“Nos cadeirantes e LGBT não somos visto pela sociedade”, diz empresário baiano

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19 de maio de 2017
por Genilson Coutinho

Bruce na campanha do site Dois Terços

Há 5 anos, o empresário Bruce Cesar (45) e idealizador do concurso Miss Universe Gay na capital baiana sofreu um assalto que causou uma lesão deixando-o sem os movimentos das pernas e para quem vivia uma rotina corrida, teve que se adaptar a uma nova realidade com a cadeira de rodas. E foi no esporte que Bruce encontrou um incentivo a mais para vencer novos desafios e romper preconceitos que foram aos poucos sendo quebrados através do esporte que também é um espaço muito restrito para a comunidade LGBT.

“Quando comecei no esporte paralímpico através do basquete adaptado, que na Bahia existe há muitos anos, nunca havia tido um homossexual masculino cadeirante, os que existiam tinham medo de se assumir por conta do preconceito. Eu não tenho e não tive medo de assumir minha orientação sexual” conta Bruce.

De acordo com Mário, o preconceito torna invisível o LGBT especial, pois a população não pensa e não enxerga que existem milhares de gays com outras necessidades e principalmente que muitos não nasceram deficientes. “Sempre tive um corpo atlético, fui praticante de esporte e a primeira barreira que a gente encontra é a aceitação depois de conhecer seu novo corpo. Após essa fase vem a fase da aparência física, pois é muito difícil levantar a bandeira LGBT sendo cadeirante, ninguém quer aceitar, já tive rejeições por parte de homossexuais. E apesar de praticar esporte e me dar nova aparência, ainda enfrento a sociedade que acha que uma pessoa com limitação física é igual a uma pessoa doente”, revela.

Sobre como tem sido os namoros ele revela que há muito preconceito, principalmente no meio LGBT. “É muito raro você atrair um gay, uma vez conheci um cara no aplicativo, me achou lindo mas quando falei que era cadeirante ele murchou e disse que não encararia  isso, é triste e nos deixar para baixo principalmente por vim de um LGBT ” diz ele .

Campanha do site Dois Terços irá abordar LGBT com deficiência

Para Bruce o Brasil ainda precisa melhor e muito neste quesito, pois em suas viagens por outros países, o atleta compara a estrutura e como são tratados os especiais. “Viajei ano passado por várias cidades do mundo e vi o quanto nós estamos atrasados na inclusão social e ainda mais quando se fala de um cadeirante gay, em Salvador podemos citar poucos bares GLS que tem acesso para pessoas com limitação física. Não é só a cadeira, mas os amputados que usam maletas. Não frequento alguns bares ou boates devido à não ter acesso, o mesmo acontece com teatros e bares no circuito LGBT é uma realidade que precisa ser descoberta por nossos governantes”.

Questionado como ele lida com as questões de sexo e namoro ele conta que não há diferença, mas sim algo muito mais interessante e garante que ficou melhor e os elogios são sempre positivos. “Quando falo em sexo em todos os sentidos somos iguais, o que há de preconceito são as pernas e a cadeira as pessoas acham que somos robôs e tive uma surpresa a pouco tempo onde a pessoa se surpreendeu durante a relação e disse que foi uma das melhores relações que já teve e pedindo bis. Mas no geral os gays não aceitam são cheios de tabus, no  sexo aprendi, estudei toque, limites e sensações que podemos fazer e como podemos e cada pessoa com limitação física é preciso informação abrir os olhos  de que uma pessoa com limitação física no geral podem dar tanto amor quanto uma pessoa normal “.