Personagem de Fábio Lago em ‘O Outro Lado do Paraíso’ vai sofrer ataque homofóbico: ‘O olhar das pessoas machuca’

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26 de outubro de 2017
por Genilson Coutinho

Fábio Lago na Coletiva de ‘O Outro lado do Paraíso’ (Foto: Marcos Serra Lima/G1)

Ele que já foi o temido traficante Baiano do filme “Tropa de Elite”, vai aparecer de forma bem diferente em ‘O Outro Lado do Paraíso’, nova novela das 21h, que estreia dia 23. Fabio Lago se preparou para viver, pela primeira vez na televisão, um personagem gay: colocou aplique no cabelo, deixou as unhas crescerem e fez a sobrancelha.

Na trama, Nicácio é um bem-sucedido cabeleireiro da cidade de Palmas, que vai ser cúmplice no projeto de vingança da protagonista Clara, interpretada por Bianca Bin.

Nic, como é chamado, vai ter muitas amizades, mas também vai despertar em algumas pessoas o sentimento de ódio.

O ator contou ao G1 que vai ser agredido em ataques homofóbicos na novela. “Ele vai apanhar, por conta da homofobia mesmo”. As cenas de agressão ainda não foram gravadas, mas Fabio Lago já adianta que também sofrerá nas mãos do psiquiatra Samuel, vivido pelo ator Eriberto Leão.

“Tem agressão forte do Samuel, que também é homossexual. Mas ele não se aceita gay e se torna um homem homofóbico. Ele vê o Nic como um cara resolvido e acha aquilo muito chocante, acaba tendo resistência para lidar com a situação”, explica o ator. A paixão de Nic será Odilo (Felipe Titto), um rapaz discreto que trabalha no salão dele.

Fabio tem “carregado” as características de seu personagem quase 24h por dia, só o deixa de lado quando está dentro de casa. O ator revelou que, mesmo sem estar gravando, tem saído para os lugares com as roupas e trejeitos de Nic.

“Adoro me transformar para personagem, mas esse foi o único que quis sair nas ruas como ele mesmo é. Não tiro a unha, fico com a sobrancelha feita, com os brincos, solto o cabelo para ir a um restaurante. Nos locais públicos, gosto de ver as reações, as abordagens. Eu chego afeminado e o olhar das pessoas é diferente”.

Em um episódio, Fabio Lago conta chegou num posto de gasolina com cabelo preso, sem imitar o cabeleireiro que interpreta, e, assim que um grupo de homens o viu, acenou, brincou. Mas depois que ele soltou o cabelo e fez gestos mais femininos, as mesmas pessoas pararam de brincar com ele.

“Quando cheguei, me chamaram de Baiano, me cumprimentaram. Aí, entrei na loja de conveniência e me transformei em Nic. Quando saí, me despedi do pessoal. Ninguém nem olhou na minha cara. Parece uma bobagem, mas não é. O olhar do ser humano pra algo que é diferente machuca. Tenho vivido isso, mas não quero levar revolta para novela”, ressaltou.