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Para Natura, COP26 é oportunidade para uma regulamentação de mercado de carbono com inclusão social

Genilson Coutinho,
11/11/2021 | 11h11
Foto: Divulgação

Na semana que inicia a 26º Conferência da ONU sobre o Clima a ser realizada em Glasgow, na Escócia, a Natura divulga posicionamento que frisa a importância de um amplo esforço global com metas ambiciosas para a descarbonização da economia. O documento aponta cinco pilares estratégicos a serem defendidos durante as negociações, como emissões líquidas zero até 2050; mercado de carbono com inclusão social; bioeconomia baseada em soluções da natureza; desmatamento zero na Amazônia e justiça climática.

O texto lembra que o evento é uma oportunidade única para garantir a segurança climática do planeta e quando deverá ser discutida a regulamentação do artigo 6 do Acordo de Paris, o mais importante compromisso multilateral para o clima em anos recentes, que poderá criar instrumentos econômicos e financeiros para estabelecer um mercado de carbono global. A empresa defende ainda um compromisso entre diversos grupos e atores da política global, multisetorial e multilateral, para zerar o desmatamento da Amazônia. A Natura destaca que a maior floresta tropical do mundo oferece vasto potencial de captura de carbono, seja pela conservação da floresta em pé, pela regeneração de pastagens e áreas degradadas ou pela produção agropecuária sustentável.

Para a vice-presidente de Marca, Inovação, Internacionalização e Sustentabilidade da Natura, Andrea Álvares, os negociadores da conferência devem levar metas ambiciosas para escalar a transição dos principais setores para uma economia de baixo carbono com justiça social. “No caso do Brasil, defendemos que se torne uma liderança mundial em bioeconomia da floresta com o fim do desmatamento, uso adequado do solo, investimentos em ciência e tecnologia a favor da regeneração em sintonia com a valorização ao conhecimento dos povos tradicionais, incluindo indígenas e ribeirinhos. A Amazônia permite ao país ser protagonista da agenda global de sustentabilidade. É nossa responsabilidade honrar esse lugar.” pontua.

A Natura atua na Amazônia há mais de 20 anos, em um modelo de negócios que atualmente gera renda para mais de sete mil famílias e contribui para a conservação de 2 milhões de hectares de floresta. As ações da empresa na região são baseadas em uma abordagem de desenvolvimento territorial que assegura o pagamento de repartição de benefícios e apoio a iniciativas com impacto social e ambiental e, em alguns casos, já envolve também projetos de compensação de carbono – comprando créditos dentro de comunidades fornecedoras dentro de sua própria cadeia. Este modelo já movimentou na região, entre 2011 e 2020, R$ 2,1 bilhões e impactou positivamente na vida de cerca de 28 mil pessoas.  

Desde 2007, a Natura é carbono neutro – o que significa que tudo o que não ainda pode reduzir de emissão de gases de efeito estufa, compensa por meio de projetos socioambientais. A empresa já evitou a emissão de mais de 1.28 milhões de toneladas de carbono e tem como próximo objetivo zerar as emissões líquidas até 2030, o que significa capturar, por meio de seu modelo de negócios, mais carbono do que emite. A meta faz parte do Compromisso com a Vida, plano assumido por todas as marcas do grupo Natura &Co – que reúne, além da Natura, as marcas Avon, The Body Shop e Aesop – com ações para enfrentar alguns dos desafios globais mais urgentes, como a crise climática e a conservação da Amazônia. O grupo também assumiu o desafio de articular esforços para garantir o desmatamento zero da Floresta até 2025.   

Executivos da Natura e do grupo Natura &Co estarão presentes na COP26 em debates que visam a transição para uma economia que valorize a sociobidiversidade e estime adequadamente os serviços ambientais essenciais prestados pela floresta amazônica e por suas comunidades tradicionais.

Leia abaixo o posicionamento da Natura para a conferência.

O que queremos da COP 26

Estamos às vésperas da COP 26, a Conferência da ONU sobre o Clima a ser realizada em Glasgow, na Escócia. O encontro deve redimensionar os esforços mundiais de enfrentamento da crise climática, e criar instrumentos econômicos e financeiros para estabelecer um mercado de carbono global – diretriz que possibilitará a transição das nações para um novo modelo de desenvolvimento. Trata-se da regulamentação do elementar artigo 6 do Acordo de Paris, o mais importante compromisso multilateral para o clima firmado em anos recentes.

