O IMPÉRIO HOMOSSEXUAL… do Sinhozinho Malta

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27 de abril de 2012
por Genilson Coutinho

Estaria em curso uma campanha para instituir uma “ditadura gay” no Brasil, com privilégios para a população LGBT e cassação da palavra de toda e qualquer posição contrária à homossexualidade.       A acusação parece irônica…, já que o Brasil mata por ano mais de 200 sexodiversos por motivações de ódio – os números possivelmente são maiores, pois não há nenhum levantamento do Governo Brasileiro sobre estes crimes.

A homofobia faz vítimas até entre heterossexuais. No ano passado, Marx Nunes, ao defender um homossexual que sofria ofensa de dois homens, foi assassinado em João Pessoa (PB). E um pai e filho foram atacados por serem confundidos com um casal gay no interior de São Paulo.

Mas há quem acredita no perigo de um “Império Homossexual”. Como o Senador Magno Malta (PR), que tem usado regularmente a tribuna do Congresso para denunciar esta “conspiração”. Para quem não conhece o nobre Senador, Magno Malta teve uma carreira política meteórica: pastor e cantor gospel elegeu-se vereador em Cachoeira de Itapemirim (ES) em 1993 e em 2002 já se tornava Senador pelo Espírito Santo.

O pretenso defensor da “moral e dos bons costumes” tem algumas passagens nebulosas em sua trajetória política: em 2006 foi delatado pela Máfia das Sanguessugas, mas acabou absolvido na Comissão de Ética do Senado que seguiu o parecer do relator Demóstenes Torres – hoje acusado de ligações com o Bicheiro Carlos Cachoeira.

Em 2009, veio a público que Magno Malta nomeou por “ato secreto” seu segundo suplente no Conselho de Ética, o pastor Nilis Castberg1, durante a análise do seu próprio processo de cassação.

Em 2010, Magno Malta conseguiu se reeleger colocando em primeiro plano questões de valores e comportamento. A campanha foi tão exagerada que recebeu críticas de pastores evangélicos e da Cúpula da Igreja Católica no Estado, que chegou a divulgar uma carta de protesto: “não concordamos que a dor, a humilhação e o sofrimento das crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual e tráfico de drogas e de armas, sejam transformados em espetáculo para angariar votos.”

Malta contou com a ajuda de empreiteiras e construtoras que doaram R$ 1.700.000 dos quase 3 milhões arrecadados em sua campanha (60% do total). O partido de Magno Malta, o PR, comanda o Ministério dos Transportes, órgão que contrata empreiteiras para realizar obras de grandes investimentos. Desde então, várias empresas que financiaram a campanha do Senador ganharam licitações questionáveis, como a Contractor2, Serveng e SA Paulista3.

Essas informações vieram à tona no chamado “escândalo do Ministério dos Transportes”, que revelou acertos entre empreiteiras com o PR, partido de Magno Malta, que receberia propinas em troca de obras superfaturadas. O escândalo derrubou o Ministro, Alfredo nascimento (PR-AM), e Geraldo Lourenço, diretor de Infraestrutura Ferroviária e diretor interino de Administração e Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que foi indicado por Magno Malta4. Outra indicação do senador no Ministério foi seu próprio irmão, Maurício Pereira Malta5, para o cargo de chefia da assessoria parlamentar do Dnit, que cuida dos interesses dos parlamentares ligados às obras do Orçamento.

Apesar desta trajetória cheia de relações nebulosas com os poderes constituídos, o Senador diz que são o(a)s homossexuais que estão instituindo um Império. Sua cruzada contra os direitos civis dos sexodiversos começou em 2007 quando iniciou uma oposição ferrenha ao PLC 122 que criminaliza a homofobia. Para isso vem utilizando argumentos bastante frágeis:

“Não existe homofobia no Brasil” – e o que são as dezenas de homossexuais assassinados todos os anos por crime de ódio no país?

“Se aprovarmos um projeto desses, de você ser criminoso por não aceitar a opção sexual de alguém, é como se você estivesse legalizando a pedofilia, o sadomasoquismo, a bestialidade.”6 – a pedofilia é uma relação desigual de poder, entre um adulto e uma criança enquanto que as homossexuais são relações consentidas entre o(a)s envolvido(a)s. Qual a lógica deste argumento?

“Pelo projeto, se você não der emprego a um homossexual, você estará agindo de forma discriminatória e poderá ser preso.” – O PLC 122 só prevê a penalização em casos em que a demissão (ou não contratação) for comprovadamente motivada por preconceito. Nos casos em que o homossexual for demitido por não atender ao perfil do contratador, não há qualquer penalização.

“Se o sujeito faz uma opção pelo homossexualismo, é problema dele” – Quem escolheria viver um desejo que lhe torna alvo de preconceitos? A homossexualidade é uma expressão da complexa sexualidade humana, construída a partir de uma diversidade de experiências. Uma orientação inata, que é desenvolvida ou reprimida. Não se escolhe o objeto de seu desejo: a única opção para os homossexuais (ou heterossexuais) é a de viver ou não esse desejo.  Ainda, assim, e se fosse uma opção? Isso daria direito a alguém agredir ou humilhar esta pessoa?

Magno Malta insiste no argumento de que o PLC 122 criaria uma casta de privilegiados (o tal Império Homossexual). Mas esquece que uma lei (7.716/89) já restringe a liberdade de expressão, impedindo qualquer cidadão de realizar discurso de ódio contra a religião do Senador. Quem estaria defendendo, então, privilégios?

O senador prefere jogar fumaça no debate público de um tema tão delicado. Já percebeu que manipular o espírito conservador de uma parcela do eleitorado garante votos (e desvia o foco de suas relações nebulosas).

A luta dos sexodiversos não é apenas uma luta por seus próprios direitos, mas é a luta por uma sociedade mais inclusiva para tod@s, menos intolerante e laica. Afinal, se o Estado Brasileiro não fosse laico, a religião do Senador Magno Malta seria proibida, já que o catolicismo seria a religião oficial. É o Estado Laico que garante não só a liberdade sexual, como a própria liberdade religiosa.

Mas uma coisa é certa: se o Senador Magno Malta estiver certo, e o Brasil se tornar um Império homossexual, sem dúvida será um país bem mais interessante do que o Império da Corrupção e da hipocrisia que reina hoje no Senado Federal!

Ah! E nos digam quem será a imperatriz desse “império homossexual” porque os modelitos dela devem ser um escândalo!

Fonte:

por Sandro Candiles

Cia Rev. Triangulo Rosa