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Pode soar culturalmente inadequado no meio intelectual abordar temas relacionados aos reality shows, porém entendo que num mundo globalizado não existem “ilhas pensantes”, muito menos imunidade em relação à influência dos meios de comunicação em massa. Diante desta constatação, resolvi me posicionar em relação à última eliminação de um dos participantes do BBB10 ( Angélica).

Em primeiro lugar, parece que a velha tática de levantar a bandeira da opção sexual alternativa não logrou o mesmo êxito obtido nas edições anteriores. A explicitude de tais declarações geraram um pseudo-respeito e até  temor de indisposições por parte dos demais participantes potencialmente contrários a este estilo de vida; essa aparente aceitação subtrai os assumidos da posição de minoria socialmente marginalizada, prescindindo da proteção do público-juiz. De outra maneira, tais declarações levantam a suspeita de conduta meramente pragmática e oportunista, não havendo nenhum compromisso real dos participantes com a representatividade dos homossexuais, apesar da exagerada e enfadonha caricaturização dos mesmos.

Outro ponto a ser analisado é a passionalidade da produção do programa. O menos crítico dos olhares detecta o favorecimento de um participante, ou de um grupo deles, durante as edições semanais. Verdades são fabricadas com uma simples descontextualização de uma palavra ou gesto. A filosofia, após as viradas lingüísticas, desmente a existência de neutralidade em qualquer ramo da produção humana e afirmam que as palavras ganham significados diversos  dependendo do contexto; logo seria desonesto tentar impor uma neutralidade forjada. Não podemos acusar a Rede Globo de pseudoneutralidade, uma vez que sua predileção é quase explícita; no máximo podemos questionar a lisura dos processos de apuração das votações e seus resultados.

Ao apadrinhar um participante, o programa assume uma predileção por um determinado estilo de conduta do qual este membro se torna um emblema. Devemos reconhecer que esta postura já contribuiu para fomentar discussões morais proveitosas sobre a situação de grupos historicamente excluídos, funcionando como um catalizador da dialética moral: videm os exemplos do gay perseguido, ou da garota liberada e sexualmente bem resolvida, ou da trabalhadora doméstica com limitados recursos estéticos e intelectuais.

O respeito à  diversidade, conquista histórica custosa, deve ser sempre defendido; mesmo os homofóbicos, machistas, ateus e drogaditos devem ter garantido seu espaço de representação, desde que o façam de forma respeitosa em relação aos demais segmentos sociais; seria a concretização da tão exaltada  “Sociedade alternativa”. Pois bem, o que eu resisto em compreender é o posicionamento do programa em relação a está décima edição. Com que adjetivos poderíamos descrever o atual afilhado do programa? Machista? Homofóbico? Nazista? “Ex”- drogadito? O que quer significar aquela suástica tatuada em seu braço? Será que é um símbolo milenar de prosperidade? Acho que não! Então, por que favorecer uma pessoa que prima pela violência, seja verbal ou física, e que só utiliza a diplomacia por imposição de regras do programa? Pretenderia a produção enaltecer a redenção de um “ex”-drogadito? Realmente me causa estranheza a opção da emissora por esta bandeira!!!

É triste crer que a maioria dos telespectadores do BBB10 respalde o comportamento de um homem que hostiliza de forma ameaçadora uma mulher, seja por sua condição de inferioridade física, ou por ser mulher, ou por ser lésbica ou por qualquer que seja o motivo. Um homem com a segurança e arrogância que determina quem vai para o paredão e quem ele quer que saia; alguém deve lhe garantir tal autoridade!

Diante de tamanha perplexidade e impotência só resta um caminho eficaz aos que discordam dos resultados: O Boicote!!! Porque é nossa audiência que alimenta esse tipo de programa e esta odiosa edição!!! 
P.S: Me perdoem a fleuma e a polidez, porque não estou sendo honesto ao agir assim, pois minha vontade mesmo era de mandar a produção do BBB fazer uma rolha com seu programa e enfiar ... !!!
Este texto é uma colaboração.
Ednei César Amaral Chagas
Estudante de Direito da UFBA




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