Roda de conversa debate diversidade LGBT no mercado de trabalho

Comportamento, Social
30 de maio de 2017
por Genilson Coutinho

A Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) promoveu na manhã da última segunda-feira, 29, uma roda de conversa sobre diversidade LGBT no mundo do trabalho. Durante o bate-papo, foram abordadas as principais dificuldades enfrentadas por essa parcela da população na busca por um emprego e para permanecer nos postos de trabalho.

Na oportunidade, a titular da Setre, Olívia Santana, destacou a necessidade de políticas públicas para ampliar a participação do segmento LGBT no mercado de trabalho. Nesse sentido, anunciou a realização do Fórum Estadual de Diversidade no Mundo do Trabalho, que acontecerá no mês de setembro, reunindo iniciativa privada, governo e movimentos sociais.

“As pessoas gays, lésbicas e trans têm muita dificuldade de encontrar oportunidades no mundo do trabalho e quando encontram, na maioria das vezes, precisam deixar de ser quem são para serem aceitas. Em um contexto de crescimento do desemprego essa situação é ainda mais grave, porque quanto mais restritas as oportunidades, mais recrudesce o racismo, o sexismo e a LGBTfobia. Por isso, realizamos esse encontro e vamos promover o fórum, buscando lançar luzes sobre essas questões e encontrar estratégias para enfrentar os desafios na atual conjuntura”, explicou.

Preconceito

A vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT, Ariane Senna, contou que as travestis e as transexuais são as principais excluídas das oportunidades de emprego. “Em sua grande maioria, essas pessoas não entram no mercado de trabalho formal porque existe um preconceito muito grande nas empresas. Não é a toa que 90% das travestis e transexuais estão na prostituição”, afirmou.

Ariane apresentou ainda dados de uma pesquisa do Center for Talent Innovation, que mostra que 61% dos profissionais LGBT brasileiros não assumem sua orientação sexual ou identidade de gênero e 49% deles afirmam que não a escondem, mas não falam abertamente sobre o assunto no ambiente de trabalho e alteram o próprio comportamento para se integrar aos demais colegas.

Para a integrante da Coordenação LGBT da Secretaria Estadual de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Laís Paulo, a superação desse quadro de exclusão e preconceito passa pela sensibilização tanto dos empregadores quanto dos colegas de trabalho. “Esse desafio é central porque a gente tem uma população qualificada que por conta da LGBTfobia não consegue acessar o mercado ou está em subemprego. Ao mesmo tempo, precisamos pensar em como manter a população LGBT que está empregada, garantindo a dignidade no processo do trabalho, como o respeito ao nome social, por exemplo”, defendeu.

Experiência

A roda de conversa abriu espaço também para o compartilhamento de uma experiência exitosa de inclusão profissional da população LGBT. O diretor administrativo financeiro da Faculdade Baiana de Direito, Tiago César, apresentou as ações afirmativas desenvolvidas pela instituição voltadas para a promoção da diversidade de gênero e de orientação sexual.

O primeiro passo foi a garantia do uso do nome social para estudantes trans, travestis e transexuais da faculdade. Em seguida, foram abertas vagas específicas de emprego para esse segmento.

Foi dessa forma que Selena Oliveira Ramos, de 24 anos, conseguiu seu primeiro emprego formal, como assistente administrativo da instituição. “Quando eu comecei a trabalhar foi uma felicidade imensa porque isso mudou a minha vida. Passei a fazer parte de uma instituição de ensino que reconhece o meu nome, que me respeita e que está ali para avaliar a minha capacidade cognitiva e não como eu performo o meu gênero ou como minha orientação sexual se direciona. Somos uma exceção, apenas duas pessoas trans trabalhando em uma empresa enorme, mas não podemos negar que iniciativas como essa são de uma importância enorme”, declarou.

De acordo com o diretor administrativo financeiro da Faculdade Baiana de Direito, outras ações também estão sendo desenvolvidas nessa área. “A gente conta com um programa de treinamento para os nossos funcionários e para os nossos alunos sobre o tema e inserimos no plano pedagógico da instituição a disciplina Direito e Diversidade, voltada para os alunos da graduação. Ainda estamos engatinhando nessa história, mas o primeiro passo é tentar entender e ter consciência que é necessário a gente ter uma ação afirmativa”, explicou Tiago.

Também participaram da roda de conversa representantes das secretarias estaduais de Políticas para Mulheres, Milena Passos; e da Educação, José Carlos Oliveira; o superintendente de Desenvolvimento do Trabalho da Setre, Alexandro Reis; a assistente social do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), Lorena Alencar; e a integrante do coletivo Lesbibahia, Bárbara Alves.