A COP 26 é uma oportunidade única para superarmos as desconfianças e a sensação de falta de alternativas para garantir a segurança climática do planeta. Na conferência, podemos estabelecer uma agenda que terá na descarbonização a principal estratégia de desenvolvimento para os próximos 30 anos. O mundo despertou para a emergência climática, e muitos países estão se adaptando a essa visão, assumindo compromissos públicos de redução de emissões de carbono. Essa postura é reflexo da nova economia e geopolítica mundial, na qual a questão climática é um componente estruturante.

A Amazônia permite ao Brasil ser protagonista da agenda global de sustentabilidade. Mas tal protagonismo só será efetivo se escolhermos apoiar a transição para uma economia que valorize a sociobidiversidade e estime adequadamente os serviços ambientais essenciais deste bioma, criando renda e fortalecendo comunidades locais e tradicionais a fim de viabilizar a manutenção da floresta em pé. Para isso, precisamos agir mais rápido e coletivamente. A Floresta Amazônica está chegando ao seu ponto de inflexão, a partir do qual não conseguirá mais se regenerar. As ações atuais do poder público, por sua vez, ainda são insuficientes frente ao desafio de zerar o desmatamento ilegal, o maior vetor das mudanças climáticas no Brasil.

Nesse contexto, Natura, Mapbiomas, InfoAmazonia e Hacklab se uniram para lançar a plataforma PlenaMata, que monitora em tempo real o desmatamento na Amazônia. A ferramenta apresenta um contador de árvores derrubadas por minuto e hectares desmatados, a partir de informações atualizadas diariamente. O objetivo é chamar a atenção para a urgência do tema e mobilizar a sociedade em torno de iniciativas de conservação e regeneração da floresta.

É tempo para mudança. Em 2020, Natura &Co lançou seu Compromisso com a Vida, um plano robusto para enfrentar algumas das questões globais mais urgentes. Esse plano está dividido em três pilares que consideramos fundamentais para firmar um modelo de desenvolvimento que nos leve a um mundo mais próspero e justo: enfrentar a crise climática e proteger a Amazônia; defender os direitos humanos e a garantia de igualdade e inclusão; e abraçar a circularidade e a regeneração até 2030.

Por consideramos a COP 26 um momento-chave para acelerar a transição para uma economia carbono zero, e à luz de nosso Compromisso com a Vida, defendemos os seguintes pontos:

1.Rumo ao Net Zero

A emergência climática e a perda da biodiversidade provocadas pelas atividades humanas constituem ameaça real e urgente a todas as formas de vida na Terra. Acreditamos na interdependência: as ações de uma pessoa ou uma empresa afetam as demais, e vice-versa. Por isso, queremos ser agentes de mobilização e cooperação, por meio de parcerias que gerem transformações positivas, ao mesmo tempo em que aperfeiçoamos nossas práticas de negócio.

O setor privado vem elevando seus compromissos Net Zero e os países também devem ser mais ambiciosos em suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas, na sigla em inglês), especialmente o Brasil, que poderia liderar o movimento em prol da eliminação do desmatamento, bem como promover a regeneração dos ecossistemas, principais sumidouros de carbono terrestre, por meio de modelos que possibilitem a ação conjunta entre o setor público e o privado para atingir a meta de zerar emissões. 

Buscamos promover um compromisso entre diversos grupos e atores da política global, multisetorial e multilateral, para descarbonização da economia, de forma que seja possível reduzir à metade as emissões até 2030, atingir Net Zero global em 2050 e limitar o aumento da temperatura média global a no máximo 1,5ºC. 

2.Mercado de Carbono com inclusão social

Uma decisão importante a ser tomada nesta próxima conferência diz respeito à regulamentação de um mercado de carbono global que vai permitir aos países transferirem entre si o resultado verificado na redução de suas emissões de gases do efeito estufa, evitando a dupla contabilização de reduções e garantindo a integridade climática mundial.

A criação desse mercado de carbono global, com instrumentos econômicos inovadores e mecanismos de financiamento verde e inclusivos, precisa fortalecer prioritariamente a conservação de biomas e a proteção de sua sociobiodiversidade nos termos do artigo 6 do Acordo de Paris. Tais mecanismos devem promover a geração de renda para comunidades por meio do pagamento de serviços ambientais essenciais à vida prestados por elas, bem como auxiliar a transição para sistemas de agricultura resilientes à mudança do clima (agropecuária e extrativismo sustentáveis e sistemas agroflorestais) e regenerativos.

O Brasil tem papel fundamental nos esforços globais para o equilíbrio climático do planeta, e pode conduzir o desenvolvimento de uma sociobioeconomia inovadora, de baixo carbono e com inclusão social. Para isso, o país deve inverter o rumo de sua agenda ambiental e promover políticas públicas efetivas, como a estruturação de um mercado de carbono regulado e de sistemas nacionais de registro de compensações. 

