Prêmio Braskem de Teatro faz um espetáculo-manifesto para anunciar os destaques de 2015

No Circuito, Teatro
11 de abril de 2016
por Genilson Coutinho

Pedro Pondé Elísio Lopes Jr., Adelena Rios , Renata Mata e Osvaldo Mil apresentam a 23ª edição do Prêmio Braskem, que será dia 13, no TCA (Foto:Genilson Coutinho)

Os destaques das artes cênicas baianas no ano de 2015 serão conhecidos durante a entrega do Prêmio Braskem de Teatro. O anúncio dos vencedores acontece nesta quarta-feira, dia 13 de abril, às 20h, na sala principal do Teatro Castro Alves, em Salvador. A cerimônia será um espetáculo-manifesto pela liberdade do artista e pelas causas que fazem sentindo ao mundo moderno. É o que promete o dramaturgo, roteirista e diretor teatral Elísio Lopes Jr., que assina pela terceira vez a direção artística da premiação. “Dirigir esse prêmio é uma das coisas mais difíceis de fazer, porque é a festa do nosso teatro, e queremos o encanto, queremos fazer o melhor. É isso que vamos tentar esse ano pela terceira vez”, comenta Elísio.

O Prêmio Braskem de Teatro destaca anualmente as melhores produções em oito categorias: Espetáculo Adulto, Espetáculo Infanto-Juvenil, Direção, Ator, Atriz, Texto, Revelação e Categoria Especial. Foram avaliadas 59 peças teatrais baianas consideradas profissionais e inéditas, que estiveram em cartaz no período de 1º de abril a 23 de dezembro de 2015, na capital baiana. A premiação, que chega a sua 23º edição, é uma realização da Caderno 2 Produções e patrocinada pela Braskem e Governo do Estado, através do FazCultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda. “O Prêmio Braskem de Teatro é uma referência consolidada para a classe artística, contribui para a valorização da produção das artes cênicas no estado, abre espaço para o surgimento de novos talentos, além de incentivar a formação de plateia”, explica Hélio Tourinho, gerente de Relações Institucionais da Braskem na Bahia.

Elisio Lopes /Foto: Genilson Coutinho

Racismo, homofobia, entorpecimento, violência, o desejo e a intolerância, questões que estão sendo discutidas pela sociedade na atualidade como retrocessos serão relacionadas às categorias da premiação. “O mote cênico é que a noite do prêmio será o último concerto de uma banda que não tem mais razão de existir, a Nossa Banda do Mundo”, explica Elísio. Os atores Osvaldo Mil, Érico Brás e o cantor Pedro Pondé (vocalista da Banda Scambo) irão compor o fictício grupo. Os três vocalistas irão cantar, interpretar e dançar entre o anúncio dos vencedores de cada categoria. Integram a banda, ainda, os músicos Jelber Oliveira, Cadinho, Waguinho e Eric Assmar, além das backings-atrizes-bailarinas Adelena Rios, Ariane Souza e Camila Sarno.

A criação dos figurinos para a cerimônia ficou a cargo do paulista Luciano Ferrari, o Lord Lu, que se inspirou nos grupos performáticos Secos e Molhados e Dzi Croquettes. Vinis, paetês, tecidos metalizados e adereços coloridos se destacam nos looks. “A ideia é que os figurinos resultem num espetáculo burlesco, com visual apimentado e contemporâneo criando uma harmonia com o conjunto criativo do evento”, explica Lord Lu, que tem em seu currículo os figurinos do espetáculo Sherek, O Musical e da banda Timbalada, nos Carnavais de 2015 e 2016. A produção de moda é Carine Cedraschi.

A movimentação não acontecerá somente diante da plateia. Nos bastidores um verdadeiro exercício atuará na produção do evento, que tem roteiro de Fabio Espírito Santo e comando de Elísio Lopes Jr. Na equipe técnica figuram nomes como: Elisa Mendes (diretora Assistente), Ricardo Fagundes, Sérgio Almeida (assistentes de Direção), Clarissa Torres (direção de Produção Artística), Zebrinha (Coreografia), Arismar Adoté Jr. (Assistente de coreografia), Dino Neto (Maquiagem), Claudia Salomão (Chefe de Palco), Zelito Souza (Roadie) e Micael Figueiredo (Estagiário de produção). A produção Executiva está à cargo de Erica Ribeiro, Edilene Alves, Tereza Saphira e Val Benvindo. Jarbas Bittencourt assina a direção musical do espetáculo, que tem ainda a cenografia de Renata Mota, a produção de cenografia de Naiara Bonfim e os cenários virtuais do VJ Dexter. A iluminação é de João Batista.

Homenagens especiais – Cinco personalidades que lutam pelos Direitos Humanos na Bahia serão homenageadas durante a cerimônia de entrega do Prêmio Braskem de Teatro. Serão reconhecidos pelos seus trabalhos e atuações, Maria Rita Lopes Pontes, superintendente das Obras Sociais de Irmã Dulce (OSID); o médico Antonio Nery Filho, criador do Centro de Estudos e Terapia de Abuso de Drogas (CETAD); o antropólogo Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB); Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá e Vavá Botelho, idealizador do Balé Folclórico da Bahia.

