Pacientes com aids levam até três meses para marcar consulta no Piauí

AIDS em pauta
24 de dezembro de 2014
por Genilson Coutinho

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Os casos de aids têm avançado no estado do Piauí nos últimos anos. De 495 novos registros em 2012, o número aumentou para 592 descobertas de infecções pelo vírus. Além do nítido avanço da doença, as dificuldades dos pacientes piauienses também têm aumentado na mesma proporção, como é o caso do público atendido pelo Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela, em Teresina, que apresenta problemas para atender a demanda.
Segundo recomendação do Ministério da Saúde, devem ser feitos entre oito e 10 atendimentos por médico, uma vez que as consultas relacionadas ao vírus da aids exigem cuidados minuciosos. O que acontece no Hospital Natan Portela é, que devido à grande procura, os profissionais infectologistas, que são apenas quatro, chegam a atender até 12 pacientes por dia, e mesmo assim as filas para consultas apresentam até três meses de espera.
De acordo com a infectologista e diretora do hospital Elna Amaral, a instituição continua sendo referência dentro da área no Piauí, mas devido à grande procura, inclusive por pacientes de outros estados, o número de médicos disponíveis acaba sendo insuficiente e a formação de filas de espera acaba sendo inevitável.
“A fila é realmente muito grande. Nós somos um hospital de referência no  estado do Piauí e contamos com o Lineu Araújo para ajudar com os casos de Teresina, mas aqueles do interior do estado ficam no Natan Portela, e acabamos absorvendo casos do Maranhão, do Pará e do Tocantins, e a quantidade de médicos passa a ser insuficiente para atender a demanda dos que permanecem bem, mas que precisam estar em constante consulta médica e os que estão chegando”, conta.
Além dos problemas relacionados ao atendimento, o sindicato dos servidores da saúde denuncia também a precariedade dos equipamentos de uso médico, que estariam abaixo da qualidade necessária aos serviços prestados. Edna Alves, a presidente do sindicato ressalta as dificuldades diárias na unidade.
“Só temos quatro médicos fazendo o atendimento e são 12 consultas por dia. Existe material para trabalhar, mas é de péssima qualidade. Muitas vezes você calça uma luva e ela rasga. Se calçam até quatro luvas para conseguir uma que vai dar certo. Temos também as seringas que não acoplam com as agulhas”, descreve.
Segundo a secretaria estadual de saúde, o hospital desconhece o problema com os equipamentos, mas admite que o número de profissionais é baixo para a demanda, havendo a necessidade de um novo concurso público para suprir a carência.