Representatividade – A importância de blogueiras negras na mídia

In Moda
28 de janeiro de 2016
por Coletivo Minissaia

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Por Bruna Marconi

Já reparou que os blogs mais famosos de moda e beleza são todos focados na beleza eurocêntrica (branca) e os negros sempre ganham papel exótico, ou raramente aparecem? E quantas blogueiras negras você conhece? Hoje vamos falar sobre representatividade negra nos blogs de moda e para falar disso vou contar um pouco sobre minha história e porque representatividade importa.

Eu cresci no meio de uma família branca, desejando os cabelos lisos da minha irmã, minhas Barbies eram todas brancas, loiras de cabelo liso, então desde os cinco anos comecei a alisar o cabelo. Passei 17 anos vivendo uma ditadura de beleza extremamente ocidental, por tanto, para mim era normal o alisamento, já que as atrizes da Globo alisavam os cabelos e até as Barbies negras tinham cabelo liso. Estava no caminho certo, né?

Foi em meados de 2015 que eu entendi o poder da representatividade, ao ver a Magá Moura, com suas tranças rosa, super empoderada, bem sucedida e conhecida internacionalmente e de quebra: negra. Pela primeira vez, em dezessete anos, me vi representada em uma figura pública, e a partir desse momento tive consciência da minha cegueira diante minhas raízes e sabia que algo teria que mudar, ou voltar a ser o que era antes. Decidi passar pela transição capilar – deixar de fazer alisamento e assumir o cabelo natural – e adotar as tranças.

É por isso que a representatividade importa, a mídia é um agente modificador de comportamento cultural e de valores, tendo enorme influência na sociedade, estimulando o consumo e influenciando comportamentos, portanto, se não nos vemos nela, iremos querer cada vez mais “o que é do branco”. É se ver representada na televisão, cinema, publicidades, que uma criança irá acreditar que pode ser quem quiser e chegar onde quiser. Mas o que tem de representação negra na publicidade precisa ser quebrado, o branco ainda se faz presente no imaginário social como um padrão universal, em contrapartida, o negro acaba sendo representado por uma raça, um ser particularizado, ou o oposto da espécie humana. Os negros são incluídos como empregadas domesticas, garis, encanadores, os pobres e dificilmente protagonizam o personagem destaque e bem sucedido.

No Brasil onde a metade da população é constituída por negros, segundo IBGE, é muito importante discutir essa inclusão e representação do negro na mídia brasileira. Se formos observar o ranking das maiores blogueiras do Brasil, você não irá achar uma negra entre as 5 maiores. E infelizmente, não é questão de estatísticas de visitações mensais ou seguidores, é pelo simples fato dela ser negra, e não existir espaço para negros no ranking do Brasil, um país que é negro. A oportunidade não é a mesma e isso vem, também, do comportamento das marcas, que se preocupam com a imagem que uma negra irá causar fazendo propaganda de seus produtos.

Uma das dificuldades, medos e receios, que tive antes de me lançar como blogueira, logo após minha transição capilar, foi a do blog não vingar, porque sou negra e uso tranças coloridas. Mas toda essa experiência foi libertadora, primeiro por ter me libertado de uma ditadura de beleza que seguia desde os meus cinco anos de idade, e ser abraçada pelas pessoas por essa mudança, e segundo por ter inspirado outras meninas que também estavam na ditadura do cabelo liso.

A representatividade toca as pessoas, e ela se torna cada vez mais necessária nos dias de hoje, já que estamos em 2016 e a mídia continue sendo extremamente branca e não inclusiva.

As blogueiras negras são importantes para espalhar o empoderamento de nossas mulheres. Se uma conseguiu, porque as outras não conseguirão?

Bruna Marconi é integrante do Coletivo Minissaia e criadora do blog que leva o seu nome BrunaMarconi.com.

Nasceu de salto alto, sambando na barriga da mamãe, Bruna é designer, cool hunter e blogueira. Apaixonada por moda, adora compartilhar seus gostos e experiências com pessoas.