Obama surpreende e faz aberta declaração de apoio ao casamento gay

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22 de janeiro de 2013
por Genilson Coutinho

O presidente Barack Obama escolheu o discurso de posse de seu segundo mandato para fazer a sua mais explícita declaração de apoio ao casamento gay. Em uma declaração considerada combativa e liberal, ele defendeu a igualdade de direitos e mencionou uma série de protestos ocorridos na Nova York de 1969 que marcou o movimento pró-gay moderno.

“É dever agora da nossa geração continuar o que aqueles pioneiros começaram. […] Nossa jornada não está completa até que os nossos irmãos e irmãs gays sejam tratadas como qualquer um de nós, perante a lei. Se somos realmente criados iguais, então, certamente, o amor com que nos comprometemos uns com os outros deve ser igual também”, disse. “Nós, o povo, declaramos hoje que a mais evidente das verdades –a de que somos todos criados iguais– é a estrela que ainda nos guia; bem como guiou nossos antepassados em Seneca Falls, Selma e Stonewall”, disse.

Os protestos de Stonewall eclodiram quando frequentadores de um bar gay reagiram ao assédio de policiais. Na fala de Obama, o episódio aparece comparado a Seneca Falls, uma influente declaração sobre os direitos das mulheres, e a Selma, o movimento liderado por Martin Luther King em nome da garantia de direitos civis para os negros americanos.

Obama também defendeu o direito das mulheres a igualdade de salários e dos imigrantes, que “ainda veem a América como uma terra de oportunidades”. A reforma migratória é uma promessa da primeira campanha do democrata que ele não cumpriu no primeiro mandato e, agora, deve tornar prioridade.

Outro sinal do apoio aberto de Obama à comunidade gay foi a escolha do poeta Richard Blanco para fazer uma apresentação, na cerimônia. Blanco, 44, é o mais jovem, o primeiro hispânico e o primeiro homem gay a ler seu trabalho em uma posse presidencial americana. Propostas relacionadas ao casamento gay deverão ser analisadas pela Suprema Corte americana em março.

União
No discurso Obama, repetiu um chamado por união nacional, em especial com referência ao Congresso, que, espera-se, imporá, neste segundo mandato, ainda mais barreiras às reformas que ele pretende realizar. “Meus caros americanos, o juramento que fiz diante de vocês hoje já foi recitado por outro. Foi um juramento a Deus e ao país. Não a um partido ou a uma facção”, disse Obama. “As possibilidades da América são ilimitadas, pois temos todas as qualidades que esse mundo sem fronteiras requer: juventude e determinação; diversidade e abertura; uma infinita capacidade de arriscar, e o dom da reinvenção”, disse.

“Meus caros americanos, nós fomos feitos para esse momento, e nós o aproveitaremos –desde que o façamos juntos.” Em relação às disputas com os republicanos, Obama fez uma velada referência à declaração do rival na última eleição, Mitt Romney, que foi flagrado dizendo que 47% dos eleitores votariam em Obama de qualquer forma porque são dependentes de ajuda governamental.

No discurso desta segunda, Obama disse que programas assistencialistas de saúde e previdência social “não fazem de nós aproveitadores”. “Não acreditamos que neste país a liberdade seja reservada aos sortudos; ou a felicidade, a poucos. Reconhecemos que, não importa o quão responsavelmente vivamos nossas vidas, qualquer um de nós, a qualquer momento, pode enfrentar uma perda de emprego, uma doença repentina, ter a casa carregada em uma terrível tempestade. Os compromissos que fazemos uns com os outros –por meio do Medicare, Medicaid e da Previdência Social–, essas coisas não minam nossa iniciativa; elas nos fortalecem. Elas não fazem de nós uma nação de tomadores; elas nos libertam para correr os ricos que fazem desse país grande.”

“Nós não podemos confundir absolutismo com princípio ou substituir política com espetáculo, ou tratar uma troca de ofensas como debate razoável. Nós precisamos agir, sabendo que nosso trabalho será imperfeito”, defendeu.

Agenda
No discurso, Obama fez menções às reforma fiscal e migratória, dois de seus maiores desafios para o próximo mandato. Afirmou que as crianças americanas precisam da primeira para que possam “ir mais longe” e que a segunda atenderá aos “esperançosos imigrantes que ainda veem a América como a terra das oportunidades”. Obama afirmou que a “jornada” do país também não estará completa “até que nossos irmãos e irmãs gays sejam tratados como iguais, perante a lei”.

Essa pode ter sido a primeira vez em que os direitos dos homossexuais foi mencionado em um discurso de posse de um presidente americano, porém o ineditismo ainda depende de confirmação. “Nós, o povo, declaramos hoje que a verdade mais evidente é a de que todos nós fomos criados iguais”, disse.

Outros desafios mencionados pelo democrata são o combate à mudança climática, no qual ele vê vantagem para a economia americana; e a reforma legislativa que restringirá o acesso a armas de fogo no país, numa reação ao massacre em uma escola primária de Newtown, no Estado americano do Connecticut, que deixou 26 mortos, sendo 20 crianças.

Fonte:

Agência Folhapress