Opinião: Venha descobrir o Boris que mora em você

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15 de julho de 2013
por Genilson Coutinho

Por Genilson Coutinho

As histórias vividas pelo jovem Boris, personagem do primeiro livro autobiográfico do jovem escritor baiano Hugo Porto que será lançado em Salvador no próximo dia 18, na Livraria Cultura do Salvador Shopping, traz, logo nas  paginas das  126 , a descrição das primeiras fases da sua vida escolar até chegar aos bancos da universidade. A trajetória de Boris é usada para contextualizar as histórias de muitos meninos e meninas que são vistos como diferentes no ambiente escolar e dentro da própria família por suas atitudes próprias e firmes, sem medo de ser quem são.

É nesse passeio da descoberta da infância que se inicia a deliciosa história de Boris, Meu Amigo Gay que chega de mansinho e vai conduzindo o leitor em uma viagem pelo universo LGBT contemporâneo e que deve gerar identificação por qualquer gay brasileiro, deixando claro que a abra é plural e afinadíssima com os gostos, manias, diversões e desejos dos gays, do norte ao sul do país.

Com esse olhar, Boris busca refrescar a cabeça do leitor diante da interatividade veloz das novas tecnologias, em especial  na relação quase umbilical com as redes socais (Facebook, Twitter, Whatsapp, Grand, Escuro), interfaces que imperam no campo da comunicação instantânea, facilitando a paquera virtual e as relações  sexuais através dos ultra-mega celulares, amigos inseparáveis da turma, do café da manhã ao jantar.

Falando com propriedade do campo colorido da cena gay no Brasil, Porto explana de maneira muito lúcida situações e ações que muitos de nós leitores iremos nos identificar com muita facilidade, a partir da sua abordagem que utiliza uma linguagem muito simples e quase didática. Sendo ele gay ou não, isso é algo muito importante para fortalecer e romper preconceitos de que somos diferentes e que a história de Boris poderia ser de um jovem hétero que passa pelas mesmas dificuldades, alegrias e tristezas,  deixando claro que os conflitos da vida não  têm necessariamente a ver com a orientação sexual de cada um.

Após essa passagem necessária para centralização da obra, o leitor vai se identificar e muito com os conselhos e reflexões do meu amigo Boris, que vão da bafônica dica da chuca até os cuidados com a pele. Cabelos, roupas, maquiagens e muitas outras coisas que mexem com o imaginário gay e que os metrossexuais se apropriaram com muita facilidade e dignidade em nome da beleza.

Além de reforçar as dicas  que vão da beleza aos cuidados para evitar vexame na cama, Boris será um chec list para a turma que já passou dos 20. Para a nova geração, ele corre o risco se tornar livro de cabeceira, com tantas dicas  interessantes  sobre sexo, família, baladas e outros conselhos que poderão apimentar mais a vida sexual, além de dar aquela repaginada no visual de acordo com o gosto e a personalidade de cada um. Vale ressaltar que os conselhos do universo Borisano podem muito bem ser encaixados no cotidiano de todos e todas, independente de gostarem de meninos, meninas ou de meninos e meninas  ao mesmo tempo. O legal é viajar sem medos e preconceitos.

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