Polêmica envolvendo funcionária transexual do Shopping Barra ganha repercussão na comunidade LGBT

Redação,
09/01/2014 | 15h01

A notícia do abaixo-assinado realizado por 21 funcionários do Shopping Barra solicitando a proibição do uso do banheiro feminino por uma travesti que trabalha no shopping gerou desconforto na comunidade LGBT de Salvador. O shopping reagiu à polêmica e se manifestou através de nota, pela qual se mostrou aberto ao dialogo sobre o assunto, ressaltando que não faz parte da política do shopping nenhum tipo de conduta que vá de encontro aos princípios dos direitos humanos.

A nossa equipe conversou sobre o caso com Paulete Furacão, coordenadora do núcleo LGBT da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Governo do Estado. Paulete  esteve no local de trabalho da jovem para apurar a situação na tarde desta quinta-feira (9). “Estive no shopping e conversei com ela, que me sinalizou não querer aparecer para evitar situações constrangedoras no seu ambiente de trabalho. A gerencia da lanchonete de fato recebeu um abaixo-assinado, mas estamos levantado os dados para apuração, de onde partiu essa solicitação”, contou.

Ainda de acordo com Paulete, o núcleo já se colocou a disposição para dialogar com o shopping sobre o assunto. Furacão sinalizou que, na sua visita ao ambiente de trabalho da funcionaria, não notou nenhum comportamento contrário por parte dos colegas de trabalho.

Confira na integra  a nota do Shopping Barra:

O Shopping Barra, reafirmando os princípios éticos que caracterizam seus 25 anos de existência, entende que as questões relativas à compatibilização da identidade de gênero e, de forma mais ampla, as relativas à liberdade de orientação sexual, estão intimamente relacionadas com os chamados direitos da personalidade e, portanto, com a própria dignidade da pessoa humana que é nada menos que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, conforme preceito inscrito no art. 1º, III da Constituição da República de 1988.

Não por outra razão que, embora se reconheça que muitos temas ainda sejam objeto de amadurecimento nas necessárias discussões da sociedade civil, não pretende adotar qualquer postura que venha a negar vigência a tal preceito geral de tutela da personalidade e, por consequência, ao próprio princípio constitucional da dignidade da pessoa humana.

ADMINISTRAÇÃO SHOPPING BARRA