3.Bioeconomia com soluções baseadas na natureza

O desenvolvimento de um mercado de serviços de descarbonização representa enorme oportunidade para um país como o Brasil, que tem condições e vocação para promover uma agricultura de baixo carbono, conservação florestal (REDD+), reflorestamento e regeneração.

O país tem enorme potencial de geração de créditos de carbono por regeneração e por desmatamento evitado; portanto, a NDC brasileira deve ser ainda mais ambiciosa, de modo a não apenas viabilizar esse potencial, como também gerar oportunidades e escala para a transição dos principais setores industriais para uma economia de baixo carbono.

Um mercado de carbono global deve priorizar modelos de compensação oriundos de Soluções Baseadas na Natureza (NbS, na sigla em inglês), garantindo a regeneração e a conservação da biodiversidade, dado seu potencial para a redução e remoção de carbono, e os benefícios que gera em termos de adaptação às mudanças climáticas.

4.Desmatamento zero na Amazônia

A Amazônia tem papel fundamental no enfrentamento das mudanças climáticas e na conservação da biodiversidade global. Cerca de 60% do território brasileiro é ocupado pelo bioma da maior floresta tropical do mundo, que também está presente em nove países. Ela provê serviços ecossistêmicos indispensáveis para o clima, a agricultura e o bem-estar da população ao proteger o solo, regular o sistema de chuvas no Centro-Sul do Brasil e em outras regiões da América Latina, atuar na captura e no armazenamento do dióxido de carbono da atmosfera e, por fim, garantir a vida. A oportunidade de o Brasil se tornar uma liderança mundial em bioeconomia florestal está no uso adequado do solo, em investimentos em ciência e biotecnologia e no acesso ao conhecimento dos povos tradicionais, incluindo indígenas e ribeirinhos.

Dois terços das emissões nacionais de gases do efeito estufa do Brasil decorrem do uso da terra, e 40% delas resultam do desmatamento, sobretudo ilegal, em terras públicas ou mesmo em áreas protegidas por lei. Por outro lado, o uso adequado do solo oferece vasto potencial de captura de carbono, seja pela conservação da floresta em pé, pela regeneração de pastagens e áreas degradadas ou pela produção agropecuária sustentável, baseada em sistemas de manejo integrado, importante fonte de atração de recursos e investimentos.

A inação frente a essa possibilidade de “retomada verde” gera efeitos diretos para a economia dos países pan-amazônicos, como perdas em bioativos, desperdício do potencial de desenvolvimento de novos negócios e produtos, aumento da desigualdade social e dos custos decorrentes de impactos climáticos em saúde, infraestrutura e emergências climáticas. Os países pan-amazônicos precisam manter a floresta em pé se quiserem alçar posições relevantes na geopolítica global.

Por essa razão, defendemos o estabelecimento de um compromisso entre diversos grupos e atores da política global, multisetorial e multilateral, para atingir o desmatamento zero na Pan-Amazônia até 2025, criando, assim, atividades econômicas aliadas à inovação e tecnologia compatíveis com a vocação desse bioma, que sejam financeiramente mais rentáveis e sustentáveis em relação ao desmatamento.

5.Justiça Climática e Direitos Humanos

A regulamentação do mercado de carbono global deve reconhecer o papel de comunidades indígenas, quilombolas e agricultores familiares na conservação ambiental, promovendo pagamentos por repartição de benefícios e conhecimento tradicional associado, reduzindo as desigualdades que recaem sobre populações tradicionais e pequenos produtores, sobretudo nos países da América Latina.

As populações mais vulnerabilizadas por questões de gênero, raça e renda são as que menos contribuíram para o atual panorama de emissões de carbono, mas são as que pagam o preço mais alto disso, na medida em que são mais impactadas por eventos extremos acarretados ou intensificados pelo aquecimento global. Estas populações dispõem de condições materiais insuficientes para promover mecanismos de adaptação e de resistência às mudanças climáticas e a pandemias como a da Covid-19. Por isso, defendemos a criação de um Green Climate Fund, no qual países desenvolvidos se comprometam com o financiamento e suporte à adaptação dessas populações aos efeitos desta crise, viabilizando o acesso a tecnologias de baixo carbono e energia renovável, garantindo a elas vida digna e pleno desenvolvimento.

Quer saber mais sobre nossas ações e compromissos para enfrentar algumas das questões globais mais urgentes? Acesse o Compromisso com a Vida de Natura &Co – https://natura.co/press_release_20200615_vision_PT.pdf