Luiz Mott no palco do prêmio em 2012 (Foto: Genilson Coutinho)

Outro homenageado da premiação será Martim Gonçalves, primeiro diretor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que este ano completa 60 anos de fundação. Com apenas 37 anos, o médico psiquiatra pernambucano, Eros Martim Gonçalves (1919-1973) foi o responsável por conceber a Escola de Teatro, da então Universidade da Bahia e dirigi-la entre 1955 e 1961. Foi a primeira no Brasil ligada a uma instituição de nível superior.

“A homenagem que o Prêmio Braskem de Teatro realizará a Martim Gonçalves é uma reparação histórica a este homem de teatro, com sólida formação artística-acadêmica, que muito contribuiu para o teatro e as artes na Bahia, através de ações interdisciplinares nas áreas do teatro, artes plásticas, cinema, cultura popular e educação”, ressalta a diretora teatral e professora Eliene Benício, atual diretora da Escola de Teatro da UFBA.

Teatro Martim Gonçalves/Foto: Viva Salvador

O júri – A comissão julgadora deste ano foi composta por Cristina Leifer, atriz, diretora teatral e produtora cultural; Eliana Pedroso, bailarina, gestora e curadora do Café-Teatro Rubi; Jorge Alencar, ator, dançarino, coreógrafo, realizador audiovisual, diretor teatral, educador, pesquisador e curador; Marcos Uzel, jornalista e escritor e Rose Lima, diretora Artística do Teatro Castro Alves. Além do troféu, os vencedores das categorias Espetáculo Adulto e Espetáculo Infantojuvenil receberão um prêmio no valor bruto de R$ 30 mil cada, enquanto os demais vencedores serão contemplados com um prêmio no valor bruto de R$ 5 mil cada.

CONFIRA OS INDICADOS AO 23º PRÊMIO BRASKEM DE TEATRO:

O pequeno Imperador/ Foto: Genilson Coutinho

ESPETÁCULO ADULTO:

  • BULULÚ – Sinopse: A montagem conta a saga de dois comediantes muito especiais: Amadeus (Danilo Cairo) e Bartolomeus (João Guisande), tão antigos como o próprio teatro, o que é o mesmo que dizer: tão antigos como a Terra. Acabaram de chegar a um lugar onde pensam realizar o seu oficio de cada dia, ou seja, representar. Preparam os seus instrumentos, as suas roupas e máscaras e decidem contar o famoso romance da Invenção do Mundo, inspirado no Grande Teatro del Mundo, de Calderón de La Barca. Texto e Dir.: Moncho Rodriguez. Elenco: Danilo Cairo e João Guisande;
  • CAMPO DE BATALHA – Sinopse: Em uma suposta Terceira Guerra Mundial causada pela disputa das águas do planeta, dois soldados de corporações inimigas são surpreendidos pelo anúncio da suspensão temporária da guerra. Durante a pausa bélica, eles iniciam uma surreal aproximação que põe em risco a continuidade protocolar dos combates “oficiais”. Dir.: Márcio Meirelles. Elenco: Thiago Quirino e Aldri Anunciação;
  • O CASTELO DA TORRE – Sinopse: O espetáculo, que integra a 2ª Mostra Prêmio Braskem de Teatro, conta a trajetória da família Garcia D’Ávila, cujo poder imperou na Bahia e no Nordeste Brasileiro do século XVI à metade do século XIX. O primeiro Garcia D´Ávila chega ao Brasil junto com Tomé de Sousa, e a família continua sua história no Brasil descendendo de Diogo Alvares Caramuru e a bela Catarina Paraguaçu, dois dos primeiros nomes da miscigenação que deu conta do povoamento desse país. Dir.: Meran Vargens. Elenco: Bruno Guimarães, Camila Guilera, Clara Paixão, Daniel Farias, Diana Ramos, Diogo Teixeira, Fernanda Silva, Fred Alvin, Gordo Neto, Joker Guiguio, Larissa Lacerda, Marcia Limma e Yanna Vaz;
  • ERÊ – Sinopse: A atual montagem do espetáculo é mais política e questionadora, e traz à tona as diversas chacinas que tiveram como alvos jovens e crianças negras, como a da Candelária (RJ), Cabula (SSA), Vigário Geral (RJ), Favela Naval (Diadema-SP) e Acari (RJ). São tragédias que se abateram sobre a população negra do Brasil, muitas delas impunemente. ‘Erê’ questiona e pontua o porquê de meninos morrerem ainda ‘erês’ sem chegar a se tornarem velhos. Dir.: Fernanda Júlia e Zebrinha. Elenco: Cássia Valle, Deyse Ramos, Elane Nascimento, Elcian Gabriel, Ed Firenza, Gabriel Nascimento, Gerimias Mendes, Jamile Alves, Jorge Washington, Leno Sacramento Lucas Leto, Merry Batista, Naira da Hora, Renan Mota, Ridson Reis, Sergio Laurentino, Shirlei Sanjeva, Valdineia Soriano e Vinicius Carmezim;
  • SADE – Sinopse: Para encarnar os vários personagens que aparecem o espetáculo, os atores se desdobram num constante jogo de trocas e metalinguagem. Todos são parte das fantasias de Sade, cuja escrita cruzou as fronteiras daquilo que se evita falar: a sexualidade não-convencional, a violência, a loucura, a homossexualidade, a cultura do estupro, além de diversos questionamentos políticos sobre o período histórico conturbado que Sade viveu. Dir.: Gil Vicente Tavares. Elenco: Carlos Betão, Marcelo Praddo, Wanderley Meira, Fafá Menezes e Márcia Andrade.

