Sala vip especial: Uma conversa sobre mulheres

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10 de março de 2012
por Genilson Coutinho

Sandra Munhoz é educadora e articuladora de movimentos sociais. Em 2004, participou da 1º Conferencia Municipal de Políticas para as Mulheres, coordenado junto a Secretária de Políticas para as Mulheres. Em 2008, entrou no GT de  Feminização e Epidemia da AIDS/DST. Como na última quinta-feira (08) foi Dia Internacional da Mulher, ela falou ao Dois Terços sobre ativismo político e inserção da mulher

Dois Terços – Neste 8 de março foi celebrado o Dia Internacional da Mulher. Quais avanços você celebraria nesta data especial?

 Sandra Munhoz – Bom, o primeiro avanço é que temos uma mulher presidente. O Brasil nunca esperou essa avanço. O outro é a luta do Movimento de Mulheres e Feministas com a Lei Maria da Penha, com a qual demos um passo longo. Claro que temos que lutar para que a Lei se implante na prática porque ainda temos muitas lacunas, mas estamos de olho… Apesar de tudo, na hora que as coisas apertam, o movimento se um une e vamos todas para luta.

 

DT – Nos últimos anos, as mulheres conquistaram e vêm conquistando cada vez mais espaço na sociedade mesmo com todo preconceito ainda existente. O que você acha sobre isto?

 SM – Para nós, isso é muito importante, mas não basta se destacar se não há comprometimento com as lutas das mulheres, porque não vai fazer diferença nenhuma para a nós… Temos vereadoras e deputadas que não têm compromisso com o movimento de mulheres e com as feministas. Aí, nós temos que ficar apelando para elas sobre as questões de nossa luta! Aí, não dá, né? Porém, temos que continuar colocando mulheres nesse lugares de destaques… E pensar nessas questões de saúde das mulheres negras, lésbicas, ao invés de achar que somos todas iguais só porque somos mulheres. E ver as questões de moradia (não só entregar casas e, sim, considerar as condições do entorno das casas (como creches, lavanderias, iluminação, segurança, escolas, cultura e lazer).

 

DT – A saída do armário para os rapazes  é sempre algo muito traumático e complicado para as famílias. Há alguma diferença quando a mulher resolve sair do armário?

 SM – É sempre tudo difícil e complicado para nós, LGBT, sair do armário. Porque nossas famílias não estão preparadas ou algumas fingem que não estão, né? Ppara as mulheres é muito complicado mesmo porque elas estão mais expostas a violências (de todas as formas). Ainda temos família que colocam elas no relento, são jogadas e abandonadas nas ruas pelos seus familiares. E, quando ficam em casa, são às vezes perseguidas como bruxas. Ainda têm que aceitar todo tipo de humilhação, quando não são submetidas a estupros [corretivos] por parte de seus irmãos, padastros e até dos pais. E têm que casar à força para que a família mostre o caminho da heterossexualidade, né? E, muitas as vezes, casam para sair de suas casa e pensando que assim ficam livres só aumentam o problema sem resolver a questão.

 

DT – Tanto se sonhou em ter uma mulher no comando do Brasil, principalmente pela comunidade LGBT, porém a gestão da presidenta não tem agradado nem um pouco à comunidade gay brasileira. Você acredita que falta sensibilidade no governo Dilma às questões LGBTs?

 SM – Bom, por isso votei em Dilma. Meu sonho de ter uma mulher presidente do Brasil está realizado, mas temos que pensar que devemos é fazer barulho e muita pressão. Ninguém é ingênuo aqui de pensar que quando colocamos Dilma na Presidência ia ser fácil, porque não adianta colocar Dilma lá e ter Crivella, Bosanaro e outros e achar que está tudo resolvido. Ela governa o país e não o nosso movimento LGBT. O nosso movimento tem que é fazer um esforço de fiscalizar esses que estão lá, e tentar colocar nosso bloco LGBT na rua para fazer mobilização. E também pressionar pessoas nessas cadeiras que têm compromisso mesmo com nossas lutas LGBT.

 

DT – Até hoje já somam mais de 120 candidatos LGBTs para próximas eleições. Você faz parte destes números? 

SM – Não, eu não vou me preparar mais para o futuro agora, faço um esforço para colocar que temos que ter gente comprometida com nossas lutas e causas LGBT. Eu estou nessa luta para ajudar um mandato que tenha esse compromisso. 

DT – O GGB completou neste mês 32 anos de história nas lutas em prol da comunidade gay da Bahia. Você acredita que falta espaço para as mulheres na entidade?

 SM – Bom, eu acho que que não devemos negar a história do GGB. Foi uma entidade que contribuiu muito para o movimento naquela época isso não podemos negar. Mas, agora, as coisas mudaram e as pessoas pensam diferente. Quando uma entidade não está preparada  para ter esse olhar, aí quem perde somos nós do movimento. E as lésbicas e mulheres bissexuais podem e devem seguir seus caminhos. Somos livres para andar com nossas próprias pernas e decidir quem ou qual entidade e movimento melhor nos representa. Só acho que devemos nos unir mais pois temos muitos inimigos lá fora…

 

 

 

DT – Quais são as entidade de defesa das mulheres lésbicas na Bahia?

 SM – Bom, tem algumas que conheço que se organizam por ai: Lesbibahia, Felipa de Souza, Liga Brasileira de Lésbicas, Lilás, Rede Afro, Amuleto, e grupos das universidades como Aquenda, Kiu, nós aqui do Movimento de Lésbicas e Mulheres Bissexuais da Bahia, filiado à Articulação Brasileira de Lésbicas. Estamos nascendo e nos organizando e outras que estão se agrupando que às vezes nem conheço porque a Bahia é grande.