Professor da Facom comenta filme “Flores raras”

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23 de agosto de 2013
por Genilson Coutinho

“Flores raras”, filme de Bruno Barreto, recria o romance lésbico no Rio de Janeiro dos anos 50, de Lota Macedo Soares, arquiteta famosa, rica e responsável pela criação do aterro do Flamengo com Elisabeth Bishop (Mirando Otto) grande poeta americana.

Era um tempo em que as coisas aconteciam de maneira velada sem vir à tona. Lota (Glória Pires) era a típica sapatão dos anos 50. Autoritária, meia masculinizada e o equivalente ao macho protetor, o chefe de família (tipo que ainda persiste em nossa sociedade). Elizabeth Bishop era o lado sensível da relação. Tímida, com uma sexualidade pouco definida e propensa a depressões.

O grande ponto de virada do filme (baseado em uma história real) se dá quando Elizabeth decide abandonar Lota que a partir daí se vê perdida e acaba internada com problemas psíquicos.

Em um final trágico ao tentar se reconciliar com seu ex-amor em Nova York, Lota acaba se suicidando. O filme tem como pano de fundo o momento político pré 64 no Brasil e o golpe militar.

Carlos Lacerda, amigo de Lota, é eleito governador da Guanabara, apoia o golpe militar, mas depois é exilado do país. Enquanto Lota apoia o golpe Elizabeth se sente incomodada, como ela define, com a passividade do povo brasileiro com a perda de sua liberdade.

É um filme muito bem produzido, ótima fotografia, belíssimas locações e em alguns momentos parece um filme americano de Hollywood, principalmente por ser falado em inglês, em algumas cenas do filme.

Bruno Barreto foi diretor de grandes produções nos Estados Unidos. As flores raras, ao contrário das flores de plástico, morrem cedo.


Maurício Tavares, professor da Facom -UFBA, Doutorado em Comunicação e Semiótica na PUC-SP