Opinião: O amor de Elio Oliver no longa ‘Me chame pelo seu nome’

Opinião
16 de janeiro de 2018
por Mario Edson

Aposta de críticos no Oscar 2018, ‘Me chame pelo seu nome’ estreia no Brasil nesta quinta-feira (18)

Por Mário Edson

Uma bela e poética história de amor, que por acaso é protagonizada por dois seres do mesmo sexo… Em tempos de intolerância, talvez assim sintetizasse o belo e singelo filme do italiano Luca Guadagnino, que, com sabedoria e sensibilidade dirige o romance adaptado de André Aciman com o roteiro do experiente James Ivory.
Contando com um elenco harmônico e de nomes não tão badalados, uma fotografia belíssima e uma trilha envolvente, eis ai a fórmula do sucesso.
O filme nos narra a historia de Elio(Timothée Chalamet, excelente), que no auge de sua adolescência e descoberta de sentimentos e sexualidade se apaixona por Olivier(Armie Hammer) um hospede, ex-aluno de seu pai(Michael Stuhlbarg) que os visita em férias de verão, em trabalho como assistente. A presença de Olivier mexe com a cabeça e o coração de Elio… Belo, sedutor e sábio, Olivier discute assuntos diversos, pratica esporte, dança e seduz em cada canto que ocupa, de maneira simples e natural sem ostentações… O dia a dia da família é regado a boa musica, discussões filosóficas, e reuniões a mesa, onde grande parte das cenas nos encantam com a gastronomia italiana…
A narrativa nos é apresentada com uma sutileza e pequenos detalhes que evolui a medida que os desejos de Elio afloram … Tudo na família é singular, a começar pela formação multicultural, ali se fala inglês, alemão, francês e italiano sem a mínima dificuldade, os assuntos giram em torno de arte, música, cinema… Um primor! O pai, vivido magistralmente por Stuhlbarg(que nos brinda com uma cena estupenda no final) é de uma doçura e amorosidade invejável, a mãe é econômica e nos fala com olhares(um achado), impressiona as respostas que ela dá sem emissão de uma só vogal… Atentem…
A primeira hora parece lenta e repetitiva, nela a evolução da aproximação entre Elio e Olivier é construída nos mais belos cenários, desde a velha casa onde a família reside aos bucólicos cenários de uma antiga cidade italiana, seus lagos, suas ruínas, seus monumentos… Neste quesito as imagens dialogam de igual pra igual com o conteúdo das discussões ali travadas… Tudo muito bem construído e orquestrado…
Há uma sedução quase velada, um amor, explicito em olhares e em cumplicidade, no entanto sem maior apelo, sem cenas apelativas ou que choquem… A construção evolutiva da cumplicidade e do desabrochar do sentimento e da sexualidade de Elio ocorre lenta e gradual, tornando-se natural, talvez resida ai o maior mérito do filme, em nenhum momento nada que é mostrado nos choca ou nos surpreende negativamente… É tudo muito bem regido e belo, poético até… Não há ali um sentimento e um desejo reprimido ou repreendido e fadado aos finais trágicos …
A direção detalhista(preste atenção na mosca em cena), a fotografia espetacular, a trilha sonora apaixonante ( preste atenção nas belas canções: Mystery of Love e Visions of Gideon, ambas de Sufjan Stevens) e um elenco carismático fazem deste um dos melhores, senão o melhor filme do ano.
O filme vem percorrendo vários festivais e recebendo inúmeros prêmios, a saber:

New York Film Critics Awards, Gotham Independent Film Award, Critic`s Choice Award
Ficha Técnica:
Direção: Luca Guadagnino
Elenco: Armie Hammer, Timothée Chalamet, Michael Stuhlbarg mais
Gêneros Drama, Romance
Nacionalidades França, Itália, EUA, Brasil
Uma curiosidade: Olha o Brasil lá na produção! E viva Rodrigo Teixeira !

Mário Edson é fotógrafo, produtor cultural e coordenador do grupo Amantes da Sétima Arte. Publica pequenos textos e ensaios sobre cinema, arte e cultura em meio a ensaios fotográficos no blog: ateliecultural.blogspot.com.