Pela primeira vez, há um ministro assumidamente gay na Espanha

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7 de junho de 2018
por Redação
Fernando Grande-Marlaska na tomada de posse como ministro do Interior (Foto: AFP/Getty Images)

Fernando Grande-Marlaska na tomada de posse como ministro do Interior (Foto: AFP/Getty Images)

A partir desta quinta-feira, na sequência da tomada de posse dos ministros do novo Governo de Pedro Sánchez, Espanha conta pela primeira vez com um ministro assumidamente gay. Trata-se de Fernando Grande-Marlaska, juiz conhecido pelas suas decisões duras contra a ETA, que assume agora a pasta do Interior.

De acordo com as contas do El Español, este não é apenas um Governo recordista em termos do número de ministras mulheres: desde o início da democracia espanhola, 206 ministros e ministras tomaram posse, mas nunca nenhum se assumiu publicamente como sendo homossexual. Grande-Marlaska vem agora quebrar essa tendência.

O juiz casou-se com o companheiro Gorka em 2005 e um ano depois confirmou publicamente numa entrevista ao El País a sua orientação sexual. Desde então, tornou-se um defensor público dos direitos LGBT. Em 2016 publicou o livro de memórias “Ni pena ni miedo: Un juez, una vida y la lucha por ser quienes somos” (sem edição em português, o título aproximado é “Sem pena nem medo: um juiz, uma vida e a luta por ser quem somos”), onde aborda o momento em que assumiu a sua homossexualidade e outros episódios da sua vida, como quando conheceu o marido.

Nascido numa família basca de Bilbao, em 1962, Grande-Marlaska é filho de um polícia e teve de enfrentar problemas com a própria família desde que assumiu ser gay, aos 35 anos, segundo conta o jornal espanhol Público. O reatar de relações só viria a acontecer em 2004.

Numa entrevista ao El Mundo, em 2014, o juiz reconhecia a importância de os titulares de cargos influentes assumirem a sua orientação sexual: “Penso que tanta gente teve de sair do armário para eu poder chegar a este cargo tão elevado. Muitos tiveram de dar esse passo, não para exteriorizar isto, mas para ajudar muitos que ainda precisam disso”, disse.

A nomeação de Grande-Marlaska para o cargo de ministro do Interior foi recebida de braços abertos por alguns grupos que defendem os direitos LGBT. “Que alguém que é gay dirija os guardas civis e as polícias nacionais é uma mensagem contundente para todas as vítimas de homofobia que continuam a não se atrever a fazer uma denúncia numa esquadra”, declarou Rubén López, diretor do Observatório Madrileno contra a LGBTfobia, ao El Español.

*As informações são do Observador.