Por causa da “crise”, Parada LGBT de SP passa a vender ingressos pra trio

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13 de maio de 2015
por Genilson Coutinho

sp
A 19ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que ocorre no próximo dia 7, pela primeira vez vende pulseiras para quem quiser desfilar sobre um trio elétrico oficial. A justificativa da organização é a “crise econômica” do país e menores patrocínios.
A novidade do evento, que foi divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, gerou comentários negativos, uma vez que o evento aproximaria de um carnaval fora de época que de um ato político.

Uma das pulseiras, por exemplo, dá direito a open bar.

Com venda realizada pela internet, a pulseira de R$340 dá direito a desfilar em cima do carro, beber cerveja, refrigerante e água à vontade. “Com a crise, diminuiu o dinheiro para todo mundo. É questão de sobrevivência”, declara Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada.

QUASE PARADO

A Prefeitura de São Paulo disponibiliza R$ 1,3 milhão para a estrutura da Parada, o show de encerramento e a Marcha das Lésbicas. Neste ano, é o governo estadual que vai disponibilizar verba para a Feira Cultural do evento.

Quaresma diz que a Petrobrás reduziu em 10% o rapasse. A Caixa Econômica Federal não respondeu se enviará verbas e ainda não tem um posicionamento.
PODE VENDER PULSEIRAS?

Em outras Paradas, pulseiras e entradas em trios já ocorriam com donos dos carros. Mas este é a primeira vez que o formato é adotado pela Associação da Parada do Orgulho LGBT.

Alessandro Melchior, coordenador de Políticas para LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, declarou que não sabia da venda de pulseiras e frisou que ela não pode ocorrer em um dos seis trios cedidos pela Prefeitura.

“A Prefeitura banca tudo de estrutura do evento. Não é necessária coleta de recursos para isso”, declarou ele, que ressaltou também que a distribuição de bebidas nos trios deve seguir normas de vigilância sanitária.

Quaresma defende que a Parada não ocorre só no dia 7 e que diversas atividades são feitas durante todo o ano. “A associação não existe só na Parada, mas nos outros 364 dias do ano”, declara.