Para pesquisadora, HIV é a preocupação inicial de pais com filhos gays

Sem categoria
16 de agosto de 2011
por Genilson Coutinho

Hoje, a aceitação dos pais em terem um filho gay continua difícil, o que não deve ser uma grande novidade, ressalta Edith. Mas, segundo ela, há um aspecto particular durante o processo de descoberta que merece uma atenção especial: “o medo dos pais de que seus filhos homossexuais estejam ou peguem o HIV”, conta a pesquisadora.

Edith acredita que ainda há na sociedade uma relação direta da aids e os gays e propõe às organizações que lutam contra a epidemia a realização de mais campanhas focadas em desassociar esse estigma. “Quando principalmente um pai descobre que seu filho homem é homossexual, parece que os demônios se soltam”, comenta. “É comum eles proibirem seus filhos de saírem à noite, de ficarem na internet… De terem uma vida normal, na verdade. Eles têm muito medo de que seus filhos se relacionem com portadores do vírus e se infectem…”, diz.

O GPH tem um projeto voltado aos jovens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), o Purpurina. Edith conta que precisa estimular discussões sobre a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis com os participantes do grupo. “Percebo que eles não abordam com a gente muito este assunto. Se perguntamos e incentivamos, eles falam, mas caso contrário, não”, disse. “Nesta semana um adolescente de 15 anos que se comunica com a gente pela internet me perguntou se no sexo oral há chance de pegar HIV. Fiquei admirada, pois achava que os meninos dessa idade já não tinham mais dúvidas sobre os meios de transmissão do vírus*”, comentou.

A pesquisadora finaliza com uma mensagem para aqueles que estão desconfiando ou descobrindo que tem um filho gay. “Eu sei que não é fácil. Não foi fácil pra mim. Sofri preconceito. Muitas pessoas se afastaram, mas isso foi bom pra fazer uma limpeza e deixar perto de mim apenas os amigos de verdade. E no final, o

amor sempre vence”.

Depoimento de um pai no site do GPH

Quando soubemos da orientação sexual do nosso filho, eu e a minha companheira, tivemos a sensação que não teríamos forças suficientes para suportar tamanha dor. Foi como se me arrancassem o coração pela boca, o cérebro explodisse, e tudo sem nenhuma anestesia, a seco.

Para mim, foi um período de trevas, desespero, muito, muito, muito choro, sem nenhuma luz no fim do túnel. Queria achar alguma justificativa, culpados, aonde eu errei, culpei esta vida e até Deus por permitir que esta desgraça atingisse a minha família. Por que conosco, que sempre fomos pessoas boas, honestas, que só praticamos o bem?

Desprezei a todos, principalmente o meu filho, renegando-o, achado que havia criado um mau caráter, por haver optado em ser homossexual e ter uma vida marginal…. (Nome) que nos indicou a Edith. Foi nossa corda para sairmos do poço e ver uma luz no fim do túnel. Fomos acolhidos com muito amor, carinho e generosidade. Podíamos discutir, desabafar e aprender com nossos pares. Tenho orgulho de estar me empenhando com todas as minhas forças, junto com a minha companheira e junto com meus amados filhos, e diariamente estarmos nos aceitando e nos amando com mais intensidade e respeito, admitindo os desígnios do desconhecido.

Também tenho orgulho e o privilégio de pertencer a esta ONG e ter a oportunidade de acolher os próximos pais que estão precisando de ajuda, como nós fomos acolhidos e ajudados um dia.

* Segundo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, nenhuma das relações sexuais sem proteção é isenta de risco – algumas DST têm maior risco que outras. A transmissão da doença depende da integridade das mucosas das cavidades oral ou vaginal. Independente da forma praticada, o sexo deve ser feito sempre com camisinha.

Fonte: Agência de Noticias das AIDS