Pacientes com HIV denunciam falta de medicamento na rede pública do DF

AIDS em pauta, Comportamento, Social
2 de agosto de 2017
por Genilson Coutinho

Medicamento antirretorviral. (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

Pacientes que vivem com o vírus HIV no Distrito Federal denunciam a falta, há quase dois meses, do antirretroviral lamivudina, um dos medicamentos do coquetel para o tratamento da Aids. Ao G1, nesta terça-feira (1º), o Ministério da Saúde, responsável pelo fornecimento do remédio, negou o desabastecimento, mas pontuou que cabe aos estados “estabelecer um fluxo de distribuição”.

A Secretaria de Saúde do DF, reconhece que houve a falta do medicamento, mas afirma que “a situação já está normalizada”. Em nota, a pasta informou que a data prevista para entrega do antirretroviral era até 16 de junho, mas não deixou claro por quanto tempo esteve em falta.

Em contraponto ao que dizem a secretaria e o ministério, em entrevista ao G1, o presidente da ONG Amigos da Vida, Christiano Ramos – que atua no atendimento a pessoas com HIV – afirma que a lamivudina está em falta “há pelo menos dois meses” nos principais centros de referência da capital federal. “Dizem que é problema de logística”, afirmou Ramos.

O assistente administrativo, que faz tratamento há dois anos, diz que sempre recebeu o remédio gratuitamente e, em caso de falta, não tem “a menor condição de pagar pela medicação.”

Atualmente no DF, 8,4 mil pessoas fazem tratamento de combate à Aids na rede pública de saúde. A lamivudina faz parte da chamada “terapia antirretroviral de alta potência”, combinada com outros dois medicamentos.

Urdaez alerta, no entanto, que não é recomendável reduzir o coquetel a apenas dois medicamentos, pois na falta de um dos compostos, “o vírus se torna mais resistente”.

HIV no DF

Mais de 12 mil pessoas são portadoras do vírus HIV no Distrito Federal, segundo dados da Secretaria de Saúde. Desse total, 70% recebe tratamento antirretroviral na rede pública de saúde. Ainda segundo os dados da pasta, o levantamento também demonstrou que, entre os anos de 2014 e 2015, os óbitos por AIDS reduziram em 11%. Nos últimos anos foram registrados, em média, 900 novos casos de HIV/Aids.

De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV, AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), em 2015, a maior quantidade de casos de HIV estava concentrada na população masculina, em especial, entre homens que fazem sexo com outros homens, inclusive os bissexuais.

No mesmo período, a média de notificação foi de sete ocorrências masculinas para uma feminina. As faixas etárias que mais apresentaram infecção por HIV foram de 20 a 34 anos e de 35 a 49 anos. Entre as regiões da capital que mais registraram novos casos, destacam-se Asa Norte, Águas Claras, Lago Norte, Taguatinga e Varjão.

Teste rápido para doenças sexualmente transmissíveis como a aids. (Foto: Andre Borges/Agência Brasília)

Tratamento

Após o diagnóstico positivo de presença do vírus HIV, ao paciente é ofertado o tratamento com a ingestão de medicamentos antirretrovirais, fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No Distrito Federal, sete unidades de saúde atendem pacientes que convivem com a doença:

  • Hospital Dia (Asa Sul)
  • Farmácia Escola Hospital Universitário de Brasília (Asa Norte)
  • Ambulatório de Ceilândia (Ceilândia)
  • Unidade Básica de Saúde nº 5 (Gama)
  • Unidade Básica de Saúde nº 1 (Planaltina)
  • Unidade Básica de Saúde nº 1 (Sobradinho)
  • Policlínica (Taguatinga)