Pastor ‘ex-gay’ pede suspensão de peça que tem Jesus como mulher trans em Salvador

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25 de outubro de 2017
por Redação

A atriz Renata Carvalho, em o ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Ceu’ (Foto: Divulgação/Ligia Jardim )

O deputado estadual Pastor Sargento Isidório (Avante) ingressou com um pedido de liminar na Justiça para suspender a apresentação da peça “O Evangelho segundo Jesus, rainha do céu”, marcada para esta quinta-feira (26) e sexta-feira (27), em Salvador.

O espetáculo, que ocorrerá no Espaço Cultural Barroquinha, equipamento da Fundação Gregório de Matos (FGM), da prefeitura de Salvador, tem provocado polêmica por apresentar Jesus na figura de uma mulher transgênero. A personagem é interpretada pela atriz Renata Carvalho, que também é transexual.

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No pedido, o parlamentar evangélico argumenta que a peça tem conteúdo “ofensivo e atentatório” aos “preceitos da fé cristã”. “É evidente que esta encenação é polêmica, mas infelizmente não se trata apenas disso, pois ao escarnecer dogmas e questionar questões sagradas da religião mais praticada no nosso país, estimula hostilidade entre as pessoas, tendo em vista serem as crenças algo muito íntimo e importante no cotidiano do nosso cidadão”, afirma Isidório, que se autoproclama “ex-gay”.

Ainda segundo o deputado, o espetáculo estimula a intolerância religiosa. Ele chega a citar o episódio envolvendo o jornal francês Charlie Hebdo, quando 12 jornalistas foram mortos em 2015 por terroristas da Al-Qaeda. O periódico costumava retratar de forma satírica o profeta Maomé, algo que motivou a indignação dos assassinos. Apesar de fazer a comparação, Isidório diz que não quer insuflar uma “possível guerra santa”, mas sim impedir o “escarnecimento público da religião mais praticada na nossa nação”. Ele ainda chega a comparar a apresentação à perseguição sofrida por cristãos jogados às bestas na Roma Antiga, “como espetáculo, única e exclusivamente em razão da sua fé”. “É perfeitamente possível observar que em verdade é um crime de ódio que fere a tolerância religiosa, o respeito ao próximo, a dignidade da pessoa humana, os valores da sociedade, e assim deve ser vigorosamente combatido em um Estado Democrático de Direito”, defende.

Em São Paulo, uma ação semelhante chegou a ser acatada pela Justiça. No entanto, foi derrubada posteriormente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que permitiu a encenação da peça. Em entrevista à revista Veja, Renata falou sobre o porquê de Jesus ser transgênero na montagem. “A ideia é que Jesus tenha a identidade da atriz que o encarna no palco. E eu sou travesti”, explicou.