“O que me define é o amor e o fazer bem feito”, diz Lion Schneider

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20 de agosto de 2016
por Genilson Coutinho

Foto: Genilson Coutinho

Neste domingo (21), as celebrações dos 30 anos de carreira de Bagageryer Spilberg vai reunir um time de personalidades do cenário LGBT de Salvador que certamente deixará o palco do Espaço Xisto Bahia pequeno. Neste estrelado grupo de artistas e amigos de “Baga”, como André Luiz é caridosamente chamada por todos, estará Lion Schneider, nome artístico de Sérgio Tavares (49), um dos ícones da arte transformista que há muito tempo não sobe ao palco para emocionar e encantar o público com sua performance, famosa pelo cuidado com os mínimos detalhes.


Para contar um pouco da sua trajetória, Sérgio recebeu a equipe do Dois Terços para falar da carreia e dessa volta aos palcos, que fará ao lado de quatro estrelas da nova geração de transformistas com um único objetivo: emocionar. E foi com o coração emocionado e com historias incríveis que Sergio abriu o coração: “Cada um de nós deve fazer o bem sempre, pois é necessário que façamos a nossa parte. É preciso ser beija-flor para retribuir. E na minha vida sempre foi assim, nunca quis ser um ator medíocre. Quando digo medíocre estou falando das pessoas que se acostumam com o pouco que têm quando elas podem ir além. O céu é o limite e sempre quis chegar lá. E cheguei. Se meu limite de chegar ao céu é de 1 a 7 vou dentro deste limite e vou fazer dele o meu céu. Isso faz a diferença nas suas escolhas, principalmente quando temos amor e alma. Não adianta ter um figurino divino e ser uma cara parada no palco. Eu quero surpreender meu público e o mais importante: quero que ele leve após aquele show algo pra sua vida, e que tenha uma mensagem para reflexão. este é papel de arte”.

Foto: Arquivo Pessoal

Sobre a escolha de um nome não feminino para seus personagens que dão vida a grandes divas, Sérgio explica que antes de existir Lion tem que existir Sérgio, e que a escolha de um nome masculino é também uma forma de romper o paradigma de que todo nome artístico de ator transformista tinha que ser feminino: “Eu sou um ator e posso ser qualquer personagem, por isso escolhi um nome masculino, nunca quis ter nome de mulher. O ator tem que ter a liberdade de ser quem deseja ser e gosto desse desafio em cada capítulo da minha vida. Por isso não quis ter nome feminino. O público consegue sentir o que é verdade em você, foge do lugar comum. Quando qualquer ator entra em cena e a luz se acende ele acontece. Isso sempre fez e faz parte da minha verdade”.

Ainda sobre a quebra de padrões na escolha do nome, Sérgio relembra o momento em que escolheu ser Lion Schneider : “Ganhei o baile de Oxum promovido por Bebeto Franco dono baote Homes e não me lembro que nome eu tinha escolhido no concurso . Na época estava passando Roque Santeiro e em uma das conversas com Regina Celia ela disse ‘você é muito grande, parece com Claudia, parece uma leoa’, então disse Lion disse Maqueza ‘ e emendou ‘Lion o que?’. Então veio na cabeça de imediato o nome da atriz Romy Schneider uma das minhas divas do cinema , casou perfeitamente. Adorei o nome, pois era forte e você precisa ter uma marca forte. No dia seguinte o jornal A Tarde publicou Lion Schneider abre baile do “Galaday’ e são essa coisas que fazem a grande diferença em nossas escolas”.


Sobre suas motivações, Lion conta que o amor e a superação são duas palavras que o definem muito bem. “Me defino em poucas palavras: amor e superação…eu fui muito amado por minha família, amigos e sou muito grato a todos e trago esse amor para meus trabalhos, seja no salão cuidando das minha clientes, buscando sempre deixá-las mais belas e com a autoestima pra cima, isso também é amor. Quando você trabalhar apenas para sobreviver você não consegue entregar a alma e isso soa mecânico. Não gosto dessa dinâmica, tem que ter amor, alma e o prazer de fazer bem perfeito. Não importa se você é pedreiro, gari, maquiador ou qualquer outra profissão: é preciso se entregar, pois só assim você consegue atingir o outro com verdade”.

Sobre o show preparado para domingo ele revela que além de um grande espetáculo também será uma celebração da sua carreira: “para esse espetáculo convidei quatro estrelas da nova geração que irão interpretar grandes clássicos do meu repertório e sei que vou me emocionar muito, pois será como um filme que vai passar na minha cabeça. Essa semana escutei o CD e chorei tanto só em pensar. Será incrível, não estou vendo nada, dei liberdade para elas. Quero me emocionar e emocionar o público. Não fui e nem quero ver ensaio, estou conversando e dando alguns toques só”.
Sobre o convite a estrelas da nova geração, Lion conta que é preciso acreditar e enxergar o novo chegar, e quando você é bom no que faz não importa se você tem 1 ano ou 10 de carreira. “Escolhi estrelas e sei que têm muitas outras que também poderiam estar comigo no palco, mas não teme espaço diante do tempo e uma série de coisas que irão acontecer no evento. Porém estou sempre de olho, em cada show que vou sempre observo o crescimento das meninas que estão chegando cheias de energia e talento”.
Questionado se seria o último show, ele revela: “nunca é último show. Podemos dar um tempo, mas nunca é o ultimo é como a vida que cada dia nos oferece uma surpresa, quem amar o que faz pode até dar uma pausa, mas nunca um adeus”, finaliza.

Fotos: Arquivo Pessoal do artista .