‘Precisamos parar de tratar LGBTs como leprosos’, diz jesuíta consultor do Vaticano

Comportamento, Social
3 de junho de 2018
por Genilson Coutinho

James Martin é alvo de patrulhas homofóbicas em suas redes sociais, com críticas diuturnas daqueles que acreditam que ele seja “perturbado” e “traidor da fé católica”

No Twitter, padre James Martin já está acostumado a ser alvo de patrulhas homofóbicas, com críticas frequentes daqueles que acreditam que ele seja “perturbado” e “traidor da fé católica” – entre outros impropérios impublicáveis. Nos eventos católicos que conduz, o jesuíta norte-americano recebe abraços de homossexuais e seus familiares, muitas vezes às lágrimas, agradecidos pelo trabalho do missionário de inserção e aceitação dos gays em suas comunidades religiosas.

Depois de anos de experiência com o tema, Martin lançou na Itália na última semana seu mais polêmico – e muito elogiado – livro: ‘Un Ponte da Costruire: Una Relazione Nuova Tra Chiesa e Persone LGBT’, algo como ‘Uma ponte a ser construída: um novo relacionamento entre a igreja e as pessoas LGBT’, em tradução livre.

James Martin nasceu na Pensilvânia e tem 57 anos. Desiludido com o mundo corporativo depois de trabalhar por seis anos no departamento financeiro de uma multinacional, em 1988, Martin entrou para a Companhia de Jesus, mesma ordem religiosa à qual pertenceu o Papa Francisco. Ele foi ordenado padre em 1999 e vive em Manhattan, Nova York. Em 2017, Martin foi nomeado pelo papa Francisco como consultor de comunicação do Vaticano. BBC Brasil – O Catecismo da Igreja Católica, a publicação que compreende toda a doutrina, diz que as pessoas homossexuais não devem ser marginalizadas. Documentos recentes de Francisco – e mesmo o texto final do Sínodo dos Bispos Sobre a Família – também clamam para que a comunidade LGBT seja recebida com dignidade no dia a dia da Igreja. No seu livro, o senhor diz que a doutrina não é suficiente. O que é preciso, então? Martin – É preciso compreender que a doutrina não é simplesmente aquelas poucas linhas do Catecismo, mas o Evangelho como um todo. E, no Evangelho, nós vemos que Jesus constantemente ia ao encontro daqueles que sofriam porque estavam marginalizados. É aí que a Igreja é chamada a ser Igreja. E hoje ninguém é mais marginalizado em nossa igreja do que as pessoas LGBT. Então precisamos simplesmente seguir Jesus em seu caminho. Veja  a entrevista completa no link.