As discussões acerca do universo do público LGBT já está nas salas de aulas das universidades. Discutir o tema é uma maneira de quebrar preconceitos e criar novas alternativas para um novo cenário que vem se abrindo no mundo atual, além de conhecer melhor esse público e seus anseios. A Universidade Salvador – UNIFACS é uma dessas instituições que abre espaço para essas discussões. Veja o relato de duas pesquisas desenvolvidas na instituição. “A criação de um negócio GLS em Salvador foi tema de meu Trabalho de Conclusão de Curso na Unifacs. Eu e a minha colega de trabalho Elisangela Vieira acreditamos que seria uma ótima ideia a criação de uma agência de viagem voltada para o público LGBT em Salvador, um empreendimento que possa atender as reais necessidades de um público tão exigente. Já que na cidade não existe nenhuma agência voltada para esse público, aliás, quase não existem empreendimentos LGBT de qualidade. É um público com um alto poder aquisitivo que vem dando sinais de um crescimento absurdo nos últimos anos, não apenas no Brasil mas em todo o mundo.
Abordar um tema polêmico como a diversidade sexual dentro da universidade não foi nenhum pouco fácil. A primeira reação dos colegas foi de achar que tudo não passava de uma verdadeira brincadeira de universitários. Na nossa primeira apresentação a sala ficou em silêncio absoluto ao ver dois alunos retratando da história da homossexualidade e revelando o quanto ela está presente na história da humanidade. Depois da proposta do trabalho apresentado, nós ficamos conhecidos dentro da universidade de “Os Descoladinhos”, nome que seria dado a nossa agência LGBT. Os comentários não cessaram depois de muito debater o tema que se mostrou tão presente na universidade e na vida de vários alunos. Fomos apoiados pelos amigos, por alguns membros da família, pelos professores que nos ajudaram a desenvolver este projeto. E hoje ele permanece vivo na vontade e coragem de abrir a agência e oferecer serviços de qualidade para a comunidade LGBT”.
William Assunção - estudante de Turismo “Trabalhar com a diversidade de relações sociais é um desafio interno. Além das dificuldades técnicas normais encontradas na elaboração de um trabalho acadêmico, existe a dificuldade de enfrentamento do tema que conduz a processos pessoais e interpessoais intensos. A resistência com relação ao tema existe. Acredito que por desconhecimento e aspectos socioculturais. Sexualidade e gênero precisam ser discutidos nas universidades e não somente nos cursos de Psicologia, mas acredito que os psicólogos precisam ser porta-vozes dessa discussão. Existem docentes dispostos a essa abertura. É preciso diminuir o preconceito entre os próprios estudantes. A partir do momento em que trabalhamos com um tema como, por exemplo, a transexualidade - tema do meu trabalho -, somos olhados como seres estranhos, “ETs”. O mais importante nesse momento é estarmos determinados e dispostos a um trabalho de autoconhecimento, pois não vejo outro caminho para sustentarmos um trabalho sem uma proposta interna para que não permaneça na superficialidade das informações distorcidas pelo preconceito e desconhecimento. A pesquisa de campo com responsabilidade é necessária. A teoria sozinha não é capaz de dar conta e de promover mudanças significativas. É preciso estar disposto a enfrentar muitas vezes um sistema cruel de valores e crenças. No meu modo de entender e sentir, não é possível trabalhar com a diversidade sem se incluir nela. Incluir-se na forma particular de cada um, desde que seja com respeito ao que se propõe”.
Lílian Lopes - estudante de Psicologia
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