ESPETÁCULO INFANTOJUVENIL

  • A MÁQUINA QUE DOBRA O NADA – Sinopse: O espetáculo gira em torno da amizade entre um garoto e um cientista, que juntos planejam criar uma máquina fantástica, capaz de dobrar o nada. Inspirada nos neologismos e poemas de Manoel de Barros, a história revela a busca incessante de um homem que luta contra a descriatividade resultante do envelhecimento. Dir.: Caio Rodrigo. Elenco: Agamenon de Abreu, Caio Rodrigo, Elinaldo Nascimento, Genário Neto, Géssica Geyza, Letícia Bartholo, Raquel Bosi, Simone Brault, Taciana Bastos e Wallas Moreira.
  • O PEQUENO IMPERADOR – Sinopse: O texto passeia, de maneira muito lúdica, colorida, divertida e leve por diversas discussões sobre o respeito, a liberdade, o egoísmo, a ambição, a arte e os aprendizados da vida. O espetáculo, que integra a 2ª Mostra Prêmio Braskem de Teatro, conta uma história bem humorada que trata de aspectos da individualidade e coletividade dos seres, motivando crianças e adultos a uma reflexão sobre a consequência dos seus atos, conscientizando e educando pela arte. Dir.: Lucas Sicupira. Elenco: Bruna Simões, Daniel Marchi, Íris Faria, Leonardo Lacerda, Lucas Garboggini, Taciana Bastos, Tássia Gramacho e Yasmin Santana.
  • PACO E O TEMPO – Sinopse: No palco, as aventuras de um menino que quer saber onde está o tempo e a partir disso se desenvolve a ação da peça. O tempo, sua relatividade, seus mistérios, e a efemeridade que são abordados no texto, aqui, na encenação, são metáforas para ilustrar a contemporaneidade, que implica provocar questionamentos sociais na criança e no jovem, afinal eles também são agentes modificadores da sociedade. Dir.: Guilherme Hunder. Elenco: Alex Brandão, Céia Correia, Fabiane Leal, Genário Neto, Hyago Matos, Izabella Vaz, Larissa Libório, Leonardo Teles e Sidnaldo Lopes.

DIREÇÃO

  • Fernanda Julia e Zebrinha, por Erê;
  • Elisa Mendes, por Ave de Areia;
  • Gil Vicente Tavares, por Sade;
  • Márcio Meireles e Lázaro Ramos, por Campo de Batalha;
  • Meran Vargens, por O Castelo da Torre.

ATOR

  • Danilo Cairo, por Bululú;
  • Felipe Benevides, por Canto Seco;
  • João Guisande, por Bululú;
  • Thalis Castro, por Por Que John Cage?;
  • Wanderley Meira, por Sade.

ATRIZ

  • Márcia Andrade, por Nossa Cidade;
  • Diana Ramos, por O Castelo da Torre;
  • Thais Laila, por Nossa Cidade;
  • Laura Sarpa, por Ave de Areia;
  • Mariana Freire, por Canto Seco.

TEXTO

  • Aldri Anunciação, por Campo de Batalha;
  • André Luis Silva, por Escavadores;
  • Gil Vicente Tavares, por Sade;
  • Hayaldo Copque, por Área Comum ou Os Cães Farejam o Medo;
  • Marcus Barbosa, por Efeito Werther.

REVELAÇÃO

  • Edielson de Deus, pela atuação em Esgoto de Deus;
  • Leonardo Teles, pela atuação em A Comédia Humana e Paco e O Tempo;
  • Monica Santana, pela atuação e criação em Isto Não é Uma Mulata;
  • Raissa Bonfim, pela atuação e criação em Ofélia;
  • Sandro Souza, pela direção em A Cidade do Circo dos Dias Iguais.

CATEGORIA ESPECIAL

  • A Outra Cia de Teatro, pela intervenção urbana em Ruína de Anjos;
  • Fernanda Bezerra, pela produção de Sade;
  • Irma Vidal, pela iluminação de Efeito Werther;
  • Ray Gouveia, pela trilha de Paco e o Tempo;
  • Rino Carvalho Inácio pelos figurinos de O Castelo da Torre, Sade, Canto Seco e Circo das Pulgas (este com a colaboração de Lucimaureen Agra).