‘Nenhuma mãe deixa de amar o filho porque ele é gay’, declara Susana Vieira

Sem categoria
27 de agosto de 2013
por Genilson Coutinho

Susana Vieira fala de seu papel na trama de Walcyr Carrasco (Foto: Amor à Vida / TV Globo)

Em Amor à Vida, Pilar confronta um leque de situações difíceis de se enfrentar para qualquer mãe que se preze. Além de encarar um marido infiel há tempos, ela ainda lida com os preconceitos em relação à homossexualidade de Félix (Mateus Solano), que aflorou depois de o administrador ser flagrado com outro homem.
Para Susana Vieira, o papel de uma mãe em uma situação similar a de Pilar se aproxima muito do que se vive hoje em dia mundo afora. “Olha, não acho que isso seja muito diferente da vida real, principalmente em se falando sobre o preconceito de um pai em relação a um filho homossexual. Acho que, na maioria das vezes, existe uma grande rejeição, sim. Um choque por parte do pai, que, na verdade, pode não saber como lidar com isso”, opina.
A atriz comenta ainda que a situação é bem mais degustável para as mães, pois é normal que o amor delas sobressaia a qualquer classificação indevida de terceiros em relação ao filho. “Nenhuma mãe pode deixar de amar o próprio filho. Com exceção daquelas mulheres que abandonam seus filhos por necessidade. Tirando isso, acho que é um sentimento tão normal, tão natural, de uma mãe gostar de um filho, que jamais poderia pensar que uma mãe deixaria de amar um filho depois de saber que ele é gay. Já soube de casos raros em que isso aconteceu. Mas são raros, mesmo”, aponta.
Sobre a traição que Pilar tenta não enxergar, Susana tem uma opinião. “A Pilar sabe que o César (Antonio Fagundes) a traiu no passado e vive dizendo que já o perdoou uma vez. Não sei se seria o caso de uma segunda vez. Essa vida que ele está levando agora ainda não chegou até ela. A Pilar ama o César a tal ponto que não consegue imaginar que ele esteja levando essa vida de prevaricação. Então, é normal que ela queira manter o casamento. E é natural esse movimento nas mulheres, de querer congregar a família. É a ‘leoa’, a ‘loba’, que toma conta da família. Em qualquer família, seja ela de classe rica ou pobre, existe isso por parte das matriarcas. É o instinto animal também, que nos faz querer viver em grupo, porque em grupo você se fortifica, diferentemente se estivesse sozinho. Então, acho que a Pilar possui esses sentimentos inerentes ao ser humano, principalmente ao da mulher, que sempre protege sua prole e seu lar”, afirma.
Susana termina dizendo que não gosta de opinar sobre uma possível Pilar na vida real, pois prefere não olhar para seus personagens como espectadora para não estragar o andamento da ficção escrita pelo autor. “O ‘mar’ escrito pelo Walcyr Carrasco é agitadíssimo! E não me considero no direito de opinar sobre o que estaria certo ou errado dentro dessa história. Sou espectadora dos outros. Nunca dos meus personagens, pois eu poderia me trair pelos olhares que talvez tivesse sobre cada um deles. Apesar das semelhanças, isso é ficção, não é a vida real”, finaliza.

Da TV Globo.