Teatro

Recortando a realidade gay contemporânea, ‘CAM’ estreia na web

Redação,
25/10/2021 | 18h10
(Foto: Mario Amaral)

Um homem seminu num ambiente com luzes multicoloridas, neon e tendo como trilha sonora hits da música eletrônica. A primeira cena de “CAM” não deixa dúvidas sobre o personagem que integra a trama e a diversidade de questões que abarcam seu universo. Embebidos pela tecnologia e bem amparados por uma inquieta construção artística, a Cia. Artera de Teatro estreia dia 27 de outubro às 21h a curtíssima temporada de mais uma montagem original totalmente idealizada para o formato digital, cuja dramaturgia e direção são de Ricardo Corrêa.

A peça gira em torno de Brad, um camboy (interpretado por Davi Reis) que, numa dessas salas de chat, realiza um encontro privativo com alguns indivíduos – o último show antes de sua entrada num reality pautado por relacionamentos e volúpia. A performance interativa reflete a superexposição online, a pós-pornografia, o desejo por pixels e por Pix, o vazio das relações pautadas nos padrões de beleza e o sexo como motor de uma busca desenfreada por tudo aquilo que sirva para aplacar a solidão. Através de números e jogos, o homem exposto em seu “pay per view” de nudes reflete sobre o corpo e aquilo que ainda chamamos de alma.

“Sujeitos ou objetos de desejo? O sexo virtual tem pouco conhecimento sobre o outro. Para muitos, esse conhecimento do outro nem sempre é desejado. Buscamos aqui questionar sobre sexualidade e padrões de comportamento. Lançando luz sobre um homem sobrevivendo e ‘consumido’ pelo corpo. A ‘pós-pornografia’ para nós, serve como um misto de protesto, em que a arte e pornografia, se fundem, para se opor à pornografia convencional. É uma forma de pensar a nossa relação com sexualidade e mídia, um jeito de fazer pornografia com novos significados que se expandam em formas de desejo de corpos ‘fetichizados’ pela pornografia usual”, reflete Ricardo.

A apresentação acontece ao vivo, numa live realizada através de uma conta de Instagram secreta e fechada que aceita como seguidores o público de cada sessão. Elaborada no começo da pandemia, a montagem que marca os 18 anos da companhia é atravessada por situações clássicas pelas quais muitos integrantes do vasto cosmo LGBTQIA+ costumam passar, mas também por questões contemporâneas que não ficam restritas à comunidade. “A questão da sobrevivência em meio à pandemia foi o mote inicial. Daí nos veio como tema o corpo como mercadoria, o consumo, a pornografia. Partindo dessa junção eu, como dramaturgo, fiz um mapa de possibilidades, onde a dramaturgia dialoga diretamente em forma e conteúdo”, sintetiza Ricardo.

Adentrando a realidade da população gay, especificamente, a pesquisa da companhia aturdiu seus integrantes. “É sempre surpreendente cada recorte que escolhemos. Neste trabalho, sinto que foi a busca pelo sexo, a confusão entre ficção e realidade. A peça fala diretamente com o gay de hoje sobre a relação corpo versus internet, a doentia busca por seguidores, o uso exacerbado de aplicativos de relacionamento, problemas de aceitação, padrões de beleza, solidão, a ‘guetificação’ e o preconceito da própria comunidade, sobretudo aos corpos que não se encaixam dentro desses padrões do masculino e da virilidade”, antecipa Davi.

SINOPSE:

Brad está em seu último show numa sala privê. Através de números e jogos, o “camboy” exposto em seu “pay per view” de nudes reflete sobre o corpo versus alma.

SERVIÇO:

Temporada: 27, 28, 29 e 31 de outubro e 04, 05, 06 e 07 de novembro

Horário: 21h

Duração: 45 minutos

Classificação Etária: 18 anos

Capacidade: 20 pessoas por apresentação

Ingresso: R$ 50 (inteira)

Reserva e Compra de Ingressos: @ciaarteradeteatro (Instagram) ou ciaartera@gmail.com

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia e Direção: Ricardo Corrêa

Elenco: Davi Reis

Vídeo e Programação Visual: Ricardo Corrêa

Fotos: Mario Amaral

Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais

Realização: Cia. Artera de Teatro

SOBRE A COMPANHIA ARTERA DE TEATRO

Com intuito de abarcar diversas dimensões da cena contemporânea, a Cia tem por meta a encenação de textos com dramaturgias inéditas, direcionando a pesquisa para temas relacionados às minorias e população LGBTQIA+, permitindo-se o intercâmbio com outras linguagens, manifestações e tecnologias. Em 2021, o grupo completa 18 anos de atividades ininterruptas, contabilizando 15 produções e recebendo importantes prêmios. Este ano está indicada ao Prêmio APCA na categoria Melhor Espetáculo por “Monstro”, de Ricardo Corrêa.

Site: www.ciaarteradeteatro.com.br