesta-se com feridas de bordas endurecidas e sem dor no órgão genital, associada ao aumento de tamanho de gânglios na região das virilhas. Pode causar sérios problemas de ordem cardiovascular, podendo contribuir, em última instância, para a loucura e até a morte.
Candidíase Peniana: Infecção causada por fungos que desenvolvem inflamações na glande do pênis e na mucosa do prepúcio após a contaminação, caracterizadas por pontilhados avermelhados que coçam bastante. Não é obrigatoriamente transmitida pelo sexo. Geralmente os sinais são vistos de 24 a 48h após o contato.
Hepatite B: Transmitida por contatos diretos com saliva, sangue e fluídos corporais (pequena quantidade) infectados, seja por contato sexual ou por uso de seringas com sangue contaminado. Pode causar complicações como hepatite crônica, cirrose hepática, câncer do fígado, além de formas agudas severas com coma hepático e óbito.
Cancro mole: Transmitida exclusivamente por contato sexual, apresenta-se com pequenas feridas no pênis, com odor característico, dolorosas e sangrando com muita facilidade, e tendem a se multiplicar na medida em que o tempo passa. Aparece cerca de dois a três dias do contato sexual.
* Matéria originalmente publicada na edição nº 31 da revista A Capa.
Lady Gaga grava vídeo para apoiar estudante homossexual dos EUA
Cantora elogia a colegial Constance McMillen, que foi impedida de dançar com a namorada

A cantora Lady Gaga gravou um vídeo para apoiar a estudante Constance McMillen, que É homossexual e foi impedida de dançar com sua namorada em um baile de formatura de seu colégio, no estado americano do Mississipi. Gaga diz que Constance é uma de suas fãs preferidas.
A notícia foi publicada pelo site Perez Hilton nesta segunda-feira (28)."Quando ouvi sua história, fiquei profundamente tocada", disse a cantora. "Quero que você nunca se esqueça de amar a você mesma, ser você mesma, e jamais deixe que te coloquem para baixo, porque você nasceu assim. Amo você", disse.
Fonte:
Ego
Uso de esteróides pode bombar corpo, mas também levar à impotência
Colunista de saúde adverte: hormônios podem afetar sua rotina sexual

Cada vez é mais frequente nos depararmos com homens extremamente musculosos. Antigamente o padrão de beleza era outro. Hoje é vital que para ser bonito o braço seja forte, o abdômen definido. Mas para isso vale qualquer sacrifício? Precisamos mesmo apresentar o físico como os que vemos todos os dias na televisão, nas capas de revista?
Sabemos que beleza é importante até mesmo para termos mais auto-estima, confiança. Para isso muitos passam horas na academia, seguem dietas rigorosas, investem alto em suplementos alimentares. Mas há também aqueles que colocam sua saúde em risco para melhorar sua aparência. O uso de anabolizantes que antes era restrito aos atletas passou a ser comum entre nós. Sempre que atendo um homem forte tenho por hábito questionar quanto ao uso de hormônios por via exógena e não raras são as vezes que minha suspeita se confirmam. Além de diversos efeitos indesejáveis, a diminuição do esperma e consequente infertilidade é comumente encontrada.
Os testículos se atrofiam e ocorre diminuição do interesse sexual. A impotência sexual é um caminho que por vezes não tem volta. O testosterona utilizada por via oral ou intra-muscular, que é mais comum, leva a uma diminuição da produção desse hormônio pelo organismo o que pode trazer sérias disfunções, até mesmo psíquicas como irritabilidade, alterações comportamentais entre outras.
É claro que alguns chegaram muito longe com o consumo dessas drogas, haja vista o governador da Califórnia, mas com certeza a um preço muito alto. Preço esse que pode se manifestar com a perda de uma medalha de ouro, como ocorrido com o corredor Ben Johnson, ou mesmo com um quadro sério de disfunção erétil.
Antes de seguir as orientações dos colegas da academia e fazer uso dessas substâncais é melhor procurar um profissional da área, mas se já fez uso e hoje apresenta tais disfunções é hora de correr atrás do prejuízo e corrigí-las. Mas lembrar de não cometer o mesmo erro novamente. Pois o problema pode voltar!
Fonte: Mixbrasil
Gays e outros HSH são mais escolarizados, têm maior poder aquisitivo e acessam mais o serviço público de saúde que os homens em geral

