São Paulo inaugura base móvel para atender vítimas de homofobia

Comportamento, Social
29 de junho de 2015
por Genilson Coutinho

A população LGBT acaba de ganhar mais um centro de apoio e atenção na cidade de São Paulo. A Prefeitura entregou na manhã desta segunda-feira (29), a primeira Unidade Móvel de Cidadania LGBT, que prestará atendimento a vítimas de homofobia. Além de apoio psicológico, os cidadãos terão acesso a programas sociais voltados a essa população, além de exames de saúde.

“Este é um trabalho importante, que dá visibilidade para o combate à violência na cidade. Fizemos uma primeira experiência com as mulheres. A unidade móvel circulou a cidade toda e recolheu muitas informações importantes sobre violência doméstica contra a mulher e, agora, vamos fazer o mesmo com a comunidade LGBT, em pontos específicos onde o risco e vulnerabilidade são maiores. Essa unidade também contará com assessoria jurídica, além do apoio da Guarda Civil Metropolitana”, afirmou o prefeito Fernando Haddad após conhecer o veículo, que esteve estacionado nesta manhã em frente à sede da Prefeitura.

(Foto: Leon Rodrigues/Secom)

Inicialmente, o equipamento realizará atendimentos no Largo do Arouche, de quinta-feira a domingo, sempre das 18h às 23h. Aos sábados, o veículo será levado para a rua Augusta, próximo do cruzamento com a rua Peixoto Gomide.

Para Eduardo Suplicy, secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, a escolha do local foi simbólica. “Lançaremos as unidades móveis LGBT por diversos lugares da cidade, começando pela sua casa, o seu mais célebre endereço, no Largo do Arouche. Isso é algo muito positivo”, afirmou.

A escolha do Largo do Arouche como base para a Unidade Móvel se deve ao grande movimento de público e estabelecimentos privados de socialização LGBT, como bares, boates, saunas, entre outros. Por essa característica, o local tem se tornado um ponto de turismo LGBT, citado em guias especializados e que recebe, anualmente, visitantes de diversas partes do Brasil e do mundo. Aos finais de semana, dezenas de jovens, especialmente de regiões periféricas da cidade, se reúnem no local em busca de diversão.

Segundo o coordenador de Políticas LGBT da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, Alessandro Melchior, o equipamento não ficará restrito a vítimas de violência. “Nosso foco são pessoas LGBT em situação de vulnerabilidade social, isto é, que estejam em situações de violações de direitos humanos”, pontuou.

(Foto: Leon Rodrigues/Secom)

A unidade também está adaptada para a divulgação de serviços e programas da Coordenação de Políticas LGBT, como o Centro de Cidadania LGBT, o Plano de Saúde Integral e o Programa Transcidadania. “Esse equipamento passa a ser uma porta de entrada móvel e itinerante da nossa rede municipal de proteção”, completou Melchior.

A Unidade Móvel de Cidadania LGBT também prestará outros serviços à população, como a realização de teste de fluido oral para HIV, a distribuição de material e atividades de orientação sobre direitos e políticas públicas existentes, funcionando como ponto fixo de divulgação dos serviços de saúde, assistência social e promoção dos direitos humanos. Haverá ainda a realização de atividades educativas e culturais e uma articulação com a Base Permanente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e o policiamento da região para reforçar a segurança e inibir casos de agressão e violência.

“Toda pessoa que sofrer uma violência por homofobia ou mesmo se sentir constrangida na rua poderá agora procurar essa unidade móvel. Isso já é um grande avanço para nós. Além disso, acho que só a presença de equipamentos como esse em regiões estratégicas faz com que o preconceito e a violência contra a população LGBT sejam inibidos, ao menos neste locais”, afirma a recepcionista, transformista e militante Athena Joy da Silva, de 27 anos.

A inauguração da Unidade Móvel de Cidadania LGBT integra a Meta 61 do Programa de Metas da Prefeitura de São Paulo, que prevê o desenvolvimento de ações permanentes de combate à homofobia e à diversidade sexual. Estão previstas a inauguração de mais quatro unidades, cada uma ligada a outros quatro Centros de Cidadania LGBT regionalizados, que serão inaugurados até o final de 2016.