Odebrecht realiza seminário com 180 líderes do grupo – EM TEMPO REAL

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25 de outubro de 2017
por Genilson Coutinho

O empresário Emílio Odebrecht, presidente do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., afirmou nesta manhã (24/10/2017), na abertura de um seminário com 180 líderes de sua empresa e a participação do novo conselho de personalidades globais do Grupo, que “a insegurança jurídica que atinge as empresas que firmaram Acordos de Leniência é causada, no fundo, entre outros motivos, por uma injustificável disputa de poder entre instituições do governo”.

“Além de impedir o retorno das operações plenas das empresas e ignorar a contribuição que elas podem dar para a retomada do crescimento econômico, esse conflito coloca em dúvida os instrumentos de leniência e de colaboração com a Justiça”, afirmou Emílio. Esse embate, na opinião dele, “enfraquece e até mesmo paralisa as ações que essas empresas poderiam promover para estimular as mudanças estruturantes necessárias”.

“A essência desses acordos”, acrescentou, “é permitir que as empresas voltem a operar plenamente com o mercado de um modo geral, e com entidades governamentais, gerando novas oportunidades de trabalho e de renda para a população. O Brasil precisa voltar a crescer”.

Emílio lembrou que, nos últimos três anos, o país teve uma perda acumulada do PIB de mais de 7 pontos percentuais. “O nosso país teve a maior perda de PIB per capita dos últimos 120 anos. O Brasil precisa voltar a gerar oportunidades de trabalho. Há mais de 13 milhões de desempregados no nosso país. São os nossos jovens que, principalmente, estão procurando trabalho”, afirmou. Neste ponto, Emílio citou que mais de 55 mil universitários, um recorde na história da Odebrecht, se inscreveram para disputar 50 vagas de estagiário nas empresas do Grupo durante as férias de janeiro de 2018.

Aprendizado

Para Emílio, os maiores desafios da Odebrecht, hoje em dia, não estão mais dentro de casa: “Cometemos erros, é importante reconhecer. Erros que, em certa medida, provocaram esta crise. Já falamos sobre isso em comunicados anteriores e no nosso pedido público de desculpa. Temos a obrigação de aprender muito com os erros e também com o sofrimento que passamos e com esta grave crise”.

“Internamente”, disse Emílio, “concebemos, desenvolvemos e implantamos a política, as diretrizes e os procedimentos para orientar nossa atuação empresarial com ética, integridade e transparência. Mais importante do que os instrumento citados, percebemos, em todos os âmbitos da Odebrecht, que a consciência e a convicção de assim atuar está presente em todos nós”.

Bandeira da sociedade

O presidente do Conselho de Administração da Odebrecht acrescentou: “Hoje, os nossos maiores desafios são externos. Estes desafios estão, por exemplo, na necessidade de imperativas mudanças estruturantes e culturais no Brasil e nos demais mercados e comunidades onde atuamos. O combate à corrupção é uma bandeira de toda a sociedade. E o compromisso com a ética precisa ser amplo, geral e irrestrito. Precisa envolver os mais diversos setores da sociedade, inclusive, e principalmente, o setor público”.

 Emílio pediu que os seus executivos, “mesmo com as limitações que nos estão sendo impostas”, incorporem aos seus respectivos Programas de Ação “a intensificação de ações coletivas externas em conjunto e por meio de organizações especializadas, associações e entidades de classe para promover as mudanças estruturantes e culturais no Brasil e nas comunidades onde atuamos”.

“A hora de mudar é agora”

Sem essas mudanças, afirmou, “não teremos sustentabilidade no crescimento das empresas nem no desenvolvimento do país e dos demais locais de atuação”. Emílio deu como exemplos das mudanças de que o país precisa as reformas política e administrativa, a reforma da Previdência, a desburocratização, a legalização da atividade de lobby e a retirada da mão pesada do Estado das atividades empresariais.

“As reformas devem ir muito além de interesses imediatos. Devem buscar os interesses do país, e não conveniências pessoais e partidárias egoístas ou suspeitas, a exemplo do que ocorreu com a recente reforma política que resultou em uma limitada reforma eleitoreira”, disse Emílio.

“A hora de mudar o país é agora. As gerações futuras não nos perdoarão se perdermos esta oportunidade. Nós, na Odebrecht, com determinação, estamos fazendo nossa parte”, afirmou.

Competição com ética

O seminário com os 180 líderes da Odebrecht está sendo realizado em um hotel em São Paulo. É o segundo seminário dessa natureza promovido pelo Grupo desde o envolvimento com a Lava Jato. Do seminário do ano passado, saiu um documento chamado “Compromisso da Odebrecht para Atuação Ética, Íntegra e Transparente”.

No seminário de hoje, estão sendo discutidos dois temas: a) a mudança do papel das empresas na sociedade – os principais fatores e implicações para o sucesso empresarial no longo prazo; b) a competição com ética, integridade, e transparência em ambientes desafiadores.