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira, 17, os dados de uma pesquisa pesquisa realizada com gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH). Foram feitas 3.610 entrevistas feitas em 10 cidades brasileiras. O estudo mostra o comportamento sexual desta população e aponta ainda para dados de discriminação sofrida pela comunidade. O lançamento da pesquisa ocorre durante o VIII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids e o I Congresso Brasileiro das Hepatites Virais, em Brasília.
Entre os gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) entrevistados em 10 cidades brasileiras, o nível de escolaridade é mais alto do que os homens em geral. Dos 3.610 homens que responderam ao levantamento, 52,2% possuem 11 anos ou mais de escolaridade. Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade (PCAP), de 2008, mostra que, entre os homens em geral esse índice é de apenas 25,4%. Entre eles, o maior percentual varia de 4 a 7 anos de estudo (40,1%). Os dados foram divulgados hoje durante o VIII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids e o I Congresso Brasileiro das Hepatites Virais.
Nos últimos 12 meses, 23,5% dos gays e outros HSH fizeram o teste de HIV. Segundo a PCAP 2008, menos da metade (11,2%) dos homens em geral foram testados no mesmo período. Chama a atenção o maior percentual de gays e outros HSH que realizam a testagem nos serviços públicos de saúde: 66,7% deles receberam o diagnóstico para o HIV em centros de testagem e aconselhamento ou na rede pública de saúde. Na população masculina em geral, segundo a PCAP 2008, esse percentual é de 40,6%.
Questionados sobre sua percepção de risco, os outros HSH também demonstram maior nível de informação. Entre aqueles que se testaram alguma vez na vida, 53,9% o fizeram porque achavam que tinham algum risco de ter se infectado ou por “curiosidade” de saber sua condição sorológica. Entre os homens em geral, 32,7% procuraram o serviço de diagnóstico por essas razões.
Utilizando-se de metodologia em que cada entrevistado funciona como “semente” e leva o pesquisador a outros entrevistados, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde realizou estudo com o público HSH em: Manaus, Recife, Salvador, Curitiba, Itajaí, Santos, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande e Brasília. O critério para a participação na pesquisa foi possuir 18 anos ou mais e ter tido pelo menos uma relação sexual com um homem nos últimos 12 meses. O levantamento foi coordenado pela pesquisadora Ligia Kerr, da Universidade Federal do Ceará.
Os gays e outros HSH também utilizam com maior frequência os serviços de saúde para testes de HIV e acesso a preservativos do que a média da população masculina do país. Em relação a acesso ao preservativo, 76,9% dos gays e outros HSH declararam ter recebido camisinhas gratuitamente nos últimos 12 meses. Sessenta e seis por cento dos HSH tiveram acesso ao preservativo em um serviço público de saúde, 10,7% em uma organização não governamental e 9,9% na escola. Entre os homens em geral, esse índice é bem menor (33,9%).
A pesquisa comprova que o Projeto Saúde e Prevenção nas escolas (SPE) é um dos canais de acesso do jovem ao preservativo. O SPE é um projeto do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação e consiste em levar ações de prevenção às instituições de ensino do país.
Uso do preservativo
Entre os gays e outros HSH de 25 a 64 anos, 78,9% usaram preservativo na primeira relação sexual, contra 21,6% dos homens em geral, na mesma faixa etária. Entretanto, o uso da camisinha na última relação sexual (nos últimos 12 meses) com parceria casual cai para 59,6%, praticamente o mesmo percentual dos homens em geral, que é 56,9%.
Em relação à população mais jovem, a pesquisa traz um alerta. Os jovens gays e outros HSH utilizam o preservativo em menor proporção que os jovens homens em geral: 53,9% deles utilizaram a camisinha na primeira relação sexual, enquanto 62,3% dos jovens homens em geral a usaram na primeira vez.
Nas relações nos últimos 12 meses com parceiro fixo, 29,3% dos jovens gays e outros jovens HSH utilizaram o preservativo. Nos jovens em geral, a média é de 34,6%. Em relações com parceiros casuais, os jovens gays e outros HSH fizeram uso do preservativo em 54,3% dos casos, resultado similar ao encontrado nos jovens em geral (57%).
Os resultados da pesquisa corroboram os últimos dados epidemiológicos lançados no final do ano passado pelo Ministério da Saúde. Na faixa etária de 13 a 19 anos, entre os meninos, há mais casos de aids por transmissão homossexual (33,5%) do que heterossexual (28,3% ).
Prevalência
A taxa de prevalência do HIV na população de gays e outros HSH com mais de 18 anos das 10 cidades pesquisadas foi de 10,5%. O dado encontrado é consistente com estudos anteriormente realizados em algumas cidades do Brasil e característico de uma epidemia concentrada. Nos Estados Unidos, por exemplo, a prevalência na população HSH é de 9,1%, bastante similar à brasileira. A prevalência na população masculina brasileira de 15 a 49 anos é estimada em 0,8%. A taxa de prevalência de sífilis durante a vida encontrada na pesquisa com gays e outros HSH foi de 13,4%.
Estigma e discriminação
Os resultados da pesquisa realizada com os gays e outros HSH evidenciam que o preconceito está presente na vida dessa população. Um total de 29,6% dos entrevistados afirmou já ter sofrido discriminação por causa da orientação sexual alguma vez; 44,5% disseram ter sido xingados e 12,4% já foram agredidos fisicamente. Mais da metade deles (51,3%) disseram já ter sido discriminados no trabalho, 28,1% na escola ou faculdade e 13% em algum ambiente religioso.